Ernst Happel, “Aschyl”

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 7 Anos atrás

Por Igor Leal da Fonseca

 

Há 20 anos, um câncer de pulmão vitimou Ernst Happel. Nunca ouviu falar? Pois contaremos seus feitos aqui.

Happel foi um austríaco que, em 1925, aos 13 anos, ingressou nas categorias de base do Rapid Viena, clube mais vencedor da Áustria. Tratava-se de uma época conturbada para o país, que havia sido derrotado na I Guerra Mundial e ainda não se recuperara. Em 1942, Happel foi promovido aos profissionais da equipe e lá ficou até 1954, ganhando 4 campeonatos. Saiu para uma breve passagem pelo Racing Levallois – FRA, mas depois retornou ao Rapid Viena, onde encerraria sua carreira, em 1959.Pela Áustria, jogou 2 Copas do Mundo, a de 1954 e a de 1958. Em 54, a Aústria terminou na terceira posição. Em 58, a equipe não passou da primeira fase, inclusive perdendo para o Brasil por 3×0, partida em que o nosso personagem foi titular.Após encerrar a carreira, Happel assumiu o Ado Den Haag, clube que treinou entre 1962 e 1969. Durante sua passagem, Happel conquistou uma Copa da Holanda e, exceção feita às 2 primeiras temporadas, em todas as outras terminou entre os 4 melhores na Liga. Tais feitos chamaram a atenção do Feyenoord e Happel foi contratado pela equipe.

No Feyenoord, Happel pegou um plantel com vários jogadores com passagem pela Seleção da Holanda – como Van Hanegem e Jansen – e montou um time fortíssimo, que lhe rendeu sua primeira Champions League. Após bater KR – ISL, Milan, Vorwärts Berlim – RDA e Legia Varsóvia – POL, a equipe chegou à final contra o Celtic – uma das equipes mais fortes da Europa no fim dos anos 60. No jogo disputado no San Siro, o Feyenoord venceu por 2×1 – gols de Van Hanegem e Jansen – e garantiu o título, o primeiro de um time holandês na Champions.

Conquistou ainda a Eredivisie 70/71, mas já na temporada seguinte o Ajax de Cruijff e companhia recuperaria a hegemonia na Holanda. Hapel deixou o clube para uma breve passagem pelo Sevilla, mas sem sucesso.

Em 1974, Happel assumiu o Brugge, da Bélgica. Em sua primeira temporada pelo clube, terminou apenas em quarto lugar. Mas já na seguinte, ganhou o título belga e, após eliminar Lyon, Ipswich Town, Roma, Milan e Hamburgo, chegou à final da Copa da UEFA, contra o Liverpool. O Liverpool ganhou o jogo de ida por 3×2 e na volta houve empate, 1×1. Era a primeira vez que o Liverpool tiraria um título europeu de Happel.

Na temporada 76/77, o Brugge conquistaria o bicampeonato nacional e chegou até as quartas de final da Champions, perdendo para o finalista Borussia Monchengladbach. Na temporada seguinte, veio o tri nacional na Bélgica e após eliminar KuPS – FIN, Panathinaikos, Atlético de Madrid e Juventus, o Brugge chegou à final da Champions, feito único na história do clube e do futebol belga.

Na final, o adversário era o Liverpool e o jogo estava marcado para Wembley. O Liverpool venceu por 1×0 e a postura retrancada do Brugge valeu críticas de jogadores e do treinador do Liverpool, Bob Paisley.

Após essa derrota, Happel deixou o clube e foi disputar a Copa do Mundo da Argentina como treinador da Holanda (cargo que já ocupava desde 77). Sem Cruijff – que escolhera não disputar a Copa do Mundo – a Holanda não foi sombra do time que encantou o mundo quatro anos antes. Após uma primeira fase ruim – vitória contra o Irã, empate com o Peru, derrota para a Escócia – a Holanda ganhou corpo na segunda fase, venceu a Áustria por 5×1 e a Itália por 2×1 e empatou com a Alemanha em 2×2.

Na final, a Holanda enfrentou a Argentina, perdendo por 3×1. Reza a lenda que Happel, um homem conhecido por falar pouco, falou apenas a seguinte frase na preleção de uma final de Copa do Mundo:”2 pontos, cavalheiros. Apenas mais 2 pontos’’.

Após a Copa, Happel dirigiu o pequeno Harelbeke – BEL, antes de assumir o Standard Liége, com o qual ganhou uma Copa da Bélgica e uma Supercopa da Bélgica. Happel deixou a equipe no verão europeu de 1981 para dirigir o Hamburgo.

Na Alemanha, Happel pegou um time que vinha de um título e dois vice-campeonatos nas três últimas edições da Bundesliga e de boas participações em campeonatos continentais (título da Winners’ Cup na 76/77 e final da Champions na 79/80).

Já na sua primeira temporada, Happel ganhou a Bundesliga e após eliminar FC Utrecht – HOL, Bordeaux, Aberdeen, Neuchatel – SUI e Radnicki Nis – IUG, chegou à final da Copa da UEFA, perdendo para o IFK – SUE. Na temporada 82/83, novo título alemão e após eliminar Dínamo Berlim – RDA, Olympiacos, Dínamo de Kiev e Real Sociedad, a equipe chegou à final da Champions, contra a Juventus de Rossi, Platini, Zoff, Boniek, Gentile e companhia, um dos maiores times de todos os tempos. Mas dessa vez os comandados de Happel não sucumbiram a um adversário superior e venceram por 1×0, gol de Felix Magath.

Happel dirigiu o clube até o fim da temporada 86/87, quando foi convidado para assumir o FC Tirol – AUT. Happel ganhou 2 campeonatos austríacos pela equipe e uma Copa da Áustria. Desligou-se da equipe em Dezembro de 1991 para assumir a seleção do seu país e tentar levá-la à Copa do Mundo dos EUA, em 1994. Dirigiu a Áustria em apenas 2 partidas das Eliminatórias para a Copa, contra a França (2×0, em Paris) e Israel (5×2, em casa) e morreu logo em seguida.

Happel é um dos três treinadores a ter títulos de Champions por duas equipes diferentes (os outros são Mourinho e Hitzfeld), um dos quatro treinadores a ganhar quatro Ligas nacionais diferentes (os outros são Mourinho, Trappatoni e Tomislav Ivic) e único treinador na história a disputar três finais de Champions League treinando três equipes diferentes (Feyenoord, Brugge, Hamburgo).

Happel é considerado uma das maiores personalidades austríacas de todos os tempos e um dos maiores treinadores da história da Europa.

Ernst Franz Hermann Happel

★ 1925 † 1992

Títulos

Como jogador:

Campeonato Austríaco (6)

Copa da Áustria

Como treinador:

Copa da Holanda

Campeonato Alemão

Liga dos Campeões (2)

Campeonato Belga (3)

Copa da Bélgica (2)

Supercopa da Bélgica

Campeonato Alemão

Copa da Alemanha

Liga dos Campeões

Copa da Áustria

Campeonato Austríaco

 

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

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