Clássicos DPF – A primeira derrota do Brasil nas Eliminatórias

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

Bolívia 2×0 Brasil em 1993.

25 de julho de 1993. Data que entrou para a história do futebol brasileiro. Não, o Brasil não conquistou nenhum título nesse dia. Foi a primeira vez que o time canarinho saiu de campo derrotado, após uma partida das Eliminatórias Sul-Americanas. Apesar dos bons nomes, a seleção vivia uma crise. Após a primeira rodada, Careca pediu dispensa. Romário não era convocado desde o amistoso contra a Alemanha em 92, quando discutiu com Zagallo.

Enfraquecido com suas próprias crises, o time era visto com desconfiança por todos. O empate contra o Equador na estreia ligou o sinal de alerta na CBF. A cobrança era enorme. Parreira era contestado nos quatro cantos do Brasil. O nome mais pedido era o de Telê Santana, que fazia um brilhante trabalho no São Paulo FC, o qual ganhava tudo na época e tinha a base da seleção.

Como Parreira sempre primou pelo pragmatismo, no confronto na altitude de La Paz, o treinador optou por jogar com Cafu na lateral, pelo fôlego – em detrimento de Jorginho. Além disso, não escalou um centroavante de referência. Com isso, o Brasil pouco criou. Na melhor chance, no primeiro tempo, Muller recebeu na entrada da área e bateu forte. A bola passou rente a trave. Já a Bolívia apostou sempre nos chutes de fora da área.

Com os perigosos Erwin Sánchez e Marco Etcheverry, a aposta dos bolivianos era sempre nos chutes de longa distância, que levavam perigo extremo ao gol de Taffarel. No segundo tempo, o Brasil sentiu os efeitos da altitude. Com isso, saíram o apagado Raí para a entrada de Palhinha e o discreto Luis Henrique dando lugar a Jorginho. Então Cafu foi para o meio-campo e o Brasil começou a tomar conta do jogo.

Em um dos contra-ataques, Jorginho fez pênalti infantil em Etcheverry. Na cobrança, Erwin Sánchez encheu o pé e brilhou a estrela do goleiro Taffarel, que defendeu a cobrança. Mas esse seria o último brilho do arqueiro brasileiro na fatídica tarde.

Aos 44 minutos, o time brasileiro partiu com tudo para o ataque. Cafu tentou o passe para Palhinha, mas a zaga interceptou e lançou rapidamente para Etcheverry. Nas costas de Jorginho, o meia foi para cima do zagueiro Válber. Ambos se enrolaram e o camisa 10 da Bolívia chutou para o meio da área. Numa bola fácil, o até então herói Taffarel empurrou com o pé esquerdo a bola para as redes.Na sequência, o Brasil partiu com tudo em busca do empate, mas um minuto depois veio novo contra-ataque pela esquerda. O atacante Peña recebeu, invadiu a área e só tocou na saída do goleiro brasileiro. E ali estava consumada a primeira derrota brasileira em partidas de Eliminatórias.

Mas o pesadelo não acabou ali. Após o jogo, o goleiro reserva Zetti foi sorteado para o exame antidoping. No resultado, apareceram vestígios de Cocaína. Mas o goleiro conseguiu provar inocência, alegando que ele consumiu Chá de Coca, um tradicional chá na Bolívia que minimiza os efeitos da altitude, feito com folhas de Coca.

Com tanta turbulência, o Brasil seguiu aos trancos e barrancos nas Eliminatórias, até a conquista do Tetra. Mas isso é assunto para outras colunas. Em 2013 terá muito mais. Até lá!

Ficha técnica:

Data: 25-07-1993
Competição: Eliminatórias da Copa do Mundo
Local: Estádio Hernan Siles Zuazo
Cidade: La Paz – Bolívia
Árbitro: Juan Escobar (Paraguai)

Bolívia: Trucco; Rimba, Quinteros, Sandy e Borja; Cristaldo, Melgar, Baldivieso, Etcheverry; Sánchez (Castillo) e Ramallo (Peña)
Técnico: Xavier Francisco Azkargorta

 

Brasil: Taffarel; Cafu, Válber, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Luís Henrique (Jorginho), Raí (Palhinha) e Zinho; Bebeto e Müller.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.