A várzea que é a Conmebol

  • por Bráulio Silva
  • 6 Anos atrás

LA VARZEA

Depois de definido o sorteio dos grupos da Libertadores de 2013, uma notícia ganhou corpo nos noticiários esportivos aqui no Brasil. Dirigentes do Bolívar alegam falta de segurança e pediram para a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) alterar o local do jogo de ida entre São Paulo e Bolívar, do Morumbi para outro estádio. Mas, e quando os torcedores do Bolívar atiram objetos nos jogadores, tem segurança?



Aí é que mora o perigo. Jogos organizados pela Conmebol sempre tiveram seus dons de várzea. Seja em confusões, nos atrasos, nas agressões sofridas pelos times, dos sempre reclamados jogos na altitude. Tudo faz parte da aura da competição. “É clima de Libertadores, amigo!”



Quando o Tigre resolveu não retornar para o segundo tempo de uma final de campeonato, abriu um precedente perigoso para a Conmebol. Até agora, duas semanas depois da partida, não houve nenhuma punição. Nem ao São Paulo, que teoricamente é o culpado por agredir jogadores do time argentino, nem ao Tigre, que abandonou o jogo.

Imaginem então como seria se em confusões passadas um time desistisse de voltar a campo. E casos vem aos montes. Sem contar a tradicional e vergonhosa cena quando, ao cobrar escanteio, os jogadores recebem marcação cerrada de policiais com seus escudos.



Brasil x Paraguai, Defensores Del Chaco, 1991. Em jogo válido pelo Pré-Olímpico de Barcelona, o ponta esquerda Elivélton, que era um dos mais promissores jogadores da época, recebeu uma pedrada em campo. Punição? Nenhuma! 

Grêmio x Palmeiras no Estádio Olímpico em 1995. Jogo que certamente ocupará um texto na Futebol Arte Marcial em 2013. Jogadores brigaram ainda no primeiro tempo. Válber, Dinho e Danrlei protagonizaram cenas de luta livre atrás de um dos gols do Olímpico. E o Grêmio ainda teve o auxílio de Leões de Chácara. No final, o jogo acabou 5×0 para o Grêmio.



Lanús x Atlético-MG em 1997 – A final da Copa Conmebol de 97 também foi marcada por uma batalha campal. No jogo de ida, mesmo na Argentina, o Galo venceu o jogo por brilhantes 4×1. No final do confronto, muita pancadaria. O saldo: Um jogador do Galo desmaiado e o técnico Emerson Leão com o rosto desfigurado.



Boca Juniors x Chivas em 2005. Em jogo válido pelas quartas de final da Libertadores, o Chivas ganhou na ida por 4×0. No jogo de volta, o Boca só pensou em dar porrada. Quando o atacante Bofo Bautista foi substituído, teve que sair escoltado pela polícia. Mesmo assim, recebeu uma cusparada na cara do treinador do Boca.



E esses são só alguns casos, mas poderíamos citar outros tantos. Se talvez existisse uma punição por parte da Confederação Sul-Americana lá atrás, certamente o imbróglio entre São Paulo e Tigre jamais teria ocorrido. E pior, quanto mais tempo a Conmebol demorar para tomar suas decisões, mais times tentarão ao máximo tirar proveito da situação. Ou seja, é melhor os mandatários do futebol acordarem, ou teremos cada vez mais as competições esvaziadas. Um pecado, tratando-se da Libertadores da América.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.