Da Série B ao Japão

  • por Caio Araújo
  • 8 Anos atrás

Dia 2 de dezembro de 2007, data em que o Corinthians chegou ao fundo do poço quando o rebaixamento para a Série B foi sacramentado. Na época presidente do clube, Andrés Sanchez, disse que aquela seria a última oportunidade para os rivais tirarem sarro. O que para muitos era apenas um consolo aos corintianos sentidos com a queda, na verdade acabou se mostrando uma profecia.

O primeiro passo para a reestruturação do Timão foi dado dias depois da maior tragédia da história do clube. Mano Menezes era anunciado como o novo técnico. Vindo de uma passagem de sucesso pelo Grêmio, coube ao gaúcho a responsabilidade de subir a equipe para a primeira divisão.

Com muita facilidade, o objetivo foi alcançado. O Corinthians conseguiu voltar à elite do futebol brasileiro faltando seis rodadas para o fim da Série B. O ano só não foi melhor porque o título da Copa do Brasil, no primeiro semestre, escapou contra o Sport na final.

Mesmo tendo conquistado apenas um título de Série B, o corintiano estava com o autoestima elevada novamente. Em dezembro de 2008, Ronaldo era anunciado como o grande reforço para a temporada 2009. Não demorou muito para os resultados aparecerem. No primeiro semestre, o time conseguiu ganhar o Paulistão de forma invicta e a Copa do Brasil, perdida no ano anterior. No Brasileiro sofreu com a venda de alguns jogadores importantes e não passou da décima posição. Porém, o grande sonho da Fiel era a Libertadores, que o time disputaria no ano seguinte, em 2010. A campanha na primeira fase, a melhor entre todas as equipes da competição, dava um pouco mais de esperança ao torcedor. Mas o sonho não durou muito. A eliminação veio logo nas oitavas de final contra o Flamengo. Mesmo frustrada com o resultado, a torcida reconheceu os esforços dos jogadores e não deixou de abraçar o time, que conseguiu novamente uma vaga na competição continental, depois de um terceiro lugar no Brasileiro.

Começa 2011, mas ninguém esperava que a participação do Corinthians na Libertadores não chegaria nem na fase de grupos. O time foi eliminado na Pré-Libertadores, após empatar sem gols o primeiro jogo contra o Tolima e perder o segundo por 2 a 0. Ronaldo decidira se aposentar após o fiasco. E Tite, que assumiu durante o Brasileiro de 2010, sofria muita pressão da torcida para deixar o comando técnico. Mas, em uma decisão iluminada, Andrés Sanchez mantém o treinador. Meses depois, os frutos começam a ser colhidos com a conquista do título do Campeonato Brasileiro.

Em 2012, o Corinthians tinha novamente a chance de conseguir o inédito título da Libertadores. Diferentemente de outros anos, o time de 2012 não tinha estrelas. Era um grupo de operários, que juntos já tinham conseguido o Penta do Brasileiro. Com a manutenção do elenco campeão nacional, o sonho se realizava de forma incontestável. Sem perder para ninguém e sofrendo apenas 4 gols em 14 jogos, o Timão finalmente conquistava a América e a chance de chegar ao topo do mundo no Mundial de Clubes da FIFA no Japão.

Do elenco que conquistou a Libertadores e que jogará o Mundial, apenas dois titulares passaram pelo inferno da Série B: Chicão e Alessandro, e caberá ao lateral direito a honra de ser o capitão do time e a possibilidade de erguer a taça de campeão do mundo, sendo o principal representante dessa superação e volta por cima do Corinthians.

Se o rebaixamento serve mesmo para despertar um clube, não há exemplo melhor que o Corinthians.

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