CLÁSSICOS DPF – A final da Supercopa 93

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

São Paulo 2×2 Flamengo (5×3 nos pênaltis)

Envolvido com as semi-finais da Copa Sulamericana – na qual ontem empatou em 1×1 com a Universidad Católica – o São Paulo comemora neste sábado 19 anos de uma conquista histórica. Em 1993, o tricolor sagrou-se campeão da Supercopa dos Campeões da Libertadores. Torneio extinto e de grande tradição nos anos 90.

Era a primeira vez que dois times brasileiros se enfrentavam numa final de competição organizada pela Conmebol (segunda, se contarmos a final da Recopa do mesmo ano, onde o tricolor venceu o Cruzeiro). Ali começava a aparecer o domínio do futebol brasileiro no continente.

Naquele ano, 16 times disputaram a competição. Todos campeões da Libertadores. O Flamengo chegou à final após eliminar Olímpia (PAR), River Plate (ARG) e Nacional (URU). Já o São Paulo superou Independente (ARG), Grêmio (BRA) e Atlético Nacional (COL). O artilheiro da competição foi o ainda jovem Ronaldo, do Cruzeiro, com assombrosos oito gols em quatro partidas.

Os flamenguistas buscavam a revanche, já que na Libertadores do mesmo ano, o tricolor havia eliminado os cariocas nas quartas de final.

No primeiro jogo comandados pelo jovem Marquinhos, o Flamengo pressionou desde o início e o tricolor abusava dos contra-ataques. Leonardo abriu o placar pros paulistas após boa jogada do lateral André. Ainda no primeiro tempo, Marquinhos marcou um golaço para empatar a partida. No início do segundo tempo Zetti engoliu um frango em outro chute de Marquinhos. O Flamengo pressionou para aumentar a vantagem, mas no final sofreu o empate com gol de Juninho.

No Morumbi, quem vencesse levantava o caneco. O clima no rubro-negro não era dos melhores. Jogadores brigavam entre si, e havia duas panelinhas: As dos jogadores que surgiram na base (Marcelinho, Nélio, Junior Baiano e Marquinhos), contra os consagrados que defendiam o Fla naquela temporada (Renato Gaúcho, Gilmar e Casagrande). Tudo isso sob o comando de Júnior, que havia acabado de se aposentar para apostar na carreira de treinador.

Já os donos da casa estavam em estado de graça. Bicampeões da Libertadores, atuais campeões mundiais e se preparando para viajar novamente ao Japão, onde enfrentariam o Milan, dessa vez sem Raí, que havia sido vendido para o PSG.

O jogo começou quente. Ambas equipes buscavam o gol desde o início. A primeira chance foi com Cafu, que chutou forte de fora da área. Mas a resposta flamenguista não demorou. Apostando sempre na bola parada de Marcelinho, aos 7min Renato cabeceou sem marcação, mas a bola foi para fora. Aos 9min, após outro escanteio, Renato não titubeou e abriu o placar.

O São Paulo sentiu o gol e o Flamengo seguiu melhor. Aos 23min, Renato ganhou da zaga e chutou para boa defesa de Zetti. A melhor chance do tricolor veio aos 30min quando Muller recebeu de Palhinha e bateu para fora. No minuto seguinte, após outro escanteio de Marcelinho, o zagueiro Rogério cabeceou na trave. No finzinho, Renato ainda teve outra chance, mas bateu pra fora.

No segundo tempo, o tricolor veio totalmente modificado e amassou o Flamengo no campo de defesa. A pressão começou com Cafu chutando com perigo. Num contra-ataque aos 9 minutos, Renato saiu cara a cara com Zetti, que efetou linda defesa. Daí em diante só deu São Paulo.

O gol de empate saiu aos 16min. Após bela triangulação, Leonardo recebeu de Palhinha e bateu cruzado sem chances para Gilmar. Aos 20min, o goleiro Zetti lançou Muller que ganhou em velocidade e chutou para boa defesa do goleiro flamenguista. Aos 24min, um bom chute de Cafu. No minuto seguinte, finalização de Leonardo para fora.

A virada parecia questão de tempo. Aos 32min, Palhinha tabelou e bateu de fora da área levando imenso perigo. Na sequência, o camisa 9 tricolor recebeu e chutou fraco. Quando o Flamengo conseguiu respirar, Nélio recebeu de Marquinhos e bateu forte, porém Zetti efetuou um milagre. Na sequência do lance, Juninho recebeu de Leonardo e chutou mascado, mas Gilmar aceitou.

Jogo definido? Que nada! Na saída de bola, Marquinhos recebeu na intermediária e chutou forte, sem chances para Zetti. Era o empate flamenguista. Que mal deu pra comemorar. Em seguida, Juninho invadiu a área e bateu forte, para o goleiro Gilmar se redimir da falha no gol anterior e fazer boa defesa.

Depois o jogo deu uma esfriada. Apesar disso, o tricolor ainda teve chance de vencer, quando Muller fez ótima jogada pela esquerda e cruzou, mas Guilherme – sem goleiro – mandou a bola pra fora.

Com o empate, o jogo foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de Zetti, que viu Marcelinho mandar a 2ª cobrança na trave. Dinho, Leonardo,  Cafú, André, e Muller marcaram para os paulistas. Enquanto Rogério, Marquinhos e Gelson fizeram para os cariocas.

Ali o time de Telê Santana conquistava o inédito título da Supercopa e fechava também a “Tríplice Coroa”, conquistando Libertadores, Recopa e Supercopa no mesmo ano.

Ficha técnica:

São Paulo: Zetti; Cafú, Valber, Ronaldão e André; Doriva, Dinho, Cerezo (Juninho) e Leonardo; Muller e Palhinha (Guilherme).

Flamengo: Gilmar; Charles, Gelson, Rogério e Marcos Adriano; Fabinho, Marquinhos, Nélio e Marcelinho; Casagrande (Magno) e Renato Gaúcho (Eder Lopes)

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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