A decepção Sérvia na Copa de 2010.

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

Hoje é quarta, dia da nossa coluna sobre o Leste da Europa. E hoje falaremos sobre um time que chegou à África do Sul com grandes expectativas e apontado como eventual surpresa nas fases mais agudas do torneio, mas caiu na primeira fase, de forma melancólica.

O ano é 2010. A Sérvia tem em seu time titular os seguintes atletas: Vidic, Subotic, Ivanovic, Kolarov, Krasic, Stankovic e Jovanovic. Todos jogadores com moral na Europa.

Vidic e Ivanovic eram peças chave nos seus times na Premier League. Subotic já era um promissor zagueiro no Borussia Dortmund. Jovanovic tinha acabado de se transferir para o Liverpool. Krasic vinha de grandes temporadas no CSKA Moscou e era cobiçado por vários grandes da Europa (acabou fechando com a Juventus). Stankovic era um dos principais jogadores da Internazionale Campeã Italiana e da Champions (não era titular absoluto, mas era líder e tinha a confiança total de Mourinho). O ataque era o ponto mais fraco da equipe, que carecia de um bom centro avante. Tinha o esforçado Zigic entre os titulares, mas o jogador sempre teve números medíocres na BBVA.

Mas a aposta, que vinha corroborada pela boa campanha nas Eliminatórias – quando jogaram a França pra repescagem – e alguns bons resultados em amistosos, era que a equipe passaria de fase tranquilamente. A confiança se tornou ainda maior depois do sorteio dos grupos, pois, ao contrário de 2006 – quando teve Argentina e Holanda em sua chave, além da Costa do Marfim – dessa vez seu grupo só contava com a Alemanha como favorita.

Vários comentaristas davam como favas contadas a classificação para as oitavas e torcedores que gostam das seleções do Leste da Europa também acreditavam que a chance de avançar era bem palpável.

Mas já na estreia, um balde de água fria: num jogo com pouquíssimas chances de gol, Kuzmanovic fez besteira e colocou a mão na bola de forma imbecil. Pênalti, que Gyan cobrou para marcar o gol da vitória de Gana. A campanha da Sérvia começava mal.

No segundo jogo, a Sérvia precisava vencer a Alemanha e teve sua tarefa facilitada por Klose, que foi expulso de campo após cometer duas faltas infantis, ambas por trás e parando jogadas. Logo após a expulsão, a Sérvia fez boa jogada pelo lado direito, Krasic foi ao fundo e cruzou para Zigic aparar de cabeça para a conclusão de Jovanovic. Mesmo com um a menos, a Alemanha foi em busca do resultado e novamente uma mão na bola de forma imbecil – dessa vez de Vidic – colocou a Sérvia em maus lençóis. Mas Podolski cobrou mal e Stojkovic fez a defesa.

No último jogo da fase de grupos, a Sérvia precisava de uma vitória para garantir a vaga sem depender de nenhum outro resultado, podendo até ser líder do grupo. A Austrália, que tinha tomado 4×0 da Alemanha e empatado com Gana num jogo fraquíssimo tecnicamente, era o adversário da vez. Mas a Sérvia mais uma vez decepcionou seus fãs e sucumbiu: derrota por 2×1 e eliminação ainda na fase de grupos.

Após a campanha, vários jogadores da equipe foram muito mal em seus clubes, como Krasic na Juventus e Jovanovic no Liverpool. Vidic vive às voltas com lesões desde a temporada 2010/11, Stankovic ainda está na Internazionale, mas perde espaço a cada temporada. Os únicos que ainda estão relativamente bem em seus clubes são Subotic, Kolarov e Ivanovic. A equipe disputou as Eliminatórias para a Euro 2012, mas terminou em terceiro no seu grupo, atrás até da pequena Estônia. Atualmente o time está em terceiro no seu grupo das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, seis pontos atrás da Bélgica e da arquirrival Croácia. O time volta a campo de forma oficial apenas em março do ano que vem, para disputar a quinta rodada das Eliminatórias, quando visitará a Croácia em um jogo de vida ou morte (literalmente falando).

As Eliminatórias da Copa de 2010 foram o último grande momento da Sérvia no futebol, uma escola que sempre revelou bons valores e obteve bons resultados.

Nossa coluna volta semana que vem. Até lá!

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.