O time que se tornou vitorioso com as derrotas

  • por Caio Araújo
  • 8 Anos atrás

Há um eterno debate no Brasil sobre a falta de continuidade nos trabalhos dos técnicos. São vários os exemplos de treinadores que conseguiram grandes resultados quando tiveram a chance de desenvolver um trabalho em longo prazo. Mas há também outra questão que muitos ignoram: os treinadores permanecem porque conseguem bons resultados ou conseguem bons resultados porque são mantidos? O caso do Tite certamente é a segunda opção.

Quando chegou, em 2010, para a reta final do Brasileiro, o time ocupava a terceira posição. Chegou à liderança faltando três jogos, mas acabou na terceira posição empatando dois jogos e vencendo um na sequência final. Foi uma derrota bastante sentida, porém não mais que aquela que viria semanas depois contra o Tolima pela Pré-Libertadores.Ninguém ousaria cravar a permanência do Tite após o vexame histórico contra os colombianos. Hoje em dia, o próprio técnico assume que em campo já se via demitido, quando o placar apontava 2×0 para o Tolima. E, para complicar ainda mais, quatro dias depois teria que enfrentar uma outra pedreira, o Palmeiras, principal rival. Mas a vitória por 1×0 diminuiu um pouco o incêndio. Os resultados no Paulista começaram a aparecer, embora sem a equipe convencer. E conseguiu chegar à decisão contra o Santos. Mas a final foi um passeio do time da Vila. Seria outra oportunidade para mandar o técnico embora. E, mais uma vez, Andrés bate no peito, chama a responsabilidade e banca a permanência do Tite.

O que ninguém esperava é que a base do time, que já vinha capengando nos primeiros meses do ano, fosse ter um início avassalador no Brasileiro de 2011, jogando um futebol convincente, que dava orgulho ao seu torcedor, principalmente pela raça e aplicação dos jogadores. Durante o campeonato, houve alguns problemas internos. E talvez em um deles, Tite tenha conquistado de vez seu grupo de jogadores. Ao ser sacado do time titular por deficiência técnica, Chicão, então capitão, recusou-se a sentar no banco de reservas na partida contra o São Paulo pelo returno. Tite, reprovando tal atitude, afastou o jogador. E, através desse gesto, mostrou a todo o elenco que ninguém se faz com nome e que todos são iguais. Com um grupo que foi se unindo e se fortalecendo, o título nacional veio. E os mesmos jogadores conquistaram, meses depois, a América.

Foi depois de três derrotas traumatizantes que o Corinthians ganhou o Brasileiro e a Libertadores. Não houve grandes reformulações, não houve desmanches e nem troca de treinador. Certamente a grande maioria dos dirigentes brasileiros não teria tanta paciência para esperar pelo sucesso que poderia nem vir.

E pelo visto, Tite não deixa de aprender com as lições que as derrotas lhe impõem. Após o clássico com o São Paulo, o treinador afirmou:

“vencemos 1º jogo do Mundial hoje … Essa lição
a gente tira, tem de ser melhor preparado. Foi importante, nestes seis jogos, que tivesse isso (a derrota). Não gostaria que fosse hoje, mas ela veio. É a lição da competição, da disputa”

Assim, a preparação para o Mundial parece estar no caminho certo, com um treinador que sempre se mantém atento e criterioso em relação ao desempenho do seu time. Isso não é garantia de título ao final da competição, mas é sinal de um bom trabalho sendo feito por quem comanda.

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