Godfrey “Ucar” Chitalu: uma lenda Africana!

  • por Rogério Bibiano
  • 6 Anos atrás

“Ucar” Chitalu em ação pela Seleção de Zâmbia.
Foto: zambianfootball.com

Mama África na área, para falar de um personagem da história futebolística do continente africano, que nesta semana ficou conhecido e teve seu nome mencionado graças a uma ação da Associação de Futebol de Zâmbia trazendo à tona a informação que o recorde de gols em um ano (que pertencia a Gerd Müller em 1972 e agora foi superado pelo argentino Lionel Messi), não seria de nenhum desses dois mitos. Mas sim de Godfrey “Ucar” Chitalu.

Polêmicas e brincadeiras à parte, muitos fãs pelo mundo perguntam-se se haveriam condições de realmente tal informação ser verídica e os motivos pelo qual a mesma nunca ter sido mencionada anteriormente. O fato é que Chitalu, nascido em Luashya-ZAM no dia 22/10/1947, está para o futebol africano na década de 70 em um patamar acima de toda essa polêmica e dos seus supostos 107 gols em 1972, transformando-se em uma lenda no continente e no seu país sem nenhum exagero.

Chitalu iniciou sua carreira no Roan United em meados da década de 60. Em 1967, Chitalu transferiu-se para o Kitwe United e, na temporada de 1968, Chitalu teria marcado incríveis 81 gols. Dono de uma forte personalidade e com um temperamento explosivo, Chitalu passou metade da temporada de 1969 suspenso por problemas disciplinares, voltando a atuar em 1970 no Kabwe Warriors, que bancou uma das transações mais caras da história do futebol de Zâmbia apostando no “Ucar” em baixa no cenário futebolístico.

No Kabwe Warriors, Chitalu transformou-se em um dos maiores jogadores do país, conquistando o prêmio de “Jogador do Ano” em 1971. Em 1972, Chitalu marcou os famosos e polêmicos 107 gols. Neste caso, é interessante ressaltar que em momento algum devemos duvidar da veracidade de tal façanha, mas é mais importante ainda imaginar o cenário de Zâmbia como país africano no começo da década de 70, com imensas dificuldades, especialmente no que diz respeito ao registro e documentação de fatos como o que segue em discussão.

O apelido “Ucar” é uma analogia com uma bateria (pilha) e foi dado pelo radialista Dennis Liwewe, que afirmou ao longo de uma transmissão que Chitalu estava “super carregado como uma bateria Ucar”. O apelido caiu no gosto do torcedor e também do próprio Godfrey Chitalu, que adotou o mesmo.

Pela Seleção de Zâmbia, Chitalu jogou de 1968 até 1980 e, segundo registros, marcou 76 gols. Participou da Copa Africana das Nações em 1972, quando Zâmbia foi vice-campeã. A personalidade forte e de liderança trouxeram problemas disciplinares com treinadores. Em uma dessas brigas com o técnico Ante Buselic, foi preterido em diversos jogos pela Seleção e em muitos momentos foi convocado por pressão dos torcedores e dos militares de Zâmbia. Jogou em 1980 os Jogos Olímpicos de Moscou.

Chitalu foi o primeiro jogador a conquistar o prêmio de Jogador do Ano da África por duas vezes seguidas (1978 e 1979). Participou de inúmeras campanhas em eliminatórias para Copa do Mundo. 
Apaixonado pelo Kabwe Warriors, Chitalu aposentou-se em 1982 e tornou-se em 1984 o treinador do seu clube de coração, ficando até 1991 no clube, ganhando o prêmio de “Treinador do Ano”. Em 1988, era assistente técnico da Seleção de Zâmbia, que surpreendeu a todos nos Jogos Olímpicos de Seul.

ChitaluAtacante de muita velocidade e ótima finalização, Chitalu era considerado um treinador disciplinador e que tinha nas suas equipes o ataque como ponto forte. Em 1993, assumiu a Seleção principal de Zâmbia e prometeu um esquema de jogo que iria trazer alegria para os torcedores do país. A promessa foi cumprida, com a equipe fazendo ótimos jogos e com o palpável sonho de rumar para a Copa do Mundo de 1994. Mas todos estes sonhos ficaram no Oceano Atlântico no dia 28/04/1993, quando o avião que levava Zâmbia em um jogo pelas Eliminatórias da Copa caiu na baía de Libreville-GAB, matando todos que estavam a bordo.

Godfrey “Ucar” Chitalu é “matéria obrigatória” em Zâmbia porque foi um grande jogador e treinador. Amou o futebol como um todo. Por conta disso, tornou-se uma lenda. Contestar o número de gols é pouco quando se gosta de futebol como “Ucar” Chitalu. Procurou ver o futebol na paixão da arquibancada lotada, no gramado em algum momento esburacado. Chitalu tornou-se um ídolo para quem o viu jogar ou para quem ouviu parte de suas histórias nos campos da África e do seu país, Zâmbia. Por isto, Godfrey “Ucar” Chitalu é uma maravilhosa lenda da bola.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.