A “NOVA” VECCHIA SIGNORA

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Agência Getty – Antonio Conte assumiu a Juventus em Julho de 2011.

94 pontos. É assim que a Juventus de Turim termina o ano de 2012. Um recorde que supera a sua própria marca, presente no ano de 2005 com Fábio Capello no comando técnico, e Ibrahimovic, Trezeguet, Del Piero e Nedved no campo.

Hoje, talvez com a exceção de Andrea Pirlo, não há um grande nome na criação e ataque da squadra, nem mesmo um camisa #9 unânime como na outra época. Mesmo assim, o time atinge um número impressionante de gols no ano, unindo a segunda metade da temporada passada com o início desta.

Foto: Reprodução – Andrea Pirlo é a maior estrela desta fase da Juventus.

E o principal responsável por isso é o treinador Antônio Conte. Ex-jogador bianconero, ídolo, a aposta nele como treinador foi vista com maus olhos por boa parcela da imprensa e principalmente da torcida, já que há pouco tempo Ciro Ferrara passara pela mesma situação, e sua passagem foi marcada por fracassos.

Dotado de carisma, mas de pulso firme, Conte iniciou seu trabalho assustado, preocupado com o que poderia vir, lançando a formação 4-3-3, diferente de seu habitual 4-2-4 de trabalhos anteriores (Bari, Atalanta e Siena). O meio de campo seria o carro-chefe de seu esquema, contanto com a criatividade de Pirlo, recém-chegado do Milan, do chileno Arturo Vidal, também estreante, e de Claudio Marchisio. E a fórmula deu certo.

Foto: Reprodução – Marchisio e Vidal completam o forte meio-campo bianconero.

A Juventus impôs seu futebol. O fato de não participar de competições europeias também foi determinante no entrosamento e na regularidade do time, com todos jogando o máximo de partidas possível. Não foi surpresa a conquista do scudetto na temporada 2011-2012, apesar do grande número de empates em certo momento do campeonato. Naquele período, ficou evidente a preocupação do treinador em não sofrer derrotas, muitas vezes abdicando de atacar para atingir seu objetivo.

Por isso, a Juventus veio a adotar o 3-5-2, formação que passou a ser a atual e mais usada pelo time. Contando com um trio forte na defesa, Barzagli, Bonucci e Chiellini, sobretudo com a evolução do futebol do segundo, e com a regularidade de Buffon, um dos melhores goleiros de todos os tempos, a equipe teve uma diminuição de gols sofridos e permitiu aos alas e ao trio de meio-campistas apoiar mais ainda ao ataque. Foi a temporada de conhecimento e de organização, preparando-se para um futuro baseado no otimismo.

Para a temporada seguinte, 2012-2013, a Juventus foi à busca de contratações pontuais, destacando-se as chegadas de Kwadwo Asamoah e Sebastian Giovinco, dando mais força e qualidade técnica ao time. Até agora, na metade da época, os objetivos foram alcançados, com a classificação em primeiro no grupo da Liga dos campeões da Europa (enfrentará o Celtic da Escócia na próxima fase) e liderança do Campeonato Italiano com 44 pontos, oito à frente da Lazio, vice-líder.

E este é um alento para a torcida, que viu a Vecchia Signora sofrer nos anos anteriores à chegada do atual treinador. Depois do episódio do Calciocaos, pagou merecidamente pelos seus erros, amargou a segunda divisão e permaneceu no limbo do Calcio por outras quatro temporadas, inclusive entre 2009-2010 e 2010-2011, ficando na 7ª colocação duas vezes. Foi uma época complicada, com apostas furadas em brasileiros, principalmente em Diego e Amauri, que não conseguiram repetir o bom futebol de clubes anteriores.

Sabendo que precisava se organizar, retornou à sua ideologia de apostar em jogadores locais (italianos natos ou que atuam na Itália), finalizou a construção do estádio próprio, orgulho dos adeptos juventinos e da diretoria, e deu a Conte a confiança necessária para recuperar o respeito que um dia a Juventus teve.

Falando em respeito, esse já ultrapassa as fronteiras da Itália, como destacado por José Mourinho: “Se a Juventus pode surpreender na Liga dos campeões? Não vamos brincar, a Juventus é um grande time europeu e seria absolutamente normal se eles chegassem longe na competição”. Ele continuou dizendo que a equipe italiana poderia alcançar as semifinais do torneio. E Mourinho bem sabe o que fala, já que treinou a Internazionale, rival nacional do clube de Turim.

Foto: Agência Getty – O capitão Buffon é a voz de Conte dentro de campo.

Não se pode deixar de lado o fato de a Juventus ainda ter formado a base da seleção italiana na última Eurocopa, quando chegou à final. Nada menos que seis jogadores estavam como titulares no jogo frente à Espanha. Na estreia do torneio, Giacherini também iniciou, aumentando para sete o número de atletas da Juve com a Azurra.

Fato é que Antonio Conte faz a diferença neste time. Suspenso no início da temporada por motivos judiciais, por ter sido considerado culpado por não falar sobre a manipulação de resultados nos tempos de Siena. Nessa época, viu-se uma Juventus engessada, sem apresentar um futebol vistoso e de qualidade, excetuando os confrontos contra o Chelsea na Liga dos Campeões. Também foi neste período que ocorreram as primeiras derrotas desde que assumira o time (contra Milan e Inter de Milão). Assim que retornou ao comando a partir do banco de reservas, venceu bem as quatro partidas seguintes.

Esta pode ser a temporada de consolidação da Vecchia Signora. Confiança e dedicação têm, contando com jogadores de qualidade como Buffon, Chiellini, Pirlo e Vidal, novidades de qualidade como Asamoah, Giovinco e Pogba, além da possível chegada de um atacante matador em janeiro. A conquista da Série A será consequência do bom trabalho e, com a vantagem já adquirida, o time pode se concentrar na Liga dos campeões, chegar à margem considerada por Mourinho e prestigiar a Itália, tão sofrida nos últimos anos.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).