O ano do desespero e do recomeço.

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

 

2012: do fundo do poço à renovação da esperança, o ano do Flamengo em seis capítulos.


Primeiro Capítulo – O problemático começo de ano.

Alex Silva reclama de salários atrasados, se recusa a viajar para Potosí para a disputa da Pré-Libertadores e acaba negociado com o Cruzeiro. O Flamengo volta a viver dias de atraso de salário e insatisfação de atletas. Ronaldinho e Luxemburgo tem cada vez mais divergências e o treinador é cada vez mais ‘’carta fora do baralho’’. Luxa é demitido apenas três jogos após o começo do ano (Potosí (duas vezes) e Bonsucesso). Em seu lugar assume Joel Santana.

Segundo capítulo – O fiasco na Libertadores e o péssimo estadual.

Com Joel Santana no lugar de Luxemburgo, o Flamengo fica fora da final da Taça Guanabara e tem o primeiro grande revés na Libertadores, o empate com o Olimpia-PAR por 3×3, quando vencia por 3×0 faltando 15 minutos de jogo. No jogo do Paraguai novo resultado ruim, uma derrota por 3×2.

Em Abril, a situação se complica após derrota para o Emelec – num jogo que o Flamengo vencia até os 37 minutos do segundo tempo – e uma semana depois a eliminação, numa partida traumática para a torcida, pois o clube terminou seu confronto classificado e perdeu a vaga poucos minutos depois.

Nova eliminação para o Vasco no Estadual deixou o Flamengo com um mês de férias. A esperança da torcida era que o clube demitisse Joel, contratasse reforços e se preparasse bem para o Brasileiro.

Terceiro capítulo – O começo do Brasileiro e a saída de Ronaldinho Gaúcho e Joel do clube.

O Flamengo começou o Brasileiro da mesma forma que antes: jogando mal e entregando pontos de graça. No jogo contra o Internacional, o time chegou a vencer por 3×1 e cedeu o empate. Foi a última partida de Ronaldinho Gaúcho pelo clube. No dia 31 de maio, o jogador entrou com ação na Justiça cobrando salários atrasados e se desligou da equipe. O Flamengo havia passado por enormes constrangimentos, como a ida de Assis – empresário e irmão do Gaúcho – a uma loja do clube para pegar camisas de graça, alegando que como o Flamengo não pagava o que devia ao irmão, então ele levaria as camisas. Ronaldo Gaúcho deixou o clube cobrando uma dívida de R$ 40 milhões.

Joel foi demitido na 11º rodada do Brasileiro, quando o clube já contabilizava quatro derrotas na competição. A demissão era esperada desde antes do começo da competição, mas só foi consumada no fim de julho, quando o Brasileiro já voltava a seu ritmo normal e qualquer treinador que viesse não teria tempo disponível para treinar. 

Quarto capítulo – A chegada de Dorival Júnior, o começo do processo eleitoral e os problemas com Adriano.

Dois dias após demitir Joel, o Flamengo anunciou Dorival Júnior. O treinador vinha de um contestado trabalho no Internacional e estava desempregado desde o fim de junho. Mas chegou cercado de esperanças pelo fato de saber trabalhar com jovens jogadores, já que o Flamengo era um time formado por muitos jogadores vindos da base. Liédson foi contratado e Adriano assinou contrato de produção com o clube.

O Imperador não conseguiu produzir nada além de notícias ruins, com as frequentes faltas e noitadas. O auge aconteceu quando Adriano comunicou uma falta ao clube via SMS. Dentro de campo, a equipe refletia a instabilidade de fora do campo e não conseguia bons resultados no Brasileiro, passando a ficar ameaçada de rebaixamento (embora jamais tenha entrado na zona). 

No âmbito político, começaram a surgir nomes para a eleição do clube. A Chapa Azul logo se tornou a preferida dos torcedores e a campanha invadiu as redes sociais.

Quinto capítulo – A definição dos candidatos à presidência, o fim do risco de queda, o adeus de Adriano e a tentativa de Golpe no clube.

No fim de Setembro, os nomes dos candidatos à presidência do clube já estavam definidos. Eram várias chapas, mas os torcedores sabiam que muitas seriam apenas balões de ensaio. Os reais candidatos eram Jorge Rodrigues, Patrícia Amorim e Wallim Vasconcelos. 

No Campeonato Brasileiro, a equipe mantinha-se afastada da zona de rebaixamento, mas sem empolgar sua torcida. O único grande jogo foi contra o Atlético Mineiro, quando a equipe demonstrou muita disposição e organização tática para vencer o jogo. A torcida demonstrou toda sua ira contra Ronaldinho Gaúcho, que mal pegou na bola no dia.

Outubro seguiu na mesma toada fora e dentro de campo, até que em Novembro duas situações abalaram o clube, mas de forma diferentes: na primeira, Adriano comunica que não quer jogar bola esse ano, frustrando os planos da direção atual de usá-lo ainda no Brasileiro, para tentar ganhar apoio de torcedores. Na segunda, uma tentativa de golpe: o candidato Wallim Vasconcelos – já favorito para vencer na época – tem sua candidatura à presidência impugnada. Os motivos alegados para a impugnação foram o tempo de vida associativa do candidato (menos de 5 anos) e um processo por improbidade administrativa no qual o candidato é réu (reparem, réu, não acusado). A comissão eleitoral já havia julgado o caso e dado parecer favorável ao candidato, mas numa manobra política Walim teve sua candidatura impugnada. Na mesma sessão, Jorge Rodrigues também teve a validade da sua candidatura votada (também tem menos de 5 anos como sócio e possui relações comerciais com o clube, é dono da Triunfo Logísitca, que estampa sua marca no uniforme Rubro-Negro). Mas como já era esperado pelos torcedores mais críticos e observadores isentos do processo, a candidatura de Jorge Rodrigues foi aprovada– a ‘’oposição do bem’’, nas palavras de Patrícia Amorim, que tinha ampla maioria no Conselho que julgou as candidaturas .

Sexto Capítulo – O fim do Brasileiro, ‘’o tiro no pé’’ e a vitória da Chapa Azul.

No Campeonato Brasileiro, o Flamengo mantinha-se como antes, sem muitos problemas e sustos, mas também sem almejar nada no topo da tabela. Nas comemorações de aniversário do clube, uma grande caminhada mostrou a força da Chapa Azul e a discordância da torcida em relação aos atos tomados pela presidência, que chegou inclusive a vetar o uso da sede náutica para uma festa, como se o clube pertencesse a determinado grupo de pessoas e não a todos os sócios e à torcida. A truculência da mandatária e de seus asseclas mostrou ser um baita tiro no pé, afastando ainda mais a torcida da direção e tendo peso decisivo nos sócios que ainda estavam indecisos.

Com o fim do Brasileiro e o título de um rival, a direção do Flamengo se viu ainda mais pressionada e a eleição, antes ‘’ganha’’ – Patrícia Amorim chegou a declarar que elegeria quem quisesse – caminhava a passos largos para um resultado diferente do esperado inicialmente e o dia do pleito confirmou isso. Com larga vantagem desde a primeira hora de apuração, Eduardo Bandeira de Mello ganhou a eleição no Flamengo. O processo eleitoral transcorreu em grande tranquilidade e o novo presidente chega com uma equipe de vários empresários de sucesso e o apoio dos maiores ídolos da história do clube, tendo Zico, Junior e Petkovic como futuros nomes para cargos no clube.

Para 2013, as perspectivas são as melhores possíveis. O futuro presidente chega com a promessa de ter um novo patrocínio master, o clube negocia com Adidas e Nike para fornecimento de material esportivo – somas altíssimas – e o treinador atual já conhece o elenco e suas deficiências.

Caso o Flamengo faça a lição de casa – contratar pontualmente e pagar em dia – a chance de brigar pelo título Brasileiro é boa, pois a equipe tem alguns bons valores, acertou seu miolo de zaga na reta final e o clube não viverá ano eleitoral.

É o que 30 milhões de torcedores esperam.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.