Flamengo Campeão Brasileiro de 1987

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo; Andrade, Aílton, Zico; Zinho, Renato Gaúcho, Bebeto.

A escalação acima está na ponta da língua de milhares de Rubro-Negros e de outros tantos torcedores de outros times. Dos 11 considerados titulares, 9 jogaram Copas do Mundo. A saber: Zé Carlos (1990), Jorginho (1990, 1994), Leandro (1982), Edinho (1978, 1982, 1986), Leonardo (1994, 1998), Zinho (1994), Bebeto (1990, 1994, 1998) e Renato Gaúcho (1990). Apenas Andrade e Aílton não envergaram a camisa da Seleção em uma Copa do Mundo.

 

De pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo, Jorginho Agachados: Bebeto, Aílton, Renato Gaúcho, Zico, Zinho

Era um timaço, mas que só deu liga “no tranco”. A estreia foi contra o São Paulo, no Maracanã. O Flamengo perdeu por 2×0, 2 gols de Muller. No jogo seguinte, o Flamengo venceu o Vasco por 2×1, com gols de Bebeto e Zico. Foi a primeira vez que a formação jogou junta. O mesmo time empatou com o Santos, mas foi presa fácil para o Inter com os desfalques da dupla de zaga titular e de Bebeto: 2×0 para os colorados.

 

Flamengo 2×1 Vasco

 

No Fla x Flu, o Flamengo teve a volta de Bebeto, mas continuou sem Leandro e Edinho, além da ausência de Zico. O resultado não poderia ser outro se não uma derrota. Na reta final, o Flamengo venceu o Coritiba, empatou com Goiás e Cruzeiro e terminou em sexto lugar no Grupo A no primeiro turno.

 

No segundo turno, o Flamengo começou vencendo o Botafogo por 1×0, empatou com o Grêmio e perdeu para o Atlético-MG. Mas o time ganhou corpo nos quatro jogos restantes. Após vitórias contra Palmeiras, Bahia e Santa Cruz e um empate contra o Corinthians, a equipe de Carlinhos conseguiu classificação para a semifinal. O adversário seria o Atlético Mineiro, ainda invicto na competição.

 

Zico dá show e faz 3 contra o Santa Cruz.

A semifinal contra o Atlético Mineiro – O jogo de ida

No primeiro jogo, disputado no Maracanã, o Flamengo entrou em campo com o que tinha de melhor, a escalação perfeita. Mas o Atlético-MG era um time muito bem treinado por Telê e sufocou o Flamengo na maior parte do jogo. Faltando pouco mais de 10 minutos para o fim, o Flamengo encaixou uma troca de passes no ataque e Zico descobriu Bebeto, que conseguiu chegar antes da zaga atleticana e do goleiro João Leite para dar números finais ao placar: Flamengo 1×0 Atlético-MG

Flamengo 1×0 Atlético MG – Bebeto

 

A volta

Um Mineirão lotado recebeu o jogo da volta pela semifinal. Precisando vencer, o Galo saiu para cima do Flamengo e sufocou o time Rubro-Negro no começo do jogo, criando algumas chances. Mas pouco antes da metade do primeiro tempo, o primeiro golpe: Zico abriu bola na direita para Bebeto e correu para a área. O baiano ganhou no corpo de um adversário e cruzou na cabeça do Galinho. Atlético-MG 0x1 Flamengo.

O Atlético saiu ainda mais, cedendo grandes espaços para o contra-ataque flamenguista. Até que Renato Gaúcho foi lançado em profundidade e cruzou para Bebeto. A zaga atleticana falhou no corte e a bola sobrou limpa para o camisa 9 da Gávea: 2×0 Flamengo, ainda no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, ânimos exaltados, entradas violentas e o Flamengo desperdiçava várias chances de ampliar o placar. A arbitragem marca uma penalidade para o Galo. Chiquinho cobra com violência e diminui para o clube de Minas. 

Quatro minutos depois, Sérgio Araújo faz grande jogada, se livra de 2 marcadores e bate no cantinho para empatar o jogo. O Mineirão ferve e o Atlético-MG pressiona, mas Aílton intercepta uma tentativa de passe atleticano e a bola sobra limpa para Renato Gaúcho, que arranca por quase metade do campo, se livra da tentativa de falta do zagueiro, tira João Leite da jogada e empurra para o gol vazio. Era o gol da vitória Rubro-Negra e da vingança de Renato, que 1 ano antes tinha ficado de fora da Copa do Mundo do México, cortado por Telê Santana. O Flamengo estava na final.

 

Atlético MG 2×3 Flamengo

 

 

A Final contra o Internacional

O jogo de ida


O Flamengo viajou a Porto Alegre para enfrentar o time do Internacional, que tinha eliminado o Cruzeiro. No começo da partida, o Inter sufocou o Flamengo, colocando Zé Carlos para trabalhar. Mas aos 30 minutos, Renato Gaúcho se livrou de 2 marcadores, foi ao fundo e cruzou na cabeça de Bebeto, que não deu chances para Taffarel e abriu o placar. Na comemoração, Renato Gaúcho – um eterno gremista – saiu fazendo gestos de silêncio para a torcida colorada.

Dois minutos mais tarde, o Inter chegou ao empate. Amarildo apanhou uma sobra na pequena área, girou e bateu com firmeza, sem chances para Zé Carlos. O empate sofrido acordou o Flamengo, que criou algumas chances, mas nada de muito claro no restante do primeiro tempo.

Na volta para o segundo tempo, o Inter precisava sair para o jogo e foi o que tentou fazer. Mas era um time de claras limitações técnicas do meio para frente e pouco fez para chegar ao segundo gol. Satisfeito com o resultado, o Flamengo também não saía, evitando contra-ataques que pegassem sua lenta defesa desmontada. Mesmo assim, a melhor chance foi do Rubro-Negro da Gávea, que acertou uma bola no travessão. O jogo terminou 1×1 e ficou tudo para o Rio.

 

Internacional 1×1 Flamengo

O jogo da volta

13 de Dezembro de 1987. Amanheceu chovendo no Rio de Janeiro. Conforme passava o dia, o temporal não dava trégua. O Flamengo procurou o Internacional, propondo o adiamento do jogo e alegando que a torcida teria dificuldade para chegar ao estádio caso continuasse a chover naquela intensidade. O Internacional, um time mais pesado e de jogo físico, não aceitou o argumento Rubro-Negro e a partida foi mantida.


Surpreendendo os jogadores, a torcida compareceu debaixo do dilúvio. As ruas ao redor do Maracanã já estavam tomadas de torcedores do Flamengo bem antes do jogo. Talvez como prêmio pela perseverança da torcida, a chuva parou e mais de 90 mil Rubro-Negros compareceram ao Maracanã para empurrar o time rumo ao título. 

O jogo começa truncado devido ao pesado gramado. A cena mais marcante dos primeiros 15 minutos acontece quando Renato Gaúcho tira um urubu de dentro do campo. O animal foi solto pela torcida do Flamengo, mas não conseguiu voar e caiu novamente. O jogo foi interrompido e Renato tirou o animal carinhosamente, entregando para membros da comissão técnica do Rubro-Negro.

Pouco depois dos 15 minutos de jogo, o Flamengo costurou uma jogada de ataque e Andrade achou Bebeto. O baiano chegou antes da zaga e de Taffarel, cutucando para o fundo do gol. 1 a 0 para o Flamengo e festa no Maracanã.

Só deu Flamengo no restante do primeiro tempo. Com Andrade e Zico soberanos no meio campo, o Flamengo colocou o Internacional na roda em vários lances, só restando aos colorados apelar para as faltas. Era uma tática perigosa com Zico do outro lado, mas o Galinho não estava com o pé calibrado e não balançou as redes.

Na volta do intervalo, o Flamengo continuou sobrando em campo, criando várias oportunidades. Entretanto, não ampliou o placar. Restava ao Internacional apenas uma ou outra joga de bola aérea.

Aos 30 minutos, Carlinhos tirou Zico de campo e o Galo foi ovacionado. Era o quarto título Brasileiro dele pelo Flamengo e esse tinha sabor especial, por tudo que aconteceu nos 2 anos anteriores. Foi o último campeonato que Zico jogou um bom número de jogos.

O Flamengo era tetracampeão Brasileiro, recorde que foi ampliado pelo próprio Flamengo em 92 e que só foi quebrado pelo São Paulo em 2008.

Flamengo 1×0 Internacional

Zico e Zinho

 

 

Zé Carlos carrega a taça.

 

Bebeto chega antes de Taffarel e marca o gol do Flamengo

 

Capa da Placar, lançada 1 dia após o título.

 

Jornais mostrando o Flamengo como Campeão.

 

 

Obs: Não é intenção do autor voltar à esgotada e maçante discussão envolvendo CBF, Flamengo e Sport. Até porque, no dia 13 de Dezembro de 1987, o Brasil todo considerou o Flamengo tetracampeão Brasileiro daquele ano.

 

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.