Loco por ti, Corinthians!

  • por Eduardo Jenisch Barbosa
  • 7 Anos atrás

 

A última coluna do ano tinha que ser, obrigatoriamente, sobre o Sport Clube Corinthians Paulista. Depois de amargar cinco derrotas consecutivas no Mundial, a América do Sul finalmente voltou a copar, com o Timão, que depois de conquistar o continente com uma campanha impecável, nos deu orgulho em solo japonês, com uma apresentação de encher os olhos. É claro que rivais brasileiros secaram a equipe paulista, mas todos os sul-americanos deveriam aplaudir a forma imponente e corajosa com que o nosso representante encarou os ingleses do Chelsea.

Voltando um pouco no tempo, fiquei muito feliz quando o Corinthians de Tite eliminou o Santos de Muricy na Libertadores. O Timão tem uma ótima equipe sem nenhum craque, tendo como destaque a coletividade. O Santos é um arremedo de time com um craque. É claro que o talento de Neymar deve ser reverenciado sempre, mas uma vitória do Peixe naquela semifinal daria um recado equivocado sobre o que é o futebol. Primeiro o conjunto, depois as individualidades. O coletivo conquistou a América e o Mundo.

Um pouco à frente do meio campo, Chicão dá um passe vertical e encontra Paulinho. Ele domina, Jorge Henrique devolve de cabeça e, de repente, um clarão se abre em meio ao mar azul de defensores. O ótimo volante, já dentro da área, dá um tapa para o lado e a bola chega aos pés de Danilo, que faz o corte e chuta em cima da zaga. A pelota sobe, paira alguns segundos no ar e ali está concentrada a atenção de milhões de corintianos ao redor do mundo. Guerrero fuzila de cabeça e o lance entra para a história.

O gol fez justiça ao craque do Mundial. O centroavante peruano foi importante demais, mas o principal destaque da campanha corintiana no Japão não foi ele, nem o paredão Cássio, mas sim o bando de loucos. Quase 20 mil para desejar boa sorte no embarque da delegação. Quase 30 mil em terras nipônicas alentando o time do coração, o Pacaembu indo para o Oriente, o sonho de milhões, os sacrifícios, as lágrimas do passado, o sofrimento que forjou o nascimento de uma nação e, enfim, a redenção.

Redenção esta que começou seis meses antes com o tão sonhado e aguardado título da Libertadores da América. A paciência da direção no caso Tolima, o trabalho extremamente competente e agregador de Tite, a pulsação de arrepiar que vem das arquibancadas e as justas conquistas. É claro que o Corinthians sempre foi gigante pelos títulos nacionais e por um ser um patrimônio do nosso país. Mas 2012, ao meu ver, tem que ser conhecido como o momento no qual o clube alcançou o tamanho que a sua torcida sempre mereceu. O Corinthians atingiu o patamar que a paixão do seu torcedor sempre exigiu.

E há quem diga que a poesia passa longe do esporte. Tolice. Quer poesia mais linda do que a história do Corinthians? Uma torcida que cresceu nos anos de seca, que comemorou um Paulista como se fosse um Mundial e que neste ano explorou o continente e o mundo como se fosse o quintal de sua casa. Tem história para livros, filmes, porém o mais importante, para os avôs contarem para os netos, para os pais contarem para os filhos, pois foi assim que surgiu um país chamado Corinthians. Fica a singela homenagem da “Loco por ti, América” ao “bando de loucos por ti, Corinthians”.

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