O Bangu dos anos 80

  • por Igor Leal
  • 8 Anos atrás

Fonte:Revista Placar

Por Igor Leal

Zona Oeste do Rio de Janeiro, área mais populosa da cidade. Nela encontra-se o Bangu Atlético Clube, um dos clubes mais tradicionais do município. Durante os anos 50 e 60, o Bangu formou vários bons times, incomodando os grandes, sempre fazendo boas campanhas no Campeonato Carioca e com bons resultados no exterior. É o único clube do Rio de Jane

iro a receber a Fita Azul, prêmio dado pela CBD ao clube que ficasse 10 jogos invictos em excursões fora do país. Nos anos 70, a equipe viveu um período de ostracismo, até a chegada de Castor de Andrade, conhecido contraventor do Rio de Janeiro. Não é nossa intenção discutir a índole do antigo benfeitor do Bangu e a origem dos recursos, apenas recordar o time que chegou à final do Brasileiro.A montagem do time começou durante o Brasileiro de 83, quando o Bangu disputou o triangular final contra Flamengo e Fluminense. A equipe garantiu o direito de disputar o triangular após fazer a melhor campanha no Estadual, somando 33 pontos nos 2 turnos disputados, com apenas 3 derrotas. Na estreia, um empate em 1×1 com o Fluminense e o Bangu precisava vencer o Flamengo no último jogo, mas perdeu por 2×0 e viu o time das Laranjeiras ganhar o título.

Em 84, nova campanha de destaque no Estadual, terminando a edição atrás apenas de Fluminense, Flamengo e Vasco, mas no Brasileiro realizado no primeiro semestre, a campanha foi pífia, terminando apenas em 35º. Para o Brasileiro de 85, as perspectivas não eram muito diferentes da edição anterior.

Começa o Brasileiro e o Bangu está no grupo de Ponte Preta, Joinville, Brasil de Pelotas, Pinheiros, Brasília, Desportiva, Villa Nova – MG, Vila Nova – GO, Corumbaense, Uberlândia e Leôncio. O time perde apenas uma partida em 11 disputadas (para o Joinville), garantindo sua vaga na próxima fase. No returno, termina novamente na ponta, o que dá ao Brasil de Pelotas o direito de avançar à fase seguinte.

Na segunda fase da competição, a equipe cai no grupo de Vasco da Gama, Internacional e Mixto. A fórmula era turno e returno, quem fizesse mais pontos, avançava à semifinal. E o Bangu não tomou conhecimento dos adversários. Com 2 empates e 4 vitórias (inclusive uma no Beira Rio, em confronto direto, jogo que eliminou o Inter), a equipe garantiu a vaga na semifinal do Brasileiro, que seria disputada contra o Brasil de Pelotas. Com 2 vitórias nos 2 jogos, o Bangu garantia a vaga na decisão, a ser disputada em jogo único, no Maracanã, pois o time do Rio tinha melhor campanha que o Coritiba, adversário da final.

No dia 31 de Julho de 1985, mais de 91 mil pessoas pagaram ingresso para ver a final mais inusitada dos Brasileiros até então. Num jogo tenso e disputado – como toda final – o Coritiba abriu o placar, mas ainda no primeiro tempo o Bangu chegou ao empate. A partida seguiu empatada e teve que ser decidida nas penalidades, muito graças ao goleiro Rafael, que foi o melhor em campo, com várias intervenções.

Num Maracanã lotado, a decisão por penais terminou 6×5 para o Coxa, um castigo ao bom time do Bangu, embora o Coritiba também tivesse bons valores. De prêmio para o clube, a Bola de Ouro da Placar dada ao atacante Marinho, que chegou à Seleção Brasileira. No Estadual do Rio de Janeiro, o Bangu novamente chegou ao triangular e chegou ao último jogo precisando de apenas um empate contra o Fluminense, para conquistar o título. Num jogo que ainda gera revolta de arbitragem entre torcedores do Bangu, o Fluminense venceu por 2×1 e faturou o título Carioca.

O clube ainda teria bons momentos nos anos seguintes, mas nunca mais repetiu a performance de meados dos anos 80. Hoje a equipe faz apenas figuração no Estadual do Rio de Janeiro, depois de amargar alguns anos na Série B do Estadual do Rio de Janeiro.

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