Jean Chera e as eternas promessas do futebol

  • por Lucas Sartorelli
  • 8 Anos atrás
Foto: reprodução

Chera, a estrela que ainda não brilhou / Foto: Reprodução

O futebol é um esporte onde as disputas acontecem dentro de campo e mais ainda fora dele. Muitos jovens se aventuram no sonho de se tornarem jogadores profissionais e mais do que isso, conquistarem fama, reconhecimento, prestígio e todas as regalias que os grandes astros do esporte têm.

A grande maioria fica para trás logo de início, nas tantas peneiras existentes pelo mundo. Outros têm algum destaque e conseguem adentrar ao profissionalismo, porém sem tanto brilho na carreira. Outros, poucos, alçam vôos maiores e demonstram a princípio que nasceram para o esporte mais popular do mundo, enchendo olhos de empresários e fazendo o mundo das propostas e cifras milionárias projetar-se prematuramente diante do universo em que viviam até então. E aí surgem especulações, assédio da imprensa, contratos, mimos, parcerias, transferências para o exterior e tudo que uma grande promessa do futebol atrai.

No entanto, com a mesma rapidez que oferece fama, dinheiro e glamour, o futebol pode tirar, ceifando sonhos, frustrando os envolvidos e trazendo o jogador de volta à dura realidade dos milhares de atletas comuns espalhados pelo mundo e ainda com um castigo a mais: deixando o atleta a mercê da infindável alcunha de “eterna promessa”.

Jean Chera parece cada vez mais seguir para este temido caminho. Apontado por muitos como o novo Neymar assim que despontou nas categorias de base do Santos, o garoto, hoje com 17 anos, não vem atraindo mais tanta atenção como de início e ainda tem gerado insatisfações nos clubes por onde passa, muito em questão de seu pai e suas polêmicas. Após anos treinando na Vila Belmiro, Jean deixou o Santos por não chegar a um acordo com o clube, que pretendia pagar-lhe menos do que o valor irreal exigido por seu pai, que também atua como empresário do jovem atleta.

Rumo à Itália, o meia teve rápida passagem pelo Genoa e voltou ao Brasil após alegar não ter se adaptado à vida na Europa. No Flamengo, a grande reclamação do pai do jogador é sobre o tempo que ele está sem jogar. Celso Chera diz ser um absurdo que seu filho fique fora até mesmo do banco de reservas e o jogador alega atraso de salários. O Flamengo nega e justifica as ausências de Jean pelo seu baixíssimo rendimento técnico. A questão é que, enquanto Chera não mostrar todo o futebol que o levou à fama, não vai haver acordo com clube algum.


Separamos casos de jogadores que foram tidos como grandes promessas do futebol, mas não atingiram todas as expectativas geradas:

Kerlon – Com apenas 18 anos, foi o destaque das categorias de base do Cruzeiro e foi apelidado de Foquinha, por ter inventado o “drible da foca”. Convocado diversas vezes para seleções de base, chegou à Inter de Milão e hoje, com apenas 24 anos, atua na 3ª Divisão do Japão, sem muito brilho.

Kerlon

Kerlon em ação pelo Cruzeiro / Foto: Arquivo Lance!

Lenny – Despontou no Fluminense em 2006, com um futebol ousado e atrevido, com o prenúncio de um futuro promissor. Em pouco tempo, caiu de rendimento e seguiu para o Braga-POR, onde atuou poucas vezes. Retornou para o Brasil, onde sempre na reserva foi irregular no Palmeiras. Em 2012, disputou o Campeonato Carioca pelo Boavista e atualmente está sem clube.

Freddy Adu – Nascido em Gana e naturalizado americano, Adu é um daqueles jogadores que todo mundo já ouviu falar, mas nunca viu muito do futebol que justificasse sua ampla fama. Revelado muito jovem, foi cobiçado por Real Madrid e outros gigantes europeus até que ao completar 18 anos, seguiu para o Benfica. Emprestado sucessivamente para Mônaco-FRA, Belenenses-POR, Aris Salonica-GRE e Rizespor-TUR, não conseguiu convencer. Falta de adaptação ao futebol europeu? Talvez. Retornou aos EUA e segue atuando na Major League Soccer.

Howard C. Smith/isiphotos.com

Freddy Adu / Foto: Jonathan Daniel/Getty Images

Lulinha – Habilidoso, artilheiro das categorias de base de Corinthians e Seleção Brasileira, o atacante ostentava um currículo de peso antes mesmo de estrear pelo profissional. Tudo isso fez com que o Timão estipulasse uma multa rescisória milionária pela promessa. Mas ele levou 28 jogos e duas temporadas para balançar as redes pela primeira vez no time principal, foi jogar na 2ª Divisão Portuguesa e hoje está emprestado ao Bahia.

Zezinho – Ele já teve multa rescisória de 40 milhões de reais, se sagrou campeão sul-americano pela Seleção Brasileira Sub-17, foi cobiçado por clubes europeus e era a maior revelação do Juventude nos últimos anos. Chegou a ficar 15 dias no centro de treinamentos do Arsenal, da Inglaterra. Mas a principal joia do neblinoso Alfredo Jaconi escolheu o Santos de Neymar para deslanchar de vez, o que acabou não acontecendo. Após passagem pelo Bahia, atualmente tenta recuperar a notoriedade no Atlético/PR.

Yoann Gourcuff – “Pequeno Zidane”. Assim o meia francês cresceu sendo, exageradamente, chamado. Enquanto fardava a camisa 10 do Rennes-FRA, clube onde foi revelado, dava mostras de que seria um grande jogador para uma Seleção Francesa tão carente desde que o verdadeiro Zizou se aposentou. Valorizado, assinou com o Milan e, durante 3 temporadas, apesar de títulos, não se encontrou. De volta à França, ajudou o Bordeaux e foi fundamental na conquista de um importante Campeonato Francês, voltando a mostrar todo o futebol que um dia o colocou em evidência. Em seguida, foi para o Lyon por uma quantia de 22 milhões de euros, alternou bons e maus momentos e teve de assistir sua Seleção na Eurocopa 2012 sentado no sofá de sua casa. Meses depois, voltou a ser convocado, mas vive lesionado e tem atuado pouco pelo clube ultimamente. Zinedine necessita de um aprendiz mais regular.

gorcuYoann Gourcuff / Foto: Reprodução

Celsinho – A última grande promessa da Portuguesa surgiu em 2005 com 16 anos distribuindo um belo repertório de dribles e passes precisos e carregando nas costas as pressões de uma comparação (técnica e física) com Ronaldinho Gaúcho. Mas quando o talento ajudava, o forte temperamento atrapalhava e assim ele também acumulou muitos cartões e grande descontentamento da torcida lusitana. Após passagens fracassadas por Lokomotiv Moscou-RUS, Sporting-POR e Estrela da Amadora-POR, retornou à Portuguesa e hoje é a “estrela” do Londrina para o Campeonato Paranaense de 2013.

Tiago Luís – Mais um com status de astro das categorias de base do Santos, chegou a ser comparado com Messi, sendo capa de jornal espanhol por um possível interesse do Real Madrid em seu futebol. Renovou com o Santos e um ano depois, após algumas chances não aproveitadas no time principal, foi emprestado para o União Leiria-POR para adquirir experiência. Sua multa rescisória até então estava estipulada em 30 milhões de euros. Uma passagem apagada o fez retornar à Vila no ano seguinte e, não aproveitado, foi seguidamente emprestado, para Ponte Preta, XV de Piracicaba e finalmente, Bragantino, onde amargou a reserva na campanha da série B deste ano.

Foto: Marca

Foto: Marca

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.