Estrelando: “Um time que cai!”

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Agência Futura Press – Neymar comemora com companheiros gol sobre o cruzeiro na vitória do Santos por 4 x 0 sobre o Cruzeiro em Belo Horizonte.

Este bem poderia ser um roteiro para um filme de suspense ou terror, exemplificado por alguns grandes mestres do estilo. Bem, aquele clichê comum da sétima arte onde tudo começa azul e bem divertido, onde o positivo está evidente e todos estão felizes e acreditam que nada de ruim pode acontecer, permitindo aos espectadores, aos apaixonados pela obra à que estão presenciando, vislumbrar algo possivelmente alegre e divertido. Mas tudo isso, bem se sabe, não passa de uma farsa, pois no fundo, por mais que tenhamos esperança que os envolvidos possam ter um final feliz, sabemos que, em se tratando deste estilo de filme, algo ruim irá acontecer.

Claro que existe um título para esta película: Cruzeiro Esporte Clube.

Desde a modificação da arte do Brasileirão, a chamada Era dos Pontos Corridos, o cruz

eiro havia tido como pior colocação um 13º lugar em 2004, mas a partir de 2007 sempre esteve entre os cinco primeiros, disputando premiação em nível continental, entre os maiores astros e estrelas do continente, inclusive vindo a perder o prêmio máximo da região em 2009 por falhas técnicas que muitos considerariam uma zebra.

No entanto, o enredo teve sua virada há dois anos. O filme/time estava no auge, era comparado por alguns ao grande artista do velho continente, mas em uma fatídica apresentação caiu diante de sua própria plateia para um estranho que viera da Colômbia. E desde então, o clímax deste longa-metragem tornou-se o suspense que até os mais fanáticos torcedores temiam: o herói sofrer diante do grande vilão, aqui nomeado “Rebaixamento”, o limbo onde somente há sofrimento e desespero, principalmente para quem jamais o conheceu.

Mas como os melhores filmes sempre tendem a ter um bom final, foi no ápice do momento, quando havia sangue para todo lado, cena de fazer inveja à David Cronenberg ou a John Carpenter, uma reviravolta surpreendente permitiu que os fiéis seguidores deste filme pudessem dar um sorriso de satisfação e comemorar a sobrevivência em um mundo quase apocalíptico.

Mas como toda grande obra que rende algo nas bilheterias e enche os bolsos dos realizadores, estava decretava a produção de uma continuação. Claro que o tom sombrio permaneceria, pois não é fácil mudar o estilo da obra tão radicalmente. Assim um diretor como Sam Raimi ou Tim Burton encaixaria perfeitamente. O script foi arranjado, mas uma coisa seria modificada. Aquilo que fez o final positivo do filme anterior não voltaria à tona, o responsável por aquele momento seria valorizado, e com a participação de uma estrela maior, ficaria no topo por algum tempo.

Então, é claro, o terror perdurou, mas mais brando em comparação ao seu antecessor, que fora mais violento e desgastante. Desta vez o tom se manteve durante toda a apresentação. Nem mesmo o mais otimista telespectador acreditava em uma virada. Talvez, somente quando não havia nenhum obstáculo à frente, alguns suspiraram aliviados. Mas este sentimento passou como um trailer de cinema, e logo o ostracismo e o marasmo pairaram, e o vilão, mesmo que remotamente, passou a rondar os arredores deste ambiente cansado e falho.

E antes mesmo do término desta continuação, já se anunciava uma sequência. Seria, portanto, uma trilogia. A terceira parte tem tudo para manter o tom sombrio e calculista, já que os atores escalados em nada têm de qualidade, poucos trazem premiações de trabalhos anteriores e vários destes já são veteranos em sua profissão. Até mesmo nos bastidores, por trás da tela de exibição, os diretores executivos, produtores e roteiristas tramam em ver os seus preferidos atuando, já que colocar gente nova pode denotar uma modificação na estória que não condiz com a ideia original.

Sim, o experiente fã da arte do cinema, ou futebol neste caso, especificamente torcedor do Cruzeiro, tem tudo para ficar preocupado. Pode ser que, nesta etapa final da trilogia, o vilão consiga seu objetivo, ou torcer por um final feliz, que o vilão temido não apareça, ou que seja vencido e assim não haja mais continuações. Porque estas, meu caro, seriam dignas do mestre do mestre do terror Alfred Hitchcock, e sabemos bem como suas obras terminam.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).

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