2012: O centenário perdido do Santos

  • por João Rabay
  • 8 Anos atrás
O ano em que o Santos perdeu a Libertadores para um rival e deixou um craque ir para outro.

Foto: AFP
Neymar e Ganso: Juntos, agora, só se for pela seleção

Após seis meses de descanso no Brasileirão 2011 e da goleada sofrida diante do Barcelona no Mundial do Japão, o Santos começou a planejar 2012 sonhando alto. O presidente Luis Álvaro prometeu que os santistas teriam um centenário memorável. Mas se tem algo que a torcida do peixe quer é esquecer 2012.

O Santos demorou a embalar no Campeonato Paulista, após escalar o time reserva nas rodadas iniciais. Os titulares ganharam férias mais longas, devido à temporada esticada pela disputa do Mundial. Quando o elenco se juntou, o Peixe conseguiu levar as fases iniciais de estadual e Libertadores em banho-maria e se classificou ao mata-mata das duas competições.

O título do Paulistão, após eliminar o rival São Paulo nas semifinais e golear o Guarani nos dois jogos da final, somado à goleada por 8 x 0 sobre o fraco Bolívar pelas oitavas da Libertadores, serviram para animar os torcedores, mas tudo não passou de ilusão. O Santos sofreu para bater o Vélez da Argentina nos pênaltis e viu o ano ruir no Pacaembu, quando foi eliminado pelo rival Corinthians, que para piorar viria a ser o campeão continental.

A partir daí, o Santos se tornou um barco à deriva. O time titular foi desmontado, com as saídas de Ibson (ainda durante a disputa da Libertadores), Elano, Borges e Alan Kardec. Sem falar nas contusões de Henrique, Fucile, Ganso e do capitão Edu Dracena.

Apesar das saídas poderem ser justificadas pelo baixo rendimento dos jogadores e do alto valor cobrado por Alan Kardec, as reposições foram feitas de maneira tétrica. Ibson foi trocado por David Braz e Galhardo, ambos pouco aproveitados no Flamengo e também no Santos. Elano foi trocado pelo argentino Miralles, que pouco fez, e ainda se destacou no Grêmio. Para o lugar de Borges, vieram o bizarro Bill e André, que não conseguiu reeditar a dupla de sucesso com Neymar.

O que se viu do Santos no segundo turno foi uma ridícula dependência de Neymar, que desfalcou a equipe por quase meio campeonato servindo a seleção brasileira. Muitos recém-contratados decepcionaram, como Gerson Magrão, Bernardo, Pato Rodríguez e os já citados Bill e André. A novela Ganso, que parecia interminável, chamou muito mais atenção que as exibições da equipe.

Apesar de o assunto ter esgotado os torcedores, é preciso relembrar: Ganso, joia da base santista e ex-ídolo da torcida, passou quase dois anos polemizando na imprensa por causa das negociações para renovar seu salário. Mesmo sem repetir as atuações de 2010, o meia queria ganhar o mesmo que Neymar. A diretoria ofereceu um plano parecido com o do atacante, que recebe boa parte dos rendimentos a partir de contratos publicitários. Ganso não aceitou, preferindo negociar a publicidade por conta própria. Depois de muita briga e de várias atuações fracas, transferiu-se para o São Paulo.

Muricy Ramalho não conseguiu encontrar um padrão para a equipe no Brasileiro e se limitou a reclamar. E reclamou muito. Da seleção, do calendário, dos jovens jogadores, como Felipe Anderson e Patito Rodríguez, e, por fim, da diretoria, esquecendo da sua influência na construção do elenco.

E para 2013? A diretoria promete uma reformulação. O lateral Fucile, que pertence ao Porto, não deve ter o contrato de empréstimo renovado, após uma temporada cheia de lesões. O meia Bernardo vive situação parecida e deve voltar para o Vasco, assim como Juan, que retorna ao São Paulo. Gérson Magrão, Bill e João Pedro também não devem ficar. O zagueiro Durval é outro cotado para deixar a Vila Belmiro. Como se vê, a maioria das contratações feitas em 2012 se mostraram inúteis.

A grande esperança da torcida santista para o ano que vem é, obviamente, Neymar. Mas a seleção deve tomar o craque emprestado algumas vezes, e é preciso reforçar o elenco. Existe uma base um pouco animadora, a partir do goleiro Rafael, da volta do capitão Edu Dracena e dos volantes Adriano e Arouca, além da afirmação de jogadores como o lateral Bruno Peres e os avançados Felipe Anderson, Patito Rodríguez, Miralles e Victor Andrade, que tiveram bons lampejos no campeonato nacional.

Faltam reforços de peso para a zaga, a lateral esquerda (Léo vem sentindo a idade desde que voltou da Europa) e o meio de campo. Apesar das perspectivas positivas levantadas pelos jogadores citados, eles precisam de protagonistas para poder aparecer como coadjuvantes. Sem falar no problema André, que recebe alto salário. Será que o Santos gastaria dinheiro com outro centroavante para deixar alguém que ganha bem no banco de reservas? Nomes como Robinho e Montillo aparecem entre as especulações. O eterno Menino da Vila vive mau momento no Milan, mas, após tantas declarações de Luis Álvaro prometendo seu retorno, é difícil acreditar. Outros concorrentes aparecem à frente do peixe na disputa pelos meias. A torcida está desconfiada e com motivos.

Sem disputar a Libertadores, o grande objetivo do Santos em 2013 passa a ser o Brasileirão, conquista que ainda falta a Neymar. Após três títulos paulistas seguidos, o estadual não apetece muito, sendo a Copa do Brasil um provável prêmio de consolação. O presidente volta a prometer um grande ano. Resta esperar para ver se dessa vez ele cumprirá com o prometido.

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Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".