O domínio da Europa no Mundial de Clubes

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

 

17 de Dezembro de 2006, Yokohama. Essa foi a última vez que um time da Europa saiu derrotado num confronto contra um time da América do Sul na disputa do Mundial de Clubes. Nas últimas 5 edições, 5 vitórias de clubes da Europa. Quando olhamos o formato anterior (não é intenção desse post discutir a validade desse ou daquele), nota-se um enorme equilíbrio, com 22 conquistas para a América do Sul e 21 para a Europa. No formato atual, está 5×2 para a Europa.

2005: O São Paulo é massacrado pelo Liverpool. Faz um gol e só se defende no resto do jogo. Rogério Ceni é o melhor homem em campo.

2006: O Barcelona era franco favorito contra o Internacional, mas o time da Espanha não soube exercer seu favoritismo, não teve Eto’o e Messi (ambos machucados) e acabou não conseguindo pressionar o Inter, que fez um jogo relativamente equilibrado e consciente de suas limitações.

2007: O Milan de Kaká sobra contra o Boca Juniors e vence com tranquilidade, 4×2, fora o baile. Em determinado momento do jogo, chegou a estar 4×1 para o Milan.

2008: O Manchester United encontra dificuldades para furar a retranca da LDU, mas domina o jogo praticamente inteiro. Rooney fez o gol da vitória faltando pouco menos de 15 minutos para o fim do jogo.

2009: A maior chance da América do Sul nos últimos anos. Liderados por Verón, o Estudiantes abre o placar através de Boselli, faltando menos de 10 minutos para o fim do primeiro tempo. Na volta do intervalo, o Barcelona sufoca o time argentino dentro do seu campo, mas não cria chances claras, até que Pedro consegue empatar para o Barcelona, faltando um minuto para o fim do tempo normal. Novo massacre na prorrogação, mas nada de gol no primeiro tempo extra, até que Messi, de peito, faz o gol da virada e do título catalão.

2010: A maior vergonha de um time da América do Sul na história da competição, com a derrota do Internacional para o Mazembe na semifinal. Na final, a Internazionale não teve a menor dificuldade para fazer 3×0 contra os africanos.

2011: O maior passeio da história da competição. Um time jogou, o outro assistiu. Barcelona 4×0 Santos, fora o baile. Se terminasse 8×0 seria justo.

Na atual edição, o representante europeu é o Chelsea, que vem de reformulação do elenco e demissão de treinador. De longe, é o europeu em ‘’pior fase’’ dos listados acima. Do outro lado, um time brasileiro fortíssimo coletivamente, conhecido por seu poder de marcação e de jogo sem bola.

É a melhor chance de um time da América do Sul vencer desde que foi criado esse novo formato?

É correto afirmar que com esse novo formato, com a chancela FIFA, os europeus estão dando mais valor à competição?

 

Comentários

33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.