Hristo Stoichkov, “Il Pugnale”

  • por Lucas Amaral Nunes
  • 8 Anos atrás

Por Lucas Amaral Nunes

 

“Existem apenas dois Cristos. Um joga no Barcelona, o outro está no paraíso. E ambos fazem milagres.” A frase, cuja autoria é do próprio jogador, demonstra o quão polêmica e incomum podia ser sua personalidade. Como os pólos de uma pilha, o elétrico jogador também dividia as graças do público em ambos os sentidos, positivo e negativo, nunca centralizadas. Sua peculiar instintividade agressiva era notória e, por muitas vezes, resultou em conflitos entre companheiros e adversários. Porém, ainda mais extraordinários eram seus dotes com a bola nos pés, que o fazem ser considerado o maior jogador da história da Bulgária.

“Pirracento”, “Bipolar”, “Encrenqueiro”. Estes foram adjetivos que acompanharam o jogador desde as primeiras palavras pronunciadas na infância. Porém, o desequilíbrio pessoal era inversamente proporcional ao equilíbrio na condução da bola, primeiro nas ruas de concreto e, mais tarde, em campos de grama e tinta. Na cidade de Plovdiv, cresceu o imprudente rapaz, que não raramente retornava à sua casa com arranhões e canelas e olhos roxos, obtidos através de brigas e pancadas no futebol de rua. Um dos fatos do qual mais se orgulha é o de nunca ter recuado.

E assim, à sua maneira viril e ofensiva, aos dezenove anos, já atacava as linhas adversárias pelo principal clube do país, o CSKA de Sófia. O rapaz se destacava pela velocidade e potência em arremates, mas também por passes e dribles precisos. Uma briga na final da copa nacional quase lhe rendeu o banimento do futebol. Mas nem isso foi capaz de harmonizar seu temperamento, que persistiu até o fim de sua carreira. A suspensão não o retirou dos gramados permanentemente, mas por um tempo. Após o retorno, suas chuteiras seriam banhadas em ouro, ao conquistar o prêmio de artilheiro da Europa em 1989.

Eis que o azul-grená lhe cai bem. Na temporada seguinte, é contratado pelo Barcelona, onde jogaria ao lado de outros célebres e legendários atletas como Ronald Koeman, Pep Guardiola, Michael Laudrup e Romário, liderados pelo holandês Johan Cruyff No “Dream Team” catalão, Hristo, um dos seus principais ícones, conquistou a Liga do Campeões, o Campeonato Espanhol em quatro oportunidades, a Copa do Rei, a Recopa europeia por duas vezes e a Supercopa da Espanha em quatro ocasiões. Tais feitos o fazem entrar, também, para a galeria dos maiores jogadores da história do Barcelona.

O ápice de sua carreira foi em 1994, quando receberia o Balão de Ouro, sendo consagrado como o melhor jogador da Europa naquele ano. O capitão búlgaro levou a pouco tradicional seleção de seu país às semifinais da Copa do Mundo, sendo eliminados pela poderosa Itália de Roberto Baggio. A frustração da eliminação foi compensada: 6 gols o credenciaram como artilheiro da competição. Seu futebol e sua índole intempestiva rodaram o mundo agregando fanáticos e odiadores ao seu extenso exército de seguidores.

Hristo Stoichkov aposentou-se em 2004, após experiências em diferentes lugares do mundo: atuou na Arábia Saudita, no Japão e, por fim, nos Estados Unidos. Apesar disso, sua paixão pelo futebol o levou aos estudos fora das quatro linhas, como treinador, campo onde até hoje atua sem muito sucesso e muitos, mas muitos conflitos com seus comandados. Um homem tão genioso como genial, questionado por suas atitudes, mas nunca por sua perícia. Tais condições e sua contribuição aos olhos dos torcedores e doentes por futebol certamente lhe atribuem o rótulo de Lenda do Futebol.

Hristo Stoichkov Stoichkov Stoichkov

★ 1966

Títulos

Liga dos Campeões

Recopa Europeia (2)

Campeonato Espanhol (4)

Copa do Rei

Supercopa da Espanha (4)

Liga Búlgara (3)

Copa Búlgara (3)

Supercopa Búlgara

Supercopa da Ásia

Copa dos Vencedores da Copa Asiática

Copa Nabisco

US Open Cup

MLS Cup

Comentários

Lucas é jornalista desde 2011, mas o fanatismo pelo futebol o acompanha desde o berço. Aficionado por história, jogadores antigos e contemporâneos e causos e contos sobre o mais famoso esporte bretão. Participou de sites como o cruzeiro.org e o fanáticos por futebol. Atualmente atua como editor do futebol mineiro na Doentes por Futebol, onde também é o responsável pela coluna “Lendas do Futebol”.

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