10 anos do Brasileirão de 2002 – Campanha do Corinthians

  • por Tarcilla Honório
  • 6 Anos atrás

Foto: Terceiro Tempo | Corinthians vice-campeão do Brasileirão 2002
Foto: Terceiro Tempo | Corinthians vice-campeão do Brasileirão 2002

O ano de 2002 foi especial para os corinthianos. Apesar de os títulos conquistados terem sido “apenas” a Copa do Brasil e o extinto Torneio Rio-São Paulo, a torcida pôde ver o time brilhar em confrontos importantes, tendo eliminado o São Paulo na semifinal do torneio nacional e, novamente, derrotado o rival do Morumbi nas finais do torneio regional. Esse foi o início do ano em que o último Campeonato Brasileiro disputado em mata-mata ocorreu.

Parreira: técnico em 2002. (Foto: gazeta press)

Parreira: técnico em 2002. (Foto: gazeta press)

Com dois títulos na temporada, o Corinthians iniciou o Brasileirão sem muita pressão e dividindo com o São Paulo o posto de favorito ao título. O time, treinado por Parreira, logo no início do segundo semestre perdeu um dos seus principais nomes, o goleiro Dida, e teve que se virar com o então reserva Doni, que nunca chegou a apresentar um grande futebol jogando pelo Time. Em contrapartida, um reforço que trouxe grandes alegrias: o atacante Guilherme, que teve uma passagem marcante pelo clube, marcando 13 gols em 19 jogos.

No Brasileirão, o Corinthians estreou com Doni; Rogério, Scheidt, Fábio Luciano e Kléber; Renato, Vampeta, Luciano Ratinho e Fabrício; Gil e Deivid. Resultado: estreia com vitória fora de casa contra o Atlético Mineiro, por 2×1, tendo vencido, também, o Internacional por 3×2, na segunda rodada. Foi aí que estreou o atacante Guilherme, responsável por dois gols e que a partir daí ganhou a simpatia da Fiel.

Mas como o Corinthians se treme todo quando encontra o São Caetano no Campeonato Brasileiro, perdeu a invencibilidade logo na terceira rodada, com um 3×0 que expôs ainda mais a maior fragilidade do time naquele ano: a defesa. Com 6 gols tomados em 3 jogos, esse setor foi o principal responsável pela campanha irregular no campeonato.

Foto: Folhapress

Foto: Folhapress

Iniciando o campeonato entre os primeiros, o Corinthians oscilou na tabela, perdendo pontos importantes em casa, como quando tomou 3×0 do Atlético Paranaense. A defesa continuou dando dor de cabeça. Em compensação, o destaque foi para o “lado esquerdo do time” que contava com o lateral Kléber, em excelente fase, além de Gil. Juntos, deram trabalho para muitas zagas no decorrer do campeonato.

Após 25 jogos e muito sobe e desce na tabela, o Corinthians terminou a primeira fase com 43 pontos e 35 gols sofridos, o que lhe rendeu um terceiro lugar e uma vaga nas quartas de final contra o Atlético Mineiro.

Aqui, apareceu o time que cresce em decisões e, com uma vitória por 6×2, praticamente garantiu a presença nas semifinais na primeira partida.

Contra o Fluminense a história foi outra. Após uma derrota por 1×0, com gol de Romário, no Maracanã, uma semana tensa e cheia de provocações se seguiu até o jogo que definiu o finalista. Inspirados, Guilherme e Gil apareceram no segundo jogo, garantindo a presença do Timão na final do campeonato.

Diego sai lesionado no início da segunda final. (Foto: Agência Estado).

Diego sai lesionado no início da segunda final. (Foto: Agência Estado).

O adversário seria o Santos, que por pouco não fica de fora da segunda fase do torneio e tinha um time cheio de garotos quase desconhecidos. E se era pra encerrar a Era de disputas em mata-mata, a final foi em grande estilo. Um clássico. Mais que isso: um clássico entre os dois mais antigos e tradicionais times de São Paulo, um clássico com dois gigantes, com estilos de jogos completamente diferentes. Um desses jogos que ficam na memória e dão saudade.

O Santos chegava à final eufórico, pois mesmo acreditando muito na possibilidade do título e na capacidade do time, sabiam da grandeza do feito que estavam concretizando.

O resultado todo mundo já conhece. O Santos jogou e o Corinthians assistiu. Apesar de algumas oportunidades, o Corinthians não conseguiu marcar e terminou o primeiro jogo em desvantagem, após um 2×0, com gols de Alberto e Renato.

Na segunda partida, com poucos segundos do início, o Santos viu um dos maiores responsáveis pela campanha do time, o meia Diego, cair no gramado com uma lesão que o tirou do jogo. Corinthianos comemoraram, pois sabiam o quanto o meia fazia diferença para o Santos. Mas a saída do jogador fez o seu companheiro, o atacante Robinho, chamar a responsabilidade para si e decidir a partida com uma atuação irretocável.

Robinho marcou de pênalti, abrindo o placar. O pênalti ocorreu após as suas famosas pedaladas sobre o lateral Rogério, que virou um menino acuado diante do gigante que não se importava com seus 18 anos.

Rogério e Robinho em lance do pênalti. (Foto: Lacepress)

Rogério e Robinho em lance do pênalti. (Foto: Lancepress)

Mesmo assim, o Corinthians reagiu. Virou o jogo com gols de Deivid e Anderson, no segundo tempo. E, precisando de mais um gol, viu o goleiro Fábio Costa fazer uma de suas melhores partidas, com defesas que desesperavam os corinthianos e faziam os santistas começarem a festa. E quem não faz, leva. O nervosismo diante da necessidade de marcar um gol fez o time se abrir ainda mais. O suficiente para o Santos matar o jogo com gols de Elano e Leo. Santos campeão brasileiro.

Comentários

Tem uma versão minha por aí que costuma ser uma advogada bem apaixonada pelo Direito. Mas, nas horas vagas, some e dá lugar a uma doente por futebol que nem se lembra quando foi contagiada. Corinthiana desde pequena. Já pude presenciar uns belos momentos desse esporte louco e inexplicável. Então, vamos trocar figurinhas...