Schmeichel – “O Grande Dinamarquês”

  • por Thiago Menezes
  • 8 Anos atrás

Schmeichel – Lenda na Dinamarca e no Manchester United

 

PETER SCHMEICHEL – O GRANDE DINAMARQUÊS

Schmeichel é, para muitos, o melhor goleiro da história do futebol. Ou pelo menos um dos melhores, já que há quem prefira outros nomes como Buffon, Banks ou Yashin. A verdade é que, independente da preferência pessoal, o dinamarquês é unanimidade entre os gigantes de todos os tempos na posição, inclusive entre os jogadores atuais. É o maior ídolo de ninguém mais, ninguém menos que Petr Cech, atual goleiro do Chelsea e um dos melhores arqueiros da atualidade.
Exímio pegador de pênaltis, fantástica reposição de bola, excelente em boas aéreas e praticamente perfeito em chutes de qualquer distância. Muitos atacantes dizem que Schmeichel era tão imponente que metia medo em qualquer jogador. Sua defesa mais característica era a de saltar com os braços e pernas abertos, chamado de “salto estrela”, onde ele podia ter um maior raio de possibilidades de defesa.

INÍCIO

A história do jogador começa no pequeno Hvidovre, onde já se destacava por defesas incríveis e até mesmo gols – foram seis em apenas dois anos – o que chamou atenção de um dos grandes da Dinamarca, o Brøndby. No clube de Copenhague, conquistou quatro títulos dinamarqueses em cinco anos, em um time que também contava com o depois famoso Brian Laudrup. Com atuações memoráveis, chegou à seleção dinamarquesa e fez parte do grupo na Euro 1988, na qual os nórdicos perderam os 3 jogos em um difícil grupo, composto por Espanha, Alemanha e Itália.

Foi na Copa UEFA de 1990/1991 que Schmeichel ganharia destaque mundial: o Brøndby, que era pequeno no âmbito europeu, chegou na semifinal do torneio, com Schmeichel pegando dois pênaltis nas quartas contra os soviéticos do Torpedo Moscow. Por muito pouco não chegaram à final, mas um gol do alemão Rudi Völler nos acréscimos deu a vitória a Roma no jogo decisivo.

Mas, para Schmeichel, então com 28 anos, aquela Copa UEFA lhe trouxe um imenso prestígio mundial, conseguindo a grande chance de sua vida…

O AUGE

Por uma quantia que hoje se estima em 600 mil euros, o goleiro assinou contrato com o Manchester United. A realidade do clube inglês na época era bem diferente de hoje: o clube não vencia o campeonato inglês desde 1967 e Alex Ferguson ainda estava no começo de seu trabalho.

Em sua primeira temporada, conquistou apenas o título da Copa da Liga Inglesa, mas Schmeichel virou uma lenda na Dinamarca após ser um dos grandes destaques na improvável conquista da Eurocopa de 1992 junto com seu antigo companheiro Brian Laudrup. De volta ao United, venceu o campeonato inglês após 25 anos de jejum do clube. As conquistas pelo United passaram a ser frequentes daí em diante. Schmeichel já era então considerado o melhor goleiro do mundo.

Na Copa do Mundo de 1998, a Dinamarca fazia um grande campeonato e o goleiro já era considerado um dos melhores do torneio. Os dinamarqueses chegaram às quartas de final fazendo um jogo duríssimo contra o Brasil. No gol da virada brasileiro, feito por Rivaldo, muitos consideraram um chute “defensável”, ainda mais para um goleiro do nível de Schmeichel, mas nada que abalasse o seu prestígio.

Já com 36 anos, sua última temporada pelo clube inglês foi a mais especial: a conquista da Tríplice Coroa. Mais uma vez foi um dos maiores destaques do time, sendo os maiores um pênalti defendido contra o Arsenal na semifinal da Copa da Inglaterra, cobrado por Dennis Bergkamp, e a grande atuação na virada inacreditável do United contra o Bayern de Munique na final da Liga dos Campeões.

FIM DE CARREIRA

Após o torneio, Schmeichel assinou contrato de dois anos com o Sporting Lisboa. O sucesso foi conquistado logo em sua primeira temporada, sendo campeão português após dezoito anos. Assinou com o Aston Villa no fim de seu contrato, em sua volta para a Inglaterra, já com 38 anos. Esta passagem foi marcante por ter sido o primeiro goleiro da história da Premier League a marcar um gol, feito de cabeça.

Sua última temporada na carreira foi jogando justamente no maior rival do clube que fez história: no Manchester City. Apesar de não ter mantido o mesmo nível técnico e principalmente físico, participou da vitória do City sobre o United, que não acontecia há 14 anos. Nesta partida, foi ignorado ao tentar apertar a mão do seu antigo companheiro Gary Neville, e foi olhado de cara feia por Giggs e Scholes.

Nada disso tirou a idolatria que Schmeichel tem no Manchester United, clube que sofreu por anos para ter um substituto à sua altura, até chegar Edwin Van Der Sar em 2005.

Dois notáveis recordes que conquistou na carreira foram de não levar gols em 42% das suas partidas pelo Campeonato Inglês, e de jamais perder um clássico de Manchester: foram nove atuando pelo United e um atuando pelo City.

O goleiro se aposentou com a certeza do dever cumprido. Considerado por muitos especialistas – inclusive a revista Reuters – como o melhor goleiro de todos os tempos e um dos dois maiores jogadores da história da Dinamarca, ao lado de Michael Laudrup, entrou no Hall da Fama do futebol inglês em 2003.

Hoje em dia faz aparições em programas de televisão, além de ser investidor no Brøndby. Seu filho, Kasper, 26 anos, também é goleiro e já teve passagens pelo Manchester City e Leeds United, jogando atualmente pelo Leicester City.

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Morador do Rio de Janeiro, designer, torcedor do Manchester United e Flamengo, faz parte da editoria de arte da "Doentes por Futebol". Fã incondicional de Lionel Messi, e ainda de Zinedine Zidane, David Beckham, Dejan Petkovic e Ronaldo.