10 anos do último Brasileirão no mata-mata.

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

Hoje faz 10 anos da última edição do Brasileirão no mata-mata, do título do Santos e da geração Diego e Robinho. 10 anos sem final de Brasileirão, 10 anos sem o que muitos chamam de ‘’jogo marcante’’, 10 anos sem ‘’emoção’’.

Na última edição do Brasileirão antes dos pontos corridos, 26 equipes jogaram a primeira fase, em turno único. Os favoritos ao título eram São Paulo e Corinthians, pelo primeiro semestre realizado. Outros grandes corriam por fora, como Grêmio e Fluminense. Logo nas primeiras rodadas do Brasileirão, o São Paulo começou bem, mas sempre seguido de perto pelo surpreendente Juventude. Mas o time treinado por Osvaldo de Oliveira perdeu três jogos em curto espaço de tempo e viu o Juventude abrir 6 pontos. Após 13 partidas disputadas, o time treinado por Osvaldo tinha perdido rendimento e era apenas o nono colocado na tabela, fora da zona de classificação, após perder para o Atlético MG, em partida disputada no Morumbi. A ponta da tabela era dividida por Juventude e Coritiba, com 26 pontos.

Mas o time treinado por Osvaldo se acertou, emendou 10 vitórias e 2 empates nos jogos seguintes e terminou a primeira fase na liderança. O Juventude perdeu rendimento, mas ainda terminou em quarto lugar. O Coritiba despencou na reta final e com duas derrotas seguidas (Figueirense em casa e uma goleada para o lanterna Gama, fora), deu adeus ao mata-mata.

Foi também o único campeonato em que dois clubes dos chamados maiores do Brasil caíram ao mesmo tempo: Botafogo e Palmeiras fizeram campanhas horrorosas e foram rebaixados na última rodada, prolongando o sofrimento das suas torcidas até o fim. A Portuguesa completou o grupo dos rebaixados.

Para a próxima fase, esses foram os classificados: São Paulo, Corinthians, São Caetano, Juventude, Grêmio, Atlético MG, Fluminense e Santos, que arrancou na reta final e mesmo com uma derrota na última rodada, conseguiu a vaga. Os confrontos foram os seguintes: São Paulo x Santos, São Caetano x Fluminense, Corinthians x Atlético MG, Juventude x Grêmio.

 

Quartas de final – o surpreendente Santos elimina o São Paulo.

 

Os jogos de ida

 

Os quatro primeiros colocados jogavam o primeiro jogo fora de casa e por dois resultados iguais. Grêmio e Juventude empataram em 0x0 no Olímpico, deixando o confronto em aberto. Os outros três foram praticamente decididos nos jogos de ida. No Mineirão, o Corinthians fez 6×2 no Atlético MG, com show da dupla Deivid (4 gols) e Gil (2 gols). No Maracanã, Magno Alves saiu do banco para fazer dois gols no segundo tempo e colocar o Fluminense em larga vantagem. Roni completou o placar de 3×0. Mas foi em Santos que aconteceu a grande surpresa.

Como mostrado por nós nesse mesmo texto, o São Paulo estava há 12 jogos invicto no Brasileiro. No confronto na Vila Belmiro, Alberto abriu o placar aos 30 minutos do primeiro tempo, mas Kaká empatou no último lance da etapa inicial. Na volta para o segundo tempo, Robinho colocou o Santos em vantagem logo aos 6 minutos e Diego ampliou aos 20 do segundo tempo. O São Paulo perdeu por 2 gols de diferença e teve sua vida complicada na competição.

 

Atlético 2×6 Corinthians – Show de Deivid e Gil

Fluminense 3×0 São Caetano – Show de Magno Alves e Romário

Santos 3×1 São Paulo – Show de Diego e Robinho.

 

Os jogos da volta

 

Nos jogos da volta, um valente Grêmio venceu o Juventude no Alfredo Jaconi (1×0, gol de César), garantindo a vaga na semifinal. O Corinthians venceu o Galo novamente, fazendo 8×3 no agregado. O Fluminense foi ao Anacleto Campanella e perdeu por 2×0, ficando com a vaga.

No jogo no Morumbi, Luís Fabiano abriu o placar antes dos 5 minutos de jogo, dando esperança à torcida do São Paulo. Mas a equipe perdeu Reinaldo por contusão e a estratégia de Osvaldo de Oliveira ruiu. O Santos virou com gols de Léo e Diego, sacramentando a vaga para a semifinal.

 

Juventude 0x1 Grêmio

 

Semi final – Robinho brilha pelo Santos, Guilherme pelo Corinthians.

Jogos de Ida

As semifinais ficaram definidas com Santos x Grêmio e Fluminense x Corinthians. No primeiro jogo, o Santos meteu um sonoro 3×0 na equipe gremista, em tarde de Robinho e pesadelo de Polga. O defensor gremista (jogador de Copa do Mundo), foi humilhado por Robinho, em imagens que ainda hoje fazem parte dos ‘’melhores momentos’’ da carreira do ex-santista. Robinho fez um gol no jogo, foi diretamente responsável pela expulsão de Polga e viu Alberto fazer dois golaços. O ainda menino e camisa 7 fez uma obra de arte e fechou o placar. O goleiro Danrlei saiu do jogo reclamando da postura de Robinho, chegando a dizer que  ”quebraria a perna de Robinho”.

No outro jogo, disputado no Maracanã, quem brilhou foi um veterano: aos 36 anos, Romário decidiu o jogo para o Fluminense, que bateu o Corinthians pelo placar mínimo.

Fluminense 1×0 Corinthians – Romário

Santos 3×0 Grêmio

Jogos da volta

Na volta, o Santos perdeu para o Grêmio por 1×0 e garantiu a vaga na final. Mas foi no outro confronto que a emoção esteve presente, com virada, sufoco e um herói.

Um Morumbi lotado viu o Fluminense abrir o placar, através de Roni. O Fluminense perdeu Romário por contusão, Gil empatou para o Corinthians, mas o time ainda precisava de pelo menos 1 gol. Foi então que brilhou a estrela de Guilherme, com 2 gols no segundo tempo, sacramentando a virada. Roni ainda diminuiu faltando pouco mais de 5 minutos para o fim do jogo, mas o Corinthians segurou a vantagem e a vaga na final.

Corinthians 3×2 Fluminense – Guilherme vira herói da Fiel

A grande final – as pedaladas que entraram para a história

Primeiro jogo

No primeiro jogo, o Santos venceu por 2×0, num jogo que se o Santos tivesse feito 5, seria justo. Com gols de Alberto e Renato, o Santos largou em boa vantagem na final.

 

Santos 2×0 Corinthians

O Segundo jogo

No jogo da volta, o Corinthians precisava vencer por 2 gols de diferença e teve sua vida ‘’facilitada’’ logo no começo da partida, quando Diego sentiu e saiu de campo logo no seu primeiro toque na bola. A equipe santista também não tinha Alberto, suspenso pelo terceiro amarelo. Sem Diego e Alberto, o Santos tinha apenas Robinho da equipe que havia brilhado nos confrontos anteriores. Mas quem tinha Robinho tinha tudo e o camisa 7 santista entortou Rogério nas históricas pedaladas e foi derrubado. Pênalti, que o próprio Robinho cobrou para abrir o placar. O primeiro tempo termina com a equipe santista em larga vantagem.

Robinho pedala pra cima de Rogério, antes do penal cometido pelo jogador do Corinthians.



Mas o Corinthians era uma grande equipe e no segundo tempo encurralou o Santos, transformando Fábio Costa no melhor jogador em campo. Até que Deivid empatou e Anderson virou, enlouquecendo o Morumbi e o sempre tranquilo Carlos Alberto Parreira que, da beira do gramado, gritava de forma desesperada a seguinte frase:’’Faltam 5 minutos, vamos que dá, faltam 5 minutos’’.

Mas o Santos tinha Robinho e, como já dissemos, quem tinha Robinho tinha tudo. Faltando 2 minutos para o fim do tempo regulamentar, o camisa 7 santista fez grande jogada pela direita e rolou para Elano empatar o jogo. E já nos acréscimos, Robinho fez um carnaval pelo lado esquerdo, escancarou a defesa santista e deu a bola para Léo, que se livrou de um marcador e encheu o pé, para sacramentar a vitória e o título do Santos.

Corinthians 2×3 Santos, show de Robinho

Robinho e Diego comemorando o título

 

Alberto, artilheiro da equipe no Brasileiro com 12 gols, sendo 4 no mata-mata.

 

O Santos de Diego e Robinho ficou eternizado como uma das equipes mais ‘’legais de se assistir’’ da história do futebol brasileiro e ao Corinthians restou a grande campanha no ano, quando venceram a Copa do Brasil, o Rio–São Paulo e chegaram à decisão do Brasileirão.
Parreira deixou a equipe para voltar à Seleção e o Corinthians foi mal em 2003. Já o Santos manteve Leão, chegou à final da Libertadores contra o Boca e foi vice do Brasileiro.

Mas isso é assunto para outro post.

Até a próxima!

 

 

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.