Dicionário DPF: O Falso Nove

  • por Thiago Menezes
  • 8 Anos atrás

 

Dinamite, Fábregas, Tostão e Messi – Falsos 9 do passado e do presente

O FALSO NOVE

Nossa coluna hoje vai falar sobre uma posição que está na moda no futebol moderno. Poucos sabem que já foi utilizada algumas vezes no passado, mas o “falso nove” nunca foi tão popular quanto hoje em dia, muito graças ao Barcelona que faz história a alguns anos.

BARCELONA

– Ainda nos tempos onde Samuel Eto’o era o camisa 9, centroavante típico e goleador do time catalão, foi notada uma troca de posição constante dele tanto com Ronaldinho – que atuava pela esquerda do ataque – ou com Messi, que jogava pela direita. O trio enlouquecia defesas, mas poucos notaram que Messi, já um dos melhores jogadores do planeta jogando na ponta direita, estariam encontrando sua melhor posição em campo.

– Com a chegada de Pep Guardiola no comando, Messi começou a jogar mais vezes centralizado no ataque. Com a incrível capacidade de finalização do melhor jogador do mundo, o lado direito parecia limitar o seu futebol. O argentino então passaria a jogar centralizado, mas longe de ficar parado na área como a maioria dos centroavantes. Podendo cair por ambos os lados e voltar para receber a bola como um meia-atacante, passou a receber muito mais a bola e se tornou muito mais difícil de ser marcado, já que há uma movimentação constante do jogador pelo campo.

– Esta movimentação e a falta de um centroavante típico no Barcelona acabou dando muito certo. Messi formou junto com Pedro e Villa um ataque impressionante, onde o argentino além de marcar uma quantidade absurda de gols, ainda criava muitas oportunidades para seus companheiros que chegavam em diagonal para finalização.

PASSADO

– Há quem pense que o “falso nove” surgiu atualmente. Há muito tempo essa posição foi utilizada, porém nunca foi tão popular. No Brasil, Tostão foi um “falso nove” na Seleção Brasileira de 70, onde Pelé jogava mais recuado, com Rivelino e Jairzinho pelas pontas; O Vasco do final da década de 80 tinha Roberto Dinamite sendo um “falso nove”, atuando com mais liberdade, enquanto Romário e Mauricinho atuavam pelas pontas.

– Já por um passado não muito distante, vale lembrar da Roma de Luciano Spalletti, em meados dos anos 2000. O treinador apostou numa equipe que tinha Mancini, Perrotta e Taddei formando uma linha de três atrás de Totti, único atacante. Sim, atacante! O “Capitano” da Roma, que sempre jogou no meio-campo, foi adiantado e fez a função de “falso nove”, conseguindo muito sucesso. A Roma encantava por seu futebol ofensivo, mas não conquistou nada além da Coppa Italia.

FUTURO

– Recentemente o Brasil de Mano Menezes procurou fazer de Neymar este tipo de referência. E parece ser interessante a adaptação do talentoso jogador nesta posição, visto que prendê-lo na ponta esquerda parece limitar mais o seu futebol do que jogando centralizado, onde pode receber a bola um maior número de vezes, participar mais do jogo.

– Neste ano ainda vimos a Espanha improvisar Fábregas na função – ele já havia a feito em algumas partidas pelo Barcelona – e deu certo na Eurocopa de 2012. Outro que conseguiu render bem na função, também pela Espanha, foi David Silva, que alinha seu talento nos dribles e capacidade de criação, com uma movimentação constante no ataque da Fúria.

RESUMINDO

– No final das contas, o “falso nove” é jogador que ocupa o espaço tático que deveria ser do centroavante típico, porém com liberdade de ocupar vários espaços do campo, não se limitando a um dos lados e nem jogando recuado com outro jogador a sua frente.

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Morador do Rio de Janeiro, designer, torcedor do Manchester United e Flamengo, faz parte da editoria de arte da "Doentes por Futebol". Fã incondicional de Lionel Messi, e ainda de Zinedine Zidane, David Beckham, Dejan Petkovic e Ronaldo.