PLATINI E SEU ETERNO AMOR AO FUTEBOL – MINHA CASA, MINHA VIDA

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Reprodução – Michel Platini é um dos maiores jogadores de futebol da história.

Um francês com cara e alma de italiano. Michel François Platini, nascido na bela Joeuf, no norte da França, em 21 de junho de 1955, tem seus laços ligados à Itália por dois motivos: A família, oriunda do país da Velha Bota, e também por ser um dos maiores ídolos da grande Juventus, o mais popular clube do país.

Hoje, quem vê o presidente da UEFA revolucionando o futebol jogado na Europa, valorizando até mesmo as pequenas federações com seus pequenos clubes, não o identifica como o jogador de classe apurada, de talento soberbo, que brilhava sobre o gramado de Turim.

Como todo bom “peladeiro”, começou com seus primeiros dribles ainda moleque. No entanto, pode contar com a ajuda do pai, o senhor Aldo “Platíni” (ainda se pronunciava seu sobrenome com o sotaque italiano), para desenvolver seu futebol. Pela qualidade que apresentava, aos 16 anos, chamou a atenção do Metz em um amistoso de jovens jogadores. Por ser de aspecto franzino, o clube desistiu de contratá-lo. Um erro que seria provado futuramente.

Sua chance de estar em um clube profissional aconteceu com o Nancy Lorrane, então na segundona francesa. Estreou aos 17 anos e com 18 já era titular. No clube, conquistou o título da segunda divisão (1974-75) e a Copa da França (1978). E por causa deste último título, impressionou o treinador da Seleção Francesa de Futebol e foi convocado pela primeira vez. Sua estreia foi contra a futura campeã europeia Tchecoslováquia, em 1976. Curiosamente, quando teve um pênalti a favor de sua equipe, o jovem meia, já mostrando personalidade, pediu a bola a Henri Michel (capitão da época) e marcou o gol – o jogo terminaria 2 x 2.

Foto: gqmagazine – Platini com a camisa do Nacy Lorrane.

No mesmo ano participou dos Jogos Olímpicos em Montreal, Canadá, sendo o capitão da França. E dois anos depois esteve no grupo que disputou a Copa do Mundo de 1978, na Argentina. Infelizmente a França não foi tão bem, caindo ainda na primeira fase no grupo que tinha o time da casa.

Em seguida, mudou-se para o Saint-Étienne, onde, na temporada 80-81 conquistou a Ligue 1 pela primeira e única vez. Permaneceu na equipe auriverde até meados de 1982, saindo após a Copa do Mundo do mesmo ano.

Foto: Reprodução – Sua época de Saint-Etienne

E foi neste ano que Platini se elevou entre os grandes da época, fazendo um excelente campeonato mundial, levando a França à semifinal. Chegaria à final não fosse por um choque, já que após empatar com a Alemanha Ocidental em 1×1 durante o tempo normal e estar ganhando de 3×1 na prorrogação, permitiu o empate e perderia o jogo na decisão por pênaltis. O torneio seria conquistado pela Itália.

Então “Platoche” se mudaria para Turim na Itália, iria jogar na Juventus e se tornaria um dos maiores ídolos do clube alvinegro.

Chegou à Vecchia Signora juntamente com outro grande nome, o polonês Zbigniew Boniek. A Juventus formava a base da seleção italiana que venceu a Copa do Mundo passado, portanto, muitos jogadores daquela equipe estavam presentes: Dino Zoff, Gaetano Scirea, Claudio Gentile, Paolo Rossi e Marco Tardelli, todos titulares da azurra.

Por incrível que pareça, Platini enfrentou a imprensa italiana em sua chegada, até porque a concorrência no clube era muita. Mas sua qualidade técnica, sua inteligência em campo, seus dribles precisos, trataram logo de ultrapassar estes obstáculos. Tanto que passou os melhores anos de sua carreira vestindo a camisa da Juventus.

Foto: Reprodução – Com uma de suas Ballon’ Dor, enquanto na Juventus.

Entre os anos de 1982 e 1985, em três temporadas, a Juventus foi finalista duas vezes da Taça do Campeões Europeus (1982-83, 1984-85) – antiga Liga dos Campeões da Europa. Perdeu o primeiro para o Hamburgo, uma infelicidade, já que a equipe dominou completamente o rival alemão. Mas na segunda decisão, sairia como campeã contra o Liverpool, naquela que seria conhecida como a Tragédia de Heysel, com vários torcedores da Juventus mortos por atitudes de hooligans ingleses.

Platini se identificou em Turim. Tornou-se uma referência para os torcedores, passou a ser adorado e ter seu nome associado ao clube. Ele, literalmente, se sentia em casa. Uma de suas frases sobre o clube: “Ter jogado na Juve é como pertencer ao panteão de mitos do futebol”. Venceu o Campeonato Italiano de 1983-84 e 1985-86, e uma Copa da Itália de 1983.

E o período de vitórias não se resumia ao clube, pois em 1984 escreveria seu nome definitivamente entre os grandes do mundo e elevaria o nome de sua seleção ao patamar superior. Seria campeão da Eurocopa daquele ano.

Capitaneando o time francês, Platini marcou gol em todas as partidas do torneio, inclusive com direito a dois “hattricks” (3 gols) contra Bélgica e Iugoslávia na primeira fase. Sagrou-se o artilheiro da competição e o premio de melhor jogador da Eurocopa.

Foto: Agência Getty – Platini com a França campeã da Eurocopa de 1984.

Platini ainda foi o segundo jogador a conquistar por três vezes o Prêmio de melhor jogador da Europa, a Bola de Ouro, nos anos de 1983, 1984 e 1985. Mas foi o único a conseguir o feito de forma consecutiva (até a fusão com o premio da FIFA de Melhor do Mundo).

Aos 31 anos jogou a Copa do Mundo de 1986, levando a França ao 3º lugar, perdendo novamente para a Alemanha Ocidental. Encerrou sua carreira como jogador profissional no ano seguinte, para em 1988 assumir o comando técnico da seleção francesa, mas não conseguiu repetir o feito de jogador como treinador, apesar de permanecer 19 jogos invicto comandando os Bleus. A França ficou de fora da Copa do Mundo de 1990 (não comandou o time nas eliminatórias, o treinador da época foi Henri Michel) e caindo na primeira fase da Eurocopa de 1992, mesmo com Jean-Pierre Papin e Eric Cantona formando o ataque.

Mas as ambições não acabariam aí. Resolveu participar da política do esporte, assumindo o Comitê Organizador da Copa de 1998 e, futuramente seria eleito presidente da UEFA – União das Federações Europeias de Futebol – em 2007, órgão máximo que gere o esporte no velho continente. Sua vitória seria marcada pelo apoio das federações pequenas. Esta vitória emblemática (27 votos contra 23) acabou com o legado do sueco Lennart Johansson, que estava à frente da entidade desde 1990.

Platini sempre atuou em prol do futebol, várias modificações de regras que ajudam o esporte foram propostas por ele. É creditado a ele o fato do goleiro não poder pegar a bola recuada por um jogador de seu time, além da punição com cartão vermelho a faltas cometidas com carrinho por trás. Como presidente da UEFA, ainda teve como marca a valorização do jogador nacional (a regra do 6 + 5, onde as equipes devem ter pelo menos seis jogadores internos e os outros podem ser estrangeiros da União europeia), e o aumento de campeões nacionais na Liga dos Campeões da Europa. Aliás, está no meio de uma polêmica decisão, o desejo da ampliação da Liga dos Campeões para 64 clubes e assim extinguindo definitivamente a Liga Europa. Outras de suas decisões também influenciaram a FIFA, como o uso de árbitros auxiliares junto à linha de fundo. Por fim, acredita-se que será o próximo presidente da entidade máxima do futebol, se preparando para suceder Joseph Blatter quando este se retirar.

Sua influência no futebol não é pouca, seus feitos o elevam ao posto entre os maiores do mundo. De todas as formas Platini tem seu nome cravado no maior esporte do planeta. Como jogador ou dirigente, sabe-se que ele se sente em casa em meio ao esporte que ama.

Foto: Agência Getty – O presidente da UEFA.

 

SOBRE:

Nome completo: Michel François Platini

Nascimento: 21 de junho de 1955, em Jœuf, França

Clubes e Títulos:

Nancy

Division 2: 1974-75
Coupe de France: 1978

Saint-Étinne

Division 1: 1980-81

Juventus

Serie A: 1983-84, 1985-86
Coppa Italia: 1983
UEFA Super Cup: 1984
Taça dos Campeões Europeus: 1984-85
Copa Europeia/Sul-Americana: 1985

Seleção Francesa

Eurocopa: 1984
Ballon d’Or em 1983, 1984 e 1985.
Artilheiro da UEFA Euro: 1984 (9 gols)

Site sobre: michelplatini.org

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).