A difícil decisão de pendurar as chuteiras

  • por joao_vitor
  • 6 Anos atrás
Foto: Reprodução

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“A idade chega para todos”, já dizia o chavão. No futebol, não é diferente. Lesões, decadência física e técnica, o corpo que não obedece aos comandos da mente, enfim, o tempo é realmente cruel com os boleiros.

A hora de parar é um dos momentos mais complicados na carreira de um jogador. Sair de cena não é nada fácil para quem se acostumou com o glamour que o futebol proporciona. A parte financeira também conta muito. Fica difícil manter a mesma qualidade de vida depois que os rendimentos mensais caem consideravelmente. Uns conseguem se virar, outros, não. Investir em alguma coisa durante a carreira ainda é algo raro na classe. Poucos pensam no futuro.

Entretanto, por mais incrível que possa parecer, dinheiro nem sempre é tudo. Jogadores consagrados, que acumularam bens para suas próximas três gerações, também insistem em adiar a aposentadoria. É o tal amor à profissão. Romário é um grande exemplo. Milionário, consagrado, ídolo nacional, ultrapassou a barreira dos 40 anos de idade. Com 39, o Baixinho foi artilheiro do Brasileirão. Aos 41, chegou ao seu milésimo gol.

Assim como Romário, Túlio Maravilha também almeja o milésimo gol. A busca por uma marca pessoal simbólica serve de autoincentivo para jogadores com data de vencimento expirando. No caso de Túlio, a insistência na carreira o tornou um dos mais famosos andarilhos do futebol, acumulando mais de 30 clubes diferentes em sua trajetória. Apesar das artilharias, dos números, dos exemplos de amor ao futebol, tanto Romário quanto Túlio foram criticados, contestados e tratados como chacota por muita gente da “mídia especializada”. Para ambos, o gol 1.000 veio após diversos amistosos obscuros. E o cruel mundo da bola não perdoa, não aceita, nesse caso, que os fins justifiquem os meios.

Os jovens senhores!

Nem sempre ser um jogador considerado velho para os padrões do futebol é sinônimo de fim de carreira. Atletas privilegiados pela genética, que vivem uma vida equilibrada e, claro, possuem técnica apurada, também têm espaço no mercado da bola. Jogadores como Zé Roberto, Seedorf e Juninho mostraram no último Brasileirão que certidão de nascimento não é tudo. Os três figuraram entre as mais diversas listas de melhores meias do campeonato. Zé chegou a ser sondado pelo Santos de Muricy. Juninho recebeu proposta do Atlético Mineiro, que disputará a próxima Libertadores.

No cenário internacional, temos o interminável Ryan Giggs. Incansável fisicamente e esbanjando técnica, o galês mantém o alto nível mesmo com seus 39 anos de idade. Atuar em uma Liga extremamente competitiva e num dos clubes mais poderosos da Europa não tem sido problema para o interminável meia.

Quando o corpo não aguenta!

Tem hora que só amor pela profissão não basta. Ao longo da carreira, os jogadores são vulneráveis às mais diversas contusões. E uma hora o corpo cobra o preço de tanto desgaste.

O goleiro Marcos, ídolo do Palmeiras e da Seleção, bem que tentou, mas o corpo não ajudou. Entre idas e vindas, recuperações e fisioterapias, o arqueiro não conseguiu uma sequência de jogos que o levasse a atuar em nível semelhante ao que atingiu no auge da carreira. Em 2007, Marcos chegou a fraturar o braço duas vezes. O goleiro viveu um fim de carreira de muitas lesões, falhas e raros lampejos.

Ainda no Parque Antártica, Marcos Assunção, um dos raros destaques do tenebroso ano palmeirense, vem atuando no sacrifício, devido a um problema crônico no joelho. O volante já deu indícios de que sua carreira está ameaçada pelas dores, mas já deixou claro que vai insistir até quando puder e aguentar.

Uma coisa é certa: seja com dor ou sem dor, por amor ou por dinheiro, em alto nível ou se arrastando, os velhinhos da bola sempre terão seu espaço.

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