Dicionário DPF: Líbero

  • por Thiago Menezes
  • 6 Anos atrás

O líbero provavelmente é a posição tática mais complexa dentre todas as outras. E provavelmente por tal complexidade, é muito comum as pessoas – muitas vezes até treinadores – não saberem explicar exatamente a sua real função.

Líbero, em italiano, significa “livre”. Muito diferente do que muitos pensam, o líbero não é apenas um terceiro zagueiro, que joga centralizado, na sobra.

O Kaiser é o maior líbero de todos os tempos

O Kaiser é o maior líbero de todos os tempos

O MAIOR DOS LÍBEROS: KAISER

Franz Beckenbauer, o maior líbero da história do futebol, foi o grande exemplo do que um jogador pode fazer nesta posição. Na Alemanha de 74, jogava atrás de uma linha de 3 defensores, composta por Vogts, Schwarzenbeck e Breitner.

O Kaiser, como era conhecido, era um defensor quando o time estava sem a posse de bola. Com ela, se tornava um autêntico meia. Tinha a liberdade de avançar, ocupando todos os espaços do meio-campo, tanto na volância quanto como meia-armador, auxiliando a dupla Hoeness e Overath na construção das jogadas e até nas finalizações.

Apesar de ser uma tarefa muito desgastante, Beckenbauer a exerceu com maestria e foi o grande destaque alemão daquele que foi o segundo título germânico em Copas.

Baresi foi um líbero com características mais defensivas

Baresi foi um líbero com características mais defensivas

ITALIANOS REINVENTAM A POSIÇÃO

Lenda da Juventus, Scirea foi outro jogador que executou a função de líbero de maneira excelente, conquistando a Copa de 82. O italiano se destacava mais por sua força defensiva. Porém, obtinha ótima qualidade na saída de bola.

Pouco depois, no Milan, outra lenda começava a ganhar destaque. Franco Baresi é tido por muitos como um dos maiores defensores da história do futebol. Jogando atrás de uma linha de quatro defensores, composta por Tassotti, Galli, Costacurta e Maldini, o eterno camisa 6 do Milan se destacava muito mais pela parte defensiva, apesar de ter qualidade com a bola nos pés. Não armava o jogo como Beckenbauer, mas sua presença defensiva mais firme liberava os alas para avançarem com mais facilidade.

Mauro Galvão foi líbero na Copa de 90

Mauro Galvão foi líbero na Copa de 90

NA TERRA DA RAINHA E NA TERRA DO SAMBA

O sucesso dos italianos fizeram com que o líbero virasse febre nos anos 90. Entretanto, poucos tiveram êxito. A Inglaterra da Copa de 90 mudou o tradicional esquema 4-4-2 para o 3-5-2, colocando Mark Wright para desempenhar a função. Deu certo, pois os ingleses caíram apenas nas semifinais, nos pênaltis.

O Brasil também usou três zagueiros na Copa de 90, quando o técnico Sebastião Lazaroni usou Mauro Galvão como líbero. Mas não funcionou tão bem quanto esperado. Depois desta experiência, criou-se a ideia no Brasil de que o líbero é um zagueiro a mais, pois em vários clubes começaram a implantar três defensores fixos, chamando o central deles erroneamente de líbero.

Matthäus - Líbero à moda clássica no final da carreira

Matthäus – Líbero à moda clássica no final da carreira

MATTHÄUS E SAMMER: LÍBEROS ORIGINAIS

Na metade dos anos 90, um líbero teve um destaque gigantesco no futebol europeu: Mathias Sammer era o dono da bola, tanto na seleção quanto no Borussia Dortmund (campeão europeu em 96 pela Alemanha e em 97 pelo Dortmund). Executando a função como nas origens com Beckenbauer, Sammer corria todo o campo, era um zagueiro de imensa qualidade, finalizava tão bem quanto e armava o jogo com eficiência. Ganhou a Bola de Ouro em 1996.

Praticamente ao mesmo tempo, Matthäus, então um dos melhores meias armadores do mundo, voltava ao Bayern de Munique e foi reinventado para jogar de líbero. Não decepcionou. Misturando sua qualidade na armação com seu talento nos desarmes, Matthäus voltou a jogar em altíssimo nível após um grande período de lesões e foi finalista da Liga dos Campeões jogando assim, em 1999.

DIAS ATUAIS

Hoje em dia, muitos vêem a função de líbero apenas como um zagueiro central, na sobra, mais parecido com o que foi Baresi (porém, sem a qualidade do italiano). Poucas vezes vimos um real líbero. Talvez quem tenha chegado mais perto disso foi Alessandro Nesta na Itália de 2002 a 2004, e Sergio Busquets no Barcelona, muitas vezes escalado mais recuado do que um volante tradicional.

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Morador do Rio de Janeiro, designer, torcedor do Manchester United e Flamengo, faz parte da editoria de arte da "Doentes por Futebol". Fã incondicional de Lionel Messi, e ainda de Zinedine Zidane, David Beckham, Dejan Petkovic e Ronaldo.