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Palmeiras 2012 – Retrospectiva

  • por Lucas Sartorelli
  • 7 Anos atrás
Título e rebaixamento - o ano bipolar do Palmeiras

Título e rebaixamento – o ano bipolar do Palmeiras

2012. O ano do Palmeiras iniciava-se sem muitas perspectivas, pelo menos por parte da torcida, que poucas semanas antes via o time penar para escapar do rebaixamento no campeonato brasileiro.

Após diversas negociações frustradas entre o fim de dezembro de 2011 e o início de janeiro de 2012, surgem os primeiros nomes: Juninho, o rápido lateral que se destacou nacionalmente pelo Figueirense; Daniel Carvalho, o eterno inconstante; Román, zagueiro paraguaio que não havia deixado boas lembranças no River Plate, seu último clube; Artur, oriundo do São Caetano; e Hernan Barcos, que vinha da LDU com fama de artilheiro.

O técnico Felipão, mantido pela diretoria, tentava acertar um time para a disputa do campeonato paulista. Surpreendentemente, a equipe pareceu se acertar e iniciou um bom torneio, mantendo-se na liderança por algumas rodadas. Nessa altura, Barcos já conquistava a torcida, mostrando muita habilidade e faro apurado de gols. A primeira derrota viria apenas no final de março, no clássico contra o Corinthians. Após o término de uma primeira fase de erros e acertos, o time figurava na quinta posição da tabela e enfrentaria nas quartas de final o Guarani, de quem já havia perdido na fase inicial. Jogo em Campinas, pressão da torcida bugrina e mais uma derrota, por 3×2. O Palmeiras estava eliminado do Paulistão.

Restava a Copa do Brasil e, após vitórias sobre os inexpressivos Coruripe e Horizonte, o time eliminaria dois paranaenses, Paraná e Atlético PR, em ambos os confrontos com grandes atuações de Marcos Assunção, que já havia se destacado no estadual e mostrava-se um trunfo da bola parada nas mãos de Felipão. Nas semifinais, o Grêmio era o amplo favorito. No primeiro jogo, em 80 minutos de muita pressão no estádio Olímpico, o Palmeiras sabia controlar o jogo e o empate por 0x0 era excelente, até então. Eis que Mazinho, o atacante que chegara do Oeste pouco tempo antes, acha o caminho das redes e torna melhor ainda o que já era bom. Tinha mais. Barcos, sempre ele, faria 2 x 0 nos acréscimos, esfriando a torcida azul e fazendo o time do Palmeiras entrar com um pé na final. Era o “jogo do ano” do time. No jogo da volta, o 1×1 confirmou o time de Felipão na finalíssima com o também alviverde Coritiba. Na decisão, mais uma grande atuação de Assunção e, após vitória em Barueri por 2×0 e empate em Curitiba por 1 x 1, o Palmeiras se sagrava campeão.

Foram 12 anos sem títulos nacionais de elite, entre a Copa dos Campeões de 2000 e a Copa do Brasil de 2012, no que a própria torcida chama de “década perdida”. O recomeço parecia ter sido reconquistado. Parecia.

A reviravolta que o torcedor esperava ver pelo lado positivo acabou levando o clube para o lado contrário. Tudo parecia perfeito com o título nacional e a ida para a Libertadores. O velho ídolo Felipão estava de novo no lugar mais alto do pódio, comandando um grupo unido e brigador. A fama de sofrer contra times pequenos havia se esvaecido e o elenco tinha novos ídolos como Valdivia, Barcos e Henrique.

Mas praticamente todas as conquistas comemoradas em julho foram por água abaixo em pouco mais de quatro meses. Com a necessidade real de um título batendo à porta, além da disputa prioritária da Copa do Brasil, o Palmeiras começou muito mal o Brasileirão. Até o título, o time somou cinco derrotas, três empates e uma única vitória na competição, o que já o fez aparecer entre os últimos colocados na tabela.

O tempo passava e os resultados não vinham. O elenco já sofria pressões e Felipão tentava segurar a crise. Até que não deu mais. Após uma derrota por 3 a 1 para o Vasco, uma reunião entre a diretoria e o comandante decidiu por sua saída. Depois de muitos contatos e especulações sem sucesso, Gilson Kleina fora o escolhido para tentar salvar o barco verde. E o início foi animador. As coisas pareciam que iriam melhorar quando o time venceu Figueirense e Ponte Preta. Mas aí veio o São Paulo e uma derrota por 3 x 0 recolocou o Palmeiras em péssima situação novamente. Mais dois resultados adversos e a esperança renasceu depois de vitórias sobre Bahia e Cruzeiro.

No meio da luta contra a queda, priorizando o campeonato nacional, o time ainda sofreria um revés na Copa Sul-Americana, ao ser goleado impiedosamente por 3 x 0 pelo Millonarios, na Colômbia, após vencê-los no Pacaembu por 3 x 1.

No entanto, na volta ao Brasileirão, além de um empate sofrido e trágico com o Botafogo, vieram as derrotas para Internacional e Fluminense. Assim, o rebaixamento foi confirmado horas depois de um empate com o Flamengo, após a Portuguesa empatar seu jogo e não permitir mais que o Palmeiras a alcançasse fora da zona de rebaixamento. Faltavam ainda duas rodadas para o término do Brasileirão. O campeão do século passado era rebaixado pela segunda vez em 10 anos.

Em 2013, o time terá a Libertadores e a série B para disputar. A diretoria é incessantemente contestada pela torcida, que espera apenas que o amadorismo no clube seja transformado em seriedade por meio de bons profissionais. A grande esperança são as eleições presidenciais.

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.