Laurent Pokou: A primeira joia marfinense!

  • por Rogério Bibiano
  • 6 Anos atrás

Olá, Doente por Futebol! Mama África na área, em ritmo de Copa Africana das Nações, o campeonato mais importante da Confederação Africana de Futebol, disputado desde 1957. Nesta semana, o personagem é o marfinense Laurent Pokou.

LAURENT POKOU


Pokou nasceu em 10/08/1947, no bairro humilde de Treichville, na capital Abidjan-CIV. Começou a jogar na rua e foi aperfeiçoando seu futebol na escola, porém seu pai era contrário à ideia do filho ser um jogador de futebol. Tal fato fez com que Laurent Pokou jogasse futebol escondido no ASEC Mimosas.

Em 1963, seu pai, Edward Pokou (funcionário ferroviário), foi transferido para a cidade de Bouaké. Com isto, Laurente Pokou se viu obrigado a deixar o ASEC. Na nova cidade, passou a treinar no clube local, o USFRAN. Um ano depois, seu pai foi novamente transferido para Abidjan, mas Laurent Pokou permaneceu na cidade, para terminar os estudos.

O talento com a bola nos pés, jogando como armador, fez com que Pokou passasse a ser cobiçado pelos grandes clubes da capital. Aconselhados por dirigentes do USFRAN, os dirigentes do ASEC foram ao encontro do sr. Lawrence Pokou para convencê-lo a deixar o filho seguir no futebol, fato este que foi aceito, para alegria dos fãs de Pokou.

No retorno ao ASEC Mimosas, foi integrado ao plantel de juniores do clube e demorou alguns meses para convencer o treinador da equipe principal, Wognin Ignace. No dia 20/11/1966, Pokou finalmente estreou pela equipe principal, contra o Revival Club Daloa, marcando um hat-trick em sua estreia. Ao final daquele campeonato, Laurent Pokou marcou treze gols em sete jogos. Convocado para a Seleção da Costa do Marfim, estreou no dia 19/02/1967, contra Gana, num empate.

Pokou já era um dos futebolistas mais queridos do país, jovem promessa da seleção local. Mas a prova de fogo para o Laurent Pokou seria a Copa Africana das Nações de 1968, na Etiópia. O imperador Haile Selassie I prestigiou todos os jogos e viu o jovem marfinense fazendo bonito, marcando seis gols em cinco jogos e terminando como artilheiro da competição, na qual o selecionado marfinense ficou em terceiro lugar. A sensacional participação na competição continental transformou Pokou em uma celebridade nacional.
Em 1970, o jogador participiu de sua segunda CAN, desta feita no Sudão. Se dois anos antes a sua estreia foi considerada ótima, em 1970 Pokou conseguiu marcar oito gols na CAN, estabelecendo um recorde de gols em finais (a Costa do Marfim terminou em quarto lugar). Somadas as duas edições (1968 e 1970), Laurent Pokou marcou catorze gols, recorde que só foi igualado e ultrapassado em 2008 pelo camaronês Samuel Eto’o, que atingiu dezesseis gols. 

As atenções do continente eram divididas, na época, para duas estrelas: Laurent Pokou e o malinês Salif Keita. Ambos disputavam, desde 1969, o título de melhor jogador do continente. Em 31/01/1971, Pokou sofreu um revés na sua carreira: ruptura dos ligamentos do joelho durante um jogo contra o Sport Africa-CIV. Operado em Lyon-FRA, recebe no hospital a visita de Salif Keita, iniciando então uma sólida amizade com o já consagrado malinês.

Recuperado da lesão, Pokou volta às atividades normais, em novembro do mesmo ano. Em maio de 1972, foi convocado para integrar a Seleção da África que disputou o Torneio da Indepêndencia do Brasil e que contou com a participação da seleção continental da África. A seleção africana contava com outros grandes jogadores do continente: Jean-Pierre Tokoto, François M’Pelé, Sadok Attouga, entre outros.

No ASEC Mimosas, Pokou foi bicampeão nacional em 1972/73. O interesse dos clubes franceses, que já era grande, aumentou ainda mais e outros clubes também passaram a ter interesse, mandando emissários à Abdjian. Foram cinco anos de tentativas, do Olympique de Marseille, Nantes, Saint-Étienne, Mônaco, Standard Liège, Flamengo, Atletico Madrid e Valencia. Mas no final de 1973, Laurent Pokou assinou com os franceses do Stade Rennais. A chegada de Pokou à França é algo surreal, se compararmos com os dias atuais.
Quando Pokou finalmente decidiu ir jogar no exterior, optou pela França por conta do idioma, mas seu destino inicial seria o Nantes. Porém, no dia em que embarcava para a França, militares o prenderam no aeroporto, por ordem do então Presidente, Félix Houphouët-Boigny. O chefe de Estado era tão fã do jogador que não queria que ele jogasse no exterior e por isto não o deixou sair do país. A história só tomaria um outro rumo, quando François Pinault, empresário com negócios na Costa do Marfim e conselheiro do Stade Rennais, convenceu pessoalmente Félix Houphouët-Boigny a liberar Laurent Pokou, que chegou ao clube em 28/12/1973.

Foto: srfc.frenchwill.fr – Depois de todo o imbróglio dificultando sua saída, finalmente Pokou se transfere para o Rennes.


Na França, Laurent Pokou tornou-se ídolo da equipe rubro-negra do Stade Rennais, com gols e ótimos jogos. Porém, o craque marfinense passa a conviver com sucessivas lesões, incluindo uma nova lesão no joelho, que faz com que perca grande parte da temporada vigente no departamento médico. Quando recuperou-se, sofreu uma lesão similar à primeira no joelho, necessitando operar novamente. Em um processo de recuperção complicado, Pokou só retornou efetivamente aos campos em 21/01/1977, contra o Bordeaux, após catorze meses parado. Vitimado por novas lesões musculares, assinou com o Nancy por três temporadas.

Em Nancy, Pokou fez dupla com Michel Platini, mas as lesões voltaram a atormentá-lo e ele perdeu espaço na equipe. Os médicos do clube afirmaram que não havia mais condições físicas de jogar, fato que o atleta não aceitou. Em setembro de 1978, Laurent Pokou retornou ao Stade Rennais, para jogar a segunda divisão do futebol francês e, durante um jogo contra a equipe semi-profissional do Kernevez de Saint-Pol-de-Léon, Pokou foi ofendido pelos jogadores adversários. Ele reclamou com o árbitro, que minimizou os fatos e na discussão com Pokou ameaçou deportá-lo por ser africano. O experiente atacante perdeu a cabeça e agrediu o árbitro.

Suspenso por um ano e seis meses pela Federação Francesa de Futebol, em 1979 Laurente Pokou retornou para o ASEC Mimosas. Na sua terra natal, vence mais um campeonato nacional em 1980. Em 1982 aposentou-se como atacante e iniciou a carreira de treinador, na qual ficou até 1988, afastando-se porque, segundo o próprio, faltava-lhe paciência para lidar com certos jogadores. Laurent Pokou é atualmente responsável por parte das divisões de base da Federação Marfinense de Futebol. Também é Embaixador da FIFA na Costa do Marfim.

Primeiro marfinense a assinar contrato profissional com um clube europeu, Laurent Pokou era uma meia-atacante, rápido, habilidoso e driblador, que segundo relatos foi um ótimo definidor. Chamando a atenção para si, colocou a Costa do Marfim sob os holofotes do futebol, sendo considerado um herói em seu país, referência futebolística declarada de Didier Drogba, Yaya Touré, entre outras feras do atual futebol marfinense. Laurent Pokou é ídolo não somente no seu país, como em todo a África, por ser a primeira joia da Costa do Marfim.

Foto: media.staderennais.com – Pokou é muito querido não só em seu país natal, mas também na França

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.