Lá como cá – O péssimo nível da arbitragem na Itália

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás

O péssimo nível da arbitragem na Itália. Não é só no Brasil que as coisas vão mal

 Antes de tudo, para falarmos de arbitragem e Itália, precisamos dizer que os italianos adoram discutir em suas mesas redondas os erros dos árbitros e as polêmicas da rodada. Fato muito parecido com o que vimos aqui no Brasil. Essa fixação por lá também se explica por fatores históricos que ocorreram no país. Contaremos um pouco agora.

Nos anos 90 e início do ano 2000, era comum apontarmos para a arbitragem italiana como uma das melhores ou a melhor do futebol mundial. O país era referência no quesito e tinha em um nome seu maior expoente. Quem não se lembra de um certo árbitro careca, simpático e com olhos esbugalhados? Pierluigi Collina marcou tanto que era facilmente identificado até pelos populares. É reconhecido até hoje como o melhor árbitro do mundo.

Foto: dhistoryofthesoccerr.blogspot.com –
Collina em ação. A Itália carece hoje de um grande árbitro.

Mas o tempo de Collina já é passado. Aposentou-se em 2005. Coincidência ou não, é a partir daí que o nível de arbitragem na Itália começou a cair, chegando a um ponto preocupante nessa temporada. Foi em 2005 que começaram os escândalos de arbitragem: o Calciopoli, famoso escândalo (mais um) na história do futebol italiano.

Calciopoli – O escândalo que puniu altos dirigentes, árbitros, bandeiras e clubes

Para quem não conhece, o esquema basicamente servia para condicionar resultados através da pressão de dirigentes sobre a comissão de arbitragem. Esses mesmos dirigentes conseguiam informações privilegiadas da comissão de arbitragem sobre qual árbitro apitaria o jogo de sua equipe, condicionando assim a atuação dos juízes. Na época, a Juventus foi a maior culpada do esquema, que teve Luciano Moggi como líder. Milan, Fiorentina e Lazio também tiveram punições sérias, mas bem mais brandas que a da Juventus, que perdeu os scudettos de 2005 e 2006 e teve decretada a queda para a Série B italiana pela primeira vez em sua história. Diversos árbitros e bandeiras foram punidos pela Federação pelo envolvimento no esquema. Massimo De Santis, melhor árbitro italiano na época e um dos melhores do Mundo, ficou de fora da Copa de 2006 há um mês da competição. Não entraremos a fundo na questão do Calciopoli por não ser o tema central do texto, além de ser um assunto extenso e de difícil compreensão.

Na sequência dos campeonatos, a pressão diminuiu em cima da arbitragem. O campeonato, após a queda da Juventus e o enfraquecimento do Milan, foi dominado amplamente pela Internazionale de 2007 a 2010. Mas a discussão voltou com tudo a partir da última temporada, sobretudo por um lance que gerou muita polêmica. Milan (líder) e Juventus (vice-líder) brigavam pela ponta do campeonato.

O gol fantasma de Muntari

Foto: paoloraimondi.files.wordpress.com –
O gol de Muntari que a arbitragem não viu. A partir do erro a Itália adotou os árbitros atrás das balizas. Houve alguma melhora por lá.

O Milan vencia por 1×0 e a polêmica apareceu. Após escanteio, Muntari desviou de cabeça e a bola entrou. Entrou muito, coisa de um metro. O árbitro principal e o bandeira não viram. Erro clamoroso e polêmica na TV. A Itália parou mais uma vez para discutir arbitragem. Até hoje os torcedores rossoneros não engolem o erro crasso. Fora isso, é bom que se diga que o título da Juventus na temporada passada foi justo, mas a arbitragem voltava a falhar decisivamente no jogo mais importante do campeonato de 2011-12.

Passada a temporada, a Itália se precavia para diminuir os erros. Foi adotada uma medida que nasceu aqui no Brasil: juízes atrás do gol. Tal mudança vinha para evitar episódios como o gol fantasma de Muntari. Até aqui, não se pode dizer que é um sucesso, mas uma leve melhorada pode ser vista. O mesmo não se pode dizer de árbitros e bandeiras. O campeonato dessa temporada vive uma das piores fases da arbitragem italiana. Toda rodada há discussão, erros graves e partidas condicionadas por maus apitadores. É inevitável em um país movido por escândalos no futebol que teorias da conspiração brotem de todos os lados. É melhor acreditar na falha humana e no despreparo de alguns árbitros.

Catania 0x1 Juventus – O maior absurdo até aqui

No estádio Angelo Massimino de Catania, aconteceu a pior apresentação dentre as várias péssimas escolhas dos árbitros nesse campeonato. O Catania teve um gol regular anulado depois de ter sido validado. O bandeira, personagem principal, inverteu a situação pelo ponto eletrônico. Voltou atrás e errou. Anulou um gol que era correto. No 2º tempo, o desastre veio a ser completo. O mesmo bandeira não viu impedimento em lance de gol da Juventus. No final da partida, o presidente do Catania, furioso, declarava: “Hoje assistimos a morte do futebol italiano”. Exaltações de lado, estava aberta mais uma roda de discussões no país.

Hoje não é exagero falar que o nível das arbitragens de Itália e Brasil são parecidos. Pelo menos no que diz na quantidade de erros graves que por muitas vezes decidem jogos e condicionam partidas.

Em novembro, o presidente da Inter, Massimo Moratti veio a público reclamar dos erros contra sua equipe: “Espero que este padrão não se torne corriqueiro, pois essa incompetência é algo estúpido. Já são três jogos seguidos em que estamos sendo alvos da injustiça dos árbitros, o que nos impede de conseguir os resultados que queremos”, encerrou Moratti.

Estamos chegando ao meio do campeonato e vários erros clamorosos puderam ser vistos. O baixo nível da arbitragem preocupa os amantes do Calcio. Um campeonato que tenta aos poucos se reerguer não pode se dar ao luxo de dar mais uma vez pano pra manga para se criar teorias contra time A, B ou C e desconfiança de mais um escândalo. Erros sempre ocorrerão, mas nessa temporada têm se tornado cada vez mais frequentes e preocupantes.

Comentários

Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.