Gangorra Portuguesa

  • por Levy Guimarães
  • 8 Anos atrás

Quando se fala em clubes portugueses, logo vem à mente da grande maioria das pessoas os chamados “Três Grandes”: Benfica, Porto e Sporting. E não é para menos. Juntos, conquistaram 76 dos 78 Campeonatos Portugueses já disputados (apenas Belenenses, em 1946, e Boavista, em 2001, quebraram esse domínio) e na esmagadora maioria das edições dividiram as três primeiras posições e protagoniram a briga pela taça.

Porém, desde a temporada 2009/2010, um intruso vem desafiando a história e subvertendo essa ordem: o Sporting de Braga, que, mesmo com um orçamento muito menor que o trio citado acima, vem conseguindo fazer frente a eles, disputando o título nacional e tendo boas aparições no cenário europeu. Simultaneamente, os sportinguistas da capital vêm, cada vez mais, perdendo espaço nessa briga, dentro e fora de campo.Nas últimas quatro temporadas, o Braga vem acumulando resultados de time grande. Foi vice-campeão português em 2009/2010 (terminando apenas 3 pontos atrás do campeão Benfica), 3º colocado em 2011/2012 (tendo disputado o troféu até as rodadas finais com Porto e Benfica) e vice-campeão da Liga Europa em 2010/2011, eliminando o Benfica nas semifinais e perdendo apenas para o Porto na decisão. Já o Sporting, durante esses anos, teve como melhor colocação no Campeonato apenas o 3º lugar em 2010/2011, ficando com a 4ª colocação em 2009/2010 e na edição passada. Mesmo com a boa campanha na última Liga Europa, quando alcançou as semifinais, ainda é muito pouco para um clube que tem 18 títulos portugueses, 15 Taças de Portugal e um orçamento anual consideravelmente maior que o emergente Braga.

A temporada atual confirma essa inversão na terrinha: após 8 rodadas disputadas, os bracarenses ocupam a 3º colocação, com 17 pontos ganhos, três a menos que os líderes Porto e Benfica. Já o Sporting tem um dos piores começos de temporada de sua história. Com 1 vitória, 4 empates e 3 derrotas, é apenas o 13º colocado, com 7 pontos, e já vê de muito longe a possibilidade de, pelo menos, brigar por uma vaga na Liga dos Campeões (lembrando que os três primeiros se classificam). No cenário europeu, os “Guerreiros do Minho” brigam diretamente em seu grupo por uma vaga nas oitavas-de-final da Champions League, junto com Cluj, da Romênia, e Galatasaray, enquanto o time da capital é lanterna da sua chave na Liga Europa.

Mas qual o segredo de um clube que, em meio a uma crise econômica que assola muitos times portugueses de menor expressão, consegue não só se sustentar de modo satisfatório, como quebrar a barreira que separa os 3 grandes dos demais? Ao contrário da grande maioria das agremiações de Portugal, que busca jogadores em outras ligas da Europa e, principalmente, em outros continentes (lugares onde o preço por muitas vezes sai inflacionado e os atletas recém-chegados demoram a se adaptar ao futebol lusitano), o Braga dá atenção especial ao mercado interno, observando destaques de equipes menores (sobretudo jogadores jovens) e fazendo grande parte de suas contratações no próprio país. Assim, além de não gastar tanto com reforços, traz jogadores que já são do conhecimento da comissão técnica e da diretoria e que estão habituados com o estilo de jogo dos times locais. Há que se considerar, ainda, o valor significativo arrecadado com vendas de jogadores (como os 13,9 milhões de euros da venda de Pizzi e Sílvio, ambos para o Atletico de Madrid, na temporada passada), garantindo a boa saúde financeira dos Minhotos. Além disso, os jogadores negociados não costumam fazer tanta falta, já que o clube vem conseguindo manter uma mesma base desde 09/10, com um mesmo estilo de jogo em que prevalece a coletividade em detrimento da individualidade, fazendo com que as peças de reposição se encaixem bem nos moldes da equipe.

O Sporting, por outro lado, é um festival de erros. Tem uma diretoria impaciente, com sérias dificuldades de dar continuidade ao trabalho de seus treinadores. Não à toa o Sporting ganhou o apelido de “exterminador de técnicos” – desde 2009/2010, foram 7 comandantes diferentes, contando com o recém-chegado Franky Vercauteren. Gasta muito com jogadores que não deram certo ou eram meros coadjuvantes em outras ligas (como foi o caso do holandês Boulahrouz e do croata Pranjic, contratados para esta temporada) e não tem conseguido vendas expressivas de jogadores, o que contribui fortemente para a crise financeira atual vivida pelos Leões. O planejamento da diretoria, no início dessa temporada, era sanar as dívidas do clube para, no ano que vem, montar uma equipe competitiva a ponto de disputar grandes títulos. Porém, a cada mês o clube fica mais estagnado economicamente e os resultados dentro de campo só pioram, deixando o torcedor sem perspectivas de comemorar novamente uma conquista de primeira grandeza (vale lembrar que o Sporting não é campeão português desde o ano de 2002).

Hoje, pode-se dizer sem medo que o Braga é a 3ª força do futebol português, e o Sporting, apenas a 4ª. Muitos duvidam do potencial dos Minhotos de manter esse status pelos próximos anos, lembrando, por exemplo, do Boavista, campeão português há 11 anos e que hoje figura na 3ª divisão. Mas o modelo de administração do clube sugere que essa fase pode sim durar um tempo considerável, ao passo que a situação atual do Sporting não oferece um prognóstico positivo para um futuro próximo.

E você, acha que o Braga pode continuar lutando de igual pra igual com os grandes e quem sabe até conquistar um título português? Ou pensa que isso é apenas passageiro e que a tendência é, em breve, tudo voltar a ser como antes em Portugal?

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.

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