Do céu ao inferno: o gigante não acordou

  • por Helena Cristina de Oliveira
  • 8 Anos atrás

 

 

“O gigante não está mais adormecido”. Era essa a frase que ecoava no sentimento dos torcedores palmeirenses em 11 de julho deste ano, quando finalmente conseguiram conquistar um título nacional (e quem diria, invicto!) após tantos anos e de quebra ainda “levantou” a taça de maior campeão nacional, com 11 títulos conquistados. Era essa a frase que os palmeirenses queriam acreditar. A Copa do Brasil foi um título conquistado na raça, mas a verdade é que ainda assim não apagou a desconfiança da torcida com o atual elenco. Muito menos com a diretoria. Principalmente pela posição desconfortável que o time já se encontrava no Brasileirão. E assim o Palmeiras foi… Do céu ao inferno. 10 anos após o primeiro rebaixamento, a torcida amarga mais um. Ainda que não tenha sido doído como o primeiro.

O pensamento agora é somente um: reformulação. Como disputar uma Libertadores e uma Série B no mesmo ano? A resposta para muitos parece automática: “dois times, um para a Libertadores com ‘os caras’, um para a Série B com a molecada da base. Vamos dar uma chance para eles”. Sim, a molecada da base merece uma chance. Aliás, esse sempre foi um erro do Palmeiras: não investir na base. Mas jogar a responsabilidade de voltar à elite nacional em garotos? Não é fácil fazer com que um bom jogador aceite jogar a Série B. Mas montar dois times pode levar o clube a outro fracasso.

Os zagueiros Román, Thiago Heleno e Wellington, os laterais Artur e Leandro, os volantes Correa e João Vitor, o meia Daniel Carvalho e os atacantes Betinho e Obina não fazem mais parte do clube. O que temos para hoje?

O elenco atual

O goleiro Bruno gerou desconfiança na torcida durante o ano. A verdade é que a torcida espera um novo São Marcos. Bruno viveu bons e péssimos momentos e teve o azar de lidar com uma zaga insegura e inconstante. Uma nova chance para o goleiro que foi eleito o melhor goleiro da Copa do Brasil deste ano é válida. Deola volta após empréstimo ao Vitória. Essa semana, porém, o Palmeiras anunciou sua nova contratação, Fernando Prass, ex-Vasco. A contratação do goleiro agradou a torcida palmeirense, que deve ser o titular na próxima temporada.

É difícil achar um bom lateral atualmente. Principalmente que não deixe uma avenida Brasil em campo. O clube conta hoje praticamente com Fernandinho, que sofreu uma grave lesão, mas parece ter visão de jogo; Juninho, que teve bons momentos, mas que hoje a torcida quer longe; e o novo reforço, Ayrton, do Coritiba.

Na zaga, o Palmeiras conta hoje com Henrique, que tem a aprovação da torcida e Maurício Ramos. Este último sempre mostrou comprometimento e respeito com o clube. É aquele cara que o time pode tomar de 15×0 que ele ainda assim dará sua cara a tapa. Mas nos últimos jogos, com a falta de técnica e muito azar, cometeu erros grosseiros e, por isso, talvez fosse melhor tomar novos ares.

Em 2012, incrivelmente o melhor volante foi na verdade um zagueiro: Henrique. Surpreendeu a todos nessa posição e trouxe um alívio, pois ninguém mais tolerava Márcio Araújo. O Palmeiras ainda conta com Wesley, bom jogador, mas que pouco atuou e por isso precisa mostrar a que veio agora; Wendel e Souza, que voltam de empréstimos; João Denoni, uma das promessas da base; e Marcos Assunção, o rei das bolas paradas, aquele que faz as torcidas adversárias tremerem em uma cobrança de falta. Mas que precisa ir além disso.

Entre os meias, o Palmeiras pode contar somente com os garotos Patrick Vieira e Bruno Dybal, ambos da base e que também são promessas. E Tiago Real, que fez bons jogos e merece uma chance. Valdívia, que nunca foi craque, nem ídolo, e não passa de um bom jogador, poderia recolher suas chuteiras e sair. Causou mais cansaço e frustrações que alegrias. E decepção para 2013 a torcida palmeirense já está chegando com a bagagem cheia dela.

No ataque, só Barcos salva e dispensa comentários. Luan tem raça, vontade e esforço admiráveis. Se jogasse bola teria todo o portfólio para ser ídolo. Se. Mesmo com o melhor jogador do time nele, o ataque é o setor mais deficiente atualmente. O Palmeiras precisa se recompor. Dispensar mais jogadores que não ajudarão o time. E trazer peças-chave, pois todos os setores precisam de novas caras, com novo gás, com comprometimento. E que tenham nascido para jogar bola.

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Jornalista. Interessou-se pela área graças ao seu time do coração, o Palmeiras. Foi finalista do 5º Prêmio Santander Jovem Jornalista em 2010, quando ainda era estudante. Com 25 anos, atualmente trabalha na Comunicação & Marketing do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), em São Paulo. Viu na Doentes por Futebol uma oportunidade de fazer parte do jornalismo esportivo, que é um sonho e um segmento em que acredita que pode ter mais valor para a sociedade.