O Valencia de Héctor Cúper

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

O Valencia “bi-vice” da Champions League – Parte I

Por Igor Leal

Quando se fala em Héctor Cúper, a primeira lembrança de um verdadeiro Doente Por Futebol é a seguinte: treinador que teve problemas com Ronaldo e ocasionou a saída do mesmo da Inter para o Real Madrid, de acordo com o jogador. Baita injustiça, pois no começo da década passada, Cúper montou um belo time de futebol, o Valencia-ESP, q

ue chegou a duas finais de Champions League seguidas.Cúper chegou ao Valencia para substituir Claudio Ranieri. O treinador argentino vinha de um excelente trabalho no Mallorca (3º colocado na Liga BBVA, em 1998/99, e vice da UEFA Cup Winner’s Cup na mesma temporada), e o Valencia resolveu apostar no treinador para a temporada 1999/00. O clube contratou os argentinos Killy González e Pellegrino e manteve a base da temporada anterior. A expectativa era de uma briga pela classificação para a Champions e apenas passar da primeira fase na UCL 1999/00.

Começou a temporada e a equipe não engrenou, com apenas uma vitória nas cinco primeiras rodadas da Liga BBVA. Na Champions, a equipe passou pelo Hapoel Haifa-ISR e caiu no grupo de Bayern-ALE, PSV-HOL e Rangers-ESC. A equipe venceu o Rangers na estreia, mas empatou os 3 jogos seguintes.

Enquanto isso, um começo de recuperação na BBVA, com vitórias sobre Real Madrid e Atlético de Madrid, fora de casa, e Barcelona e La Coruña – futuro campeão – em casa. A equipe também ganhou consistência na Champions, vencendo os dois jogos seguintes (Rangers, fora, e PSV, em casa) e encerrando a primeira fase de grupos na ponta da tabela. Na segunda fase de grupos, a sorte não sorriu para a equipe, que teria que enfrentar Manchester United (Campeão da UCL 1998/99), Bordeaux (campeão francês na temporada anterior e invicto na UCL até então) e a Fiorentina de Rui Costa e Batistuta. Na Espanha, a equipe seguiu sua recuperação e se manteve na briga pelo título.

Nos três primeiros jogos da segunda fase, duas derrotas e uma vitória, contra o Bordeaux. Classificação ameaçada, pois Fiorentina e Manchester marcaram sete e seis pontos, respectivamente. Na primeira partida do returno, vitória por 2×0 sobre a Fiorentina, que colocava o Valencia em vantagem no confronto direto (havia perdido a ida por 1×0). Na rodada seguinte, nova derrota da Fiorentina (3×1 para o Manchester United) e uma vitória do Valencia contra o Bordeaux (4×1, fora de casa) deixaram o time espanhol com a mão na vaga, já que Manchester United e Valencia se enfrentariam com o time inglês já classificado em primeiro e o espanhol dependendo de um empate. No outro jogo, a Fiorentina precisava vencer o Bordeaux e torcer para uma vitória do Manchester fora de casa. Os dois jogos terminaram empatados e espanhóis e ingleses avançaram rumo ao mata mata. Na Liga BBVA, a equipe seguia na briga pelo título, disputando com La Coruña, Barcelona e Real Madrid.

Nas quartas-de-final da Champions, mais uma pedreira: a Lazio, então campeã da Itália e um timaço, como mostrado por nós aqui mesmo nessa página em uma matéria anterior. A Lazio também tinha grande campanha na Champions e era considerada favorita no confronto. No jogo de ida, no Mestalla, o Valencia abriu 2×0 antes dos cinco minutos. A Lazio diminuiu com Simone Inzaghi, mas Gerard López fez mais dois gols para o Valencia e aumentou a vantagem para 4×1 (o espanhol já havia marcado o segundo gol da equipe espanhola). No fim, Salas diminuiu novamente, mas Claudio López, nos acréscimos, deu números finais ao confronto, 5×2. Na volta, Verón fez o único gol do jogo e o Valencia avançou à semi final.

Na semifinal, jogo contra o Barcelona, equipe de Rivaldo e Figo e que era atual bicampeã da Espanha. Mais uma vez os palpites eram contra a equipe do Valencia, apesar da equipe ter conseguido uma boa vitória contra o Barcelona na Liga BBVA do mesmo ano (3×1 no Mestalla). Mas mais uma vez, o prognóstico não serviu de nada e o Valencia enfiou 4×1 no Barça de Rivaldo e Figo. No jogo da volta, 2×1 para o Barça, resultado insuficiente para o time catalão. A equipe de Cúper estava na final da Champions, diante do Real Madrid de Roberto Carlos, Redondo, Morientes e Raúl.

Se nas outras ocasiões do mata mata o Valencia era apontado como azarão, na final foi olhado com respeito. A equipe tinha enfrentado o Bordeaux (campeão francês em 1998/99), Bayern (campeão alemão em 1998/99 e finalista da Champions 1998/99), Lazio (campeã italiana de 1998/99 e da UEFA Cup Winner’s Cup na mesma temporada), Manchester United (que tinha conquistado tudo no ano anterior) e Barcelona (que era bicampeão espanhol), e se saído bem na grande maioria dos confrontos. Também tinha enfrentado o time da capital espanhola duas vezes na Liga BBVA, vencendo uma e empatando outra, sendo a vitória conquistada no Santiago Bernabéu.

O Real Madrid era claramente superior tecnicamente, mas chegava à final em má fase e bastante pressionado pela torcida, após perder três partidas seguidas em casa, para Racing Santander, Alavés e Valladolid, derrotas essas que custaram mais que o título espanhol aos comandados de Del Bosque (título que ficou com o La Coruña), também custaram uma vaga para a Champions League da temporada seguinte (a equipe terminou a Liga BBVA em 5º). Para uma equipe que tinha gasto uma fortuna em contratações, terminar a temporada sem um título e fora da próxima edição da Champions seria desastroso.

O início da final foi de um jogo de muito estudo, com algumas chances para o Real Madrid, mas nada de muito claro, exceto uma finalização de McManaman em jogada muito parecida com a que originou o lendário gol de Zidane contra o Leverkusen dois anos depois. Até que faltando pouco mais de cinco minutos para o final do primeiro tempo, a zaga do Valencia cochilou após cobrança de falta de Roberto Carlos, Morientes recebeu cruzamento da direita, cabeceou com precisão e abriu o placar.

Após o intervalo, a partida seguiu na mesma toada, até que a defesa do Valencia afastou mal um lateral cobrado por Roberto Carlos e McManaman encheu o pé da entrada da área, fazendo 2×0, aos 22 minutos do segundo tempo. O Valencia se lançou ao ataque de forma desordenada, tentando diminuir o prejuízo, mas o Real Madrid fechou o placar após Raul receber lançamento ainda antes do meio campo e arrancar literalmente sozinho por mais de 60 metros, para driblar Cañizares e dar números finais ao jogo.

A equipe de Cúper encerrava a temporada com uma Champions League brilhante e em 3º na Liga Espanhola. Mendieta terminou a temporada como artilheiro da equipe, com 18 gols marcados.

Amanhã teremos a segunda parte da matéria, falando da temporada 2000/01 e da dolorosa derrota para o Bayern na final da Champions League.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.