Crise no Arsenal

  • por Gregor Vasconcelos
  • 8 Anos atrás

Foto: Getty Images – Arteta e Cazorla se desesperam com o gol sofrido diante do Swansea

Com apenas 21 pontos após 15 jogos, o Arsenal vive seu pior começo de temporada na era Wenger.

Depois de um começo interessante, quando sofreu apenas 2 gols nos primeiros 5 jogos da temporada, mesmo enfrentando partidas difíceis fora de casa, o Arsenal parecia se encaminhar a mais uma boa temporada. O título da Premier League era um sonho muito distante, mas os Gunners eram favoritos para o quarto lugar na Premier League. Agora, a classificação para a principal competição europeia já se tornou tarefa difícil.

A derrota contra o Olympiacos pela última rodada da primeira fase da Liga dos Campeões e o insucesso contra o Swansea City, no último sábado, pela Premier League, podem ter afundado o clube na crise, mas a verdade é que os sinais já vêm se apresentando há muito tempo. Desde a excelente atuação fora de casa contra o West Ham, no dia 20 de outubro, o Arsenal vive fase tenebrosa. São apenas duas vitórias nos últimos oito jogos pela Premier League. Uma vitória no ultimo minuto, após um gol impedido, contra o laterna QPR (que tinha apenas 10 em campo) e outra de goleada contra o Tottenham, um jogo que certamente foi decidido após a expulsão de Emmanuel Adebayor, aos 17 minutos do primeiro tempo.

Nesse período, vimos um Arsenal apático, sendo dominado em casa pelo Schalke, proporcionando uma atuação vergonhosa contra o Manchester United em Old Trafford, sofrendo três gols em casa contra o Fulham (um jogo que terminou empatado mesmo com os Gunners abrindo 2×0). Após o derby contra os Spurs, veio a classificação para as oitavas de final da Champions League e depois muitos esperavam em um ressurgimento do Arsenal no campeonato, mas foi o oposto que aconteceu. Contra o fraco Aston Villa, o Arsenal não se impôs e saiu com o empate por 0x0 graças a uma grande defesa do goleiro Szczesny. Contra o Everton, o empate por 1×1 também foi melhor para os Gunners no contexto do jogo, mas como jogavam fora de casa, contra o bom Everton, não era um resultado preocupante. Eis que veio o Swansea, o primeiro de uma sequência de dois jogos relativamente fáceis em casa. Aí que veio o choque de realidade. Facilmente envolvido, o Arsenal criou pouco e foi merecidamente derrotado. O 2×0 até saiu barato, já que Szczesny fez pelo menos quatro ótimas defesas durante o jogo, que salvaram os Gunners de uma maior humilhação.

É dificil dizer o que há de errado no Arsenal. Falta de talento? Não. É óbvio que o Arsenal se encontra aquém da dupla de Manchester e mesmo do Chelsea, mas é um clube com talento suficiente para vencer os jogos citados e ficar muito acima da atual 10ª colocação na tabela. No campo, uma mistura de cansaço, falta de vontade e criatividade fazem desse Arsenal o mais inofensivo dos últimos tempos. É estranho escrever isso, mas o Arsenal, um clube reconhecido mundialmente pelo seu estilo de futebol bonito, de craques como Henry, Bergkamp, Pires, Fabregas, van Persie, é hoje um time burocrático, sem imaginação, que não excita a torcida, apenas a deixa com sono.

O que aconteceu com Cazorla, provavelmente o principal jogador do campeonato em seus primeiros jogos, que não se mostra sombra do que era? E Podolski, o jogador que rapidamente caiu nas graças da torcida não apenas pela sua qualidade, mas pela disposição, que desparaceu da noite pro dia? O que aconteceu com o Arsenal, que foi a Manchester na 5ª rodada e arrancou um empate contra o City na base da raça nos últimos minutos do jogo?

Pela primeira vez em seus 16 anos como técnico do clube, Arsene Wenger parece não ter respostas para a crise. Depois de finalmente confessar que está tendo dificuldades para encontrar a formação ideal do ataque, Wenger espera ansiosamente o mercado de Janeiro para poder trazer um novo ânimo a uma equipe que parece morta.

Huntelaar e Zaha são os dois nomes mais cotados pelos Gunners e cairiam bem em um time burocrático e inofensivo. Mas se Wenger não conseguir uma solução agora, Janeiro pode ser tarde demais.

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.