Lothar Matthäus, a lenda alemã

  • por Thiago Menezes
  • 7 Anos atrás
Matthäus é uma lenda da Alemanha, Inter de Milão e Bayern de Munique

Matthäus é uma lenda da Alemanha, Inter de Milão e Bayern de Munique

UM GRANDE JOGADOR

Polêmico e com grandes problemas de relacionamento em grupo, mas de um talento único. Histórico. Vencedor. Um dos maiores jogadores da história da Alemanha e também do futebol.

Estamos falando de ninguém mais, ninguém menos do que do alemão Lothar Matthäus, o jogador com maior número de partidas em Copas do Mundo e que mais vestiu a camisa da Seleção Alemã.

Dono de um talento inquestionável, ele era daquela classe de jogadores que jogam “de terno”. Meio-campista central, de armação, foi sendo recuado ao passar dos anos até terminar a carreira jogando como líbero.

BORUSSIA MÖNCHENGLADBACH E INÍCIO NA SELEÇÃO

Matthäus começou a carreira em 1979 jogando no Borussia Mönchengladbach, time que vivia uma grande fase em sua história. Não demorou para se destacar e, em 1980 já participaria da Eurocopa pela Seleção Alemã. Porém, sua estreia não foi nada boa: Matthäus cometeu um pênalti logo ao entrar em campo num jogo contra a Holanda, que quase virou a partida, que estava 3×0 para os germânicos. Desde então, Matthäus não entrou mais em campo até o final do torneio, vencido pela própria Alemanha.

Ainda assim, foi convocado para a Copa do Mundo de 1982, e mais uma vez foi subutilizado, participando de apenas duas partidas na campanha em que a Alemanha foi vice-campeã, perdendo a final para a Itália de Paolo Rossi. Sua participação na Eurocopa de 1984 foi mais presente, sendo titular. Porém, o desempenho da Nationalelf foi muito abaixo das expectativas e acabaram caindo ainda na fase de grupos.

VITÓRIAS PELO BAYERN, DERROTAS PELA ALEMANHA

Pouco tempo depois, ainda se destacando muito pelo Gladbach, Matthäus foi contratado pelo poderoso Bayern de Munique. O meio-campista então conquistaria muitos títulos pelo clube da Bavária, vencendo o campeonato alemão por três vezes consecutivas, além da Copa da Alemanha. Também foi vice-campeão europeu, perdendo para o Porto na final da temporada 1986-1987.

Participou da Copa de 1986 como uma das estrelas da competição e vinha sendo um dos melhores jogadores do torneio, mas acabou outra vez como vice-campeão, perdendo a final para a Argentina de Diego Maradona. Dois anos depois, na Euro 1988, outra frustração: após estar vencendo a Holanda na semifinal com um gol seu, a Alemanha sofreu um gol de Ronald Koeman nos acréscimos, e viu a virada acontecer na prorrogação pelos pés de Marco Van Basten. A Holanda terminaria campeã diante da União Soviética na final.

Alemão ganhou a Bola de Ouro e foi Melhor do Mundo jogando na Inter de Milão

Alemão ganhou a Bola de Ouro e foi Melhor do Mundo jogando na Inter de Milão

REI DE MILÃO E DO MUNDO

Após a Eurocopa, Matthäus deixou o Bayern de Munique e rumou à Itália, fardando a camisa da Internazionale. A Inter não era favorita ao título, já que o Milan de Gullit, Rijkaard e Van Basten, além do Napoli de Maradona e Careca pareciam mais fortes. Porém, com a ajuda de um gol decisivo de Matthäus contra os napolitanos, a Inter de Milão ganhou o Scudetto da temporada 1988-1989 e, posteriormente, a Supercopa da Itália.

Na temporada seguinte, a Inter contratou o atacante Jürgen Klinsmann, formando então um poderosíssimo trio alemão junto com Matthäus e Andreas Brehme. Apesar do grande sucesso da trinca, a Internazionale conquistou apenas a Copa UEFA de 1991, mas o camisa 10 já estava marcado na história nerazzurra, sendo considerado o “Rei de Milão”.

Em 1990, Matthäus chegou mais uma vez na Copa do Mundo como um dos grandes jogadores do torneio. E, de fato, a Itália parecia lhe dar sorte: foi capitão da Alemanha e fez um grande torneio. Além dos 4 gols marcados, ainda converteu seu pênalti no desempate da semifinal contra a Inglaterra e, finalmente, pôde levantar a taça de campeão ao vencer a revanche na final contra a Argentina.

Diante dessas conquistas, Matthäus venceu a Bola de Ouro de 1990 e também o primeiro prêmio de “Melhor Jogador do Mundo” pela FIFA, em 1991.

LESÕES E A VOLTA AO BAYERN

Vivendo seu auge, Matthäus sofreu um grande baque na sua carreira. Sofreu uma séria lesão no joelho e ficou de fora da Eurocopa 1992, na qual a Alemanha foi mais uma vez vice-campeã, perdendo a final para a surpreendente Dinamarca.

Poucos acreditavam em sua recuperação, e o jogador optou a voltar no mesmo ano para o Bayern. Em sua volta à Bavária, passou a atuar como líbero, posição que Beckenbauer fez história. Apesar da boa participação no título alemão de 1993-1994, as lesões no joelho e no tendão de Aquiles ainda atrapalhavam sua regularidade. Ainda assim, participou da Copa do Mundo de 1994, tendo marcado um pênalti nas quartas de final contra a Bulgária de Stoichkov, que acabou surpreendendo, virando o jogo e eliminando os atuais campeões precocemente.

Na volta ao Bayern, apesar das boas partidas e a conquista da Copa UEFA, não conseguia atuar regularmente. O fato lhe deixou de fora da Eurocopa de 1996, que teve a Alemanha como campeã. Naquele ano, começou uma guerra contra seu companheiro de Inter, Bayern e Seleção: Jürgen Klinsmann. Alegando um suposto boicote capitaneado pelo atacante para não jogar a Eurocopa, Matthäus chegou a apostar que seu desafeto não marcaria nem 15 gols naquela temporada. Apesar disso, o Bayern foi campeão alemão mais uma vez, e Klinsmann deixou a equipe rumo à Sampdoria.

Apesar da brilhante carreira, Matthäus não conseguiu vencer a Champions League

Apesar da brilhante carreira, Matthäus não conseguiu vencer a Champions League

FINAL DA CARREIRA E MAIS BRIGAS

Matthäus conseguiu superar as lesões e jogou mais uma Copa do Mundo, em 1998, onde chegou à marca de incríveis 25 partidas em Copas, recorde esse não superado até hoje. Porém, a Alemanha ficou outra vez nas quartas de final, e de novo eliminada por uma seleção ‘alternativa’, a Croácia de Suker.

O alemão tinha muitos títulos na carreira, mas ainda faltava um, o mais importante de clubes no mundo: a Liga dos Campeões da Europa. Lothar não teve a chance de erguer este troféu, mas esteve muito próximo disso em 1999. O Bayern vencia o Manchester United por 1×0, gol de Basler. No final da partida, Matthäus foi substituído. E do banco de reservas, viu uma das mais incríveis viradas de todos os tempos: com dois gols nos acréscimos, de Sheringham e Solskjaer, o título foi ao clube inglês.

Após o jogo, Beckenbauer disse: “Não foi Matthäus que não teve a honra de levantar a taça da Liga dos Campeões, foi a taça que não teve a honra de ser erguida por Matthäus”.

Isso tudo acontecia enquanto o craque se desentendia com outro jogador: Stephan Effenberg. Após várias brigas públicas com o ex-volante, e mais um título alemão em 2000, Matthäus entrou na justiça contra o Bayern cobrando a mísera quantia de 500 mil euros (valor muito baixo para um jogador de futebol). O clube que então lhe prometia um grande jogo de despedida, passou a não suportar mais a presença do ex-ídolo, que saiu pelas portas dos fundos, recebendo apenas 7,5 mil euros do que pedira.

Matthäus se despediria da Seleção Alemã na Eurocopa de 2000, mas a Nationalelf fez vergonha e foi eliminada na fase de grupos sem nenhuma vitória.

CARREIRA COMO TÉCNICO

Ainda em 2000, o jogador assinou contrato com o New York MetroStars (atual New York Red Bulls), mas fez menos de 20 partidas, deixando o futebol.

Logo depois, se arriscou como treinador de futebol, mas se o temperamento não o ajudava como jogador, como técnico só piorou as coisas. Fez trabalhos medíocres e alguns poucos bons, se aventurando pela Áustria, Sérvia, Israel e até no Brasil, onde em 2006 treinou o Atlético Paranaense por apenas 7 jogos, pois sentiu saudades da família que ficara na Europa.
Também treinou a Seleção Húngara até 2011, sendo este seu último trabalho como treinador até o momento.

A classe, o talento, os títulos e a personalidade de Lothar Matthäus o tornaram uma lenda no futebol que, certamente, será lembrado por todos os amantes do esporte.

Matthäus treinou o Atlético Paranaense, mas só durou 7 partidas.

Matthäus treinou o Atlético Paranaense, mas só durou 7 partidas.

TÍTULOS

– Bayern Munique
Bundesliga: 1985, 1986, 1987, 1994, 1997, 1999, 2000
Copa da Alemanha: 1986, 1998, 2000
Copa UEFA: 1996

– Internazionale
Serie A: 1989
Supercopa Italiana: 1989
Copa UEFA: 1991

– Seleção Alemã
Eurocopa: 1980
Copa do Mundo FIFA: 1990

– Como treinador
Campeonato Servo-Montenegrino (Partizan): 2003
Campeonato Austríaco (Red Bull Salzburg): 2007

– Prêmios individuais
FIFA 100: 2004
Melhor Jogador do Mundo pela FIFA: 1991
Melhor Jogador do Mundo pela World Soccer: 1990
All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 1990
Bola de Ouro France Football: 1990
Jogador Alemão do Ano: 1990, 1999
Onze d’Or: 1990

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Morador do Rio de Janeiro, designer, torcedor do Manchester United e Flamengo, faz parte da editoria de arte da "Doentes por Futebol". Fã incondicional de Lionel Messi, e ainda de Zinedine Zidane, David Beckham, Dejan Petkovic e Ronaldo.