Prass 4 anos

  • por Luciano Amaral
  • 8 Anos atrás

Depois de quatro anos no Vasco, Fernando Prass não é mais o arqueiro vascaíno.

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Lembro-me como se fosse ontem, o Vasco contrata, para a disputa da série B, meses depois do pior ano da história do clube, Fernando Büttenbender Prass, um goleiro até então desconhecido por milhares de adeptos vascaínos.

Eu, pessoalmente, lembrei dele na hora, veio a minha mente, o “goleiro do Coritiba, aquele que usava par de chuteiras brancas”.
Vibrei muito, pois desde 2004, quando o vi em ação pelo próprio Coritiba e contra o próprio Vasco, o desejava vê-lo em ação e como goleiro do Vasco.

E ele veio, não jogou o estadual todo, me perguntava o que se passava na cabeça de Dorival Júnior (então técnico do Vasco na temporada). Tiago tinha a confiança dele e Fernando Prass, como ficou conhecido no Vasco, devido a grande quantidade de “Fernandos” no Vasco era seu reserva.

Veio então a primeira oportunidade, em um amistoso preparatório para a série B, o Vasco joga contra o Santa Cruz, Fernando Prass faz boas defesas, quando exigido, mas toma um gol de falta praticamente defensável, a bola passa por baixo da barreira e o goleiro, cai atrasado. Veio então a minha desconfiança, conversei com meu pai e disse:

É, está explicado, o goleiro não é bom, vem de lesão, não pode ser mesmo titular.

Logo depois, veio a série B e com Fernando Prass escalado no gol. Pra mim nada demais, algumas defesas e como todo bom goleiro, “sorte” em alguns lances, lembro-me agora de um lance em que o atacante Pedro Ayub recebe a bola sozinho pela esquerda e chuta, a bola toca na trave e volta aos braços de Fernando Prass, com Fábio Júnior chegando atrasado no lance.

A série B mostra a nós (torcedores vascaínos) quem era Fernando Prass, excelentes defesas em jogos difíceis demais, faz a torcida reverenciá-lo a cada partida. Os jogos contra o Paraná em São Januário, Vila Nova no Serra Dourada, Portuguesa no Canindé e Brasiliense no Serejão me fazem mudar a opinião que tive no amistoso contra o Santa Cruz, era ele, “goleiro do Coritiba, aquele que usava par de chuteiras brancas, aquele que o desejava ver no Vasco”.

A série B, graças a Deus, acaba, o Vasco sobe campeão e chega o ano de 2010, o Vasco faria então contra Friburguense e Resende, 2 jogos pelo estadual, no Estádio Raulino de Oliveira em minha cidade, veio a chance de poder ver um treino do Vasco, cujo as estrelas maiores daquele elenco eram Dodô (que vinha de um ótimo jogo contra o Botafogo, fazendo 3 gols na goleada de 6×0 aplicada pelo Vasco), Carlos Alberto (o centro das atenções de adeptos, jornalistas, etc.), Philippe Coutinho (jogador estilo xodó, já que já estava de malas prontas para a Internazionalle e tinha um futuro promissor) e ele, apelidado por muitos de “muralha da colina”, Fernando Prass.

 

Sempre gostei de ser goleiro, desde os 7 anos, até hoje nas peladas em campos e quadras de minha cidade. Observava ele e a “lenda” Carlos Germano treinando, enquanto muitos observavam os demais, eu fui o único a observá-los.
Até que Carlos Germano parou pra buscar água, não perdi a oportunidade e gritei:

– “Carlos Germano, sou seu fã, número 1”.

Ele retribuiu, com um sorriso (irônico, por sinal), e soltei outro.

– “Não só seu, de Fernando Prass também, mas muito mais seu do que dele, ele está chegando agora”.

Ele para de fazer o que está fazendo e me chama, soltando a dúvida:

– “Como é meu fã, se nem me viu jogar? Deve ter no máximo uns 20 anos rapaz”.

Rebati e disse que tinha 25 anos, e ele espantado disse:

– “Então me prove”.

Comecei a agradecê-lo, sim agradecê-lo, pelos 4 campeonatos cariocas (1992/93/94 e 1998), pelo Campeonato Brasileiro (1997), pela Libertadores (1998) e pelo Torneio Rio-São Paulo (1999). Dizendo que Fernando Prass seria assim no Vasco também.

Ele me interrompe sorrindo e solta:

– “Ok, já vi que é meu fã mesmo, Fernando para o treino aí, desce lá e pega uma camisa e dê a este rapaz, ele merece”.

Foi aí que comecei a trata-lo como ídolo, a gostar de suas camisas, logo, sem hesitar, pedi, que se possível pudesse tirar uma foto com Fernando Prass, pedido atendido, e quando ia saindo, ouvi um:

– “Hei, me bajulou pacas e vai embora sem uma foto”?

Tirada as fotos, agradeci e fui embora.

E como assunto não é sobre mim e sim sobre ele, Fernando Prass, assim como o Vasco vive um momento Pré Copa do Mundo, muito ruim, eliminado do estadual, faz uma boa campanha na Copa do Brasil, sai eliminado, invicto, dentro do Pacaembú pro Corinthians de Ronaldo e Mano Menezes, com um polêmico pênalti que o árbitro Leonardo Gaciba não marca em cima de Élton. Na partida de ida, Fernando Prass opera um de seus milagres, Elias recebe ótimo passe de Otacílio Neto e frente a frente com Fernando Prass, chuta da pequena área, Fernando Prass com o pé, joga pra escanteio.
No Campeonato Brasileiro, junto com o time vinha mal, ocupando a vice lanterna da competição com apenas uma vitória, frente ao Internacional em São Januário.
O Vasco volta após a Copa do Mundo e com muitos empates, acaba terminando a competição em 11º, tendo como destaques Dedé e Fernando Prass. Fernando Prass tendo como jogo chave para si, o empate em 0x0 contra o maior rival, Flamengo, com 4 lances chaves no jogo, 1º defende uma cobrança de falta, nada mais nada menos do que de Deján Petkovic. E já no final do jogo, cata em sequência 3 finalizações de Vinícius Pacheco, Cristian Borja e Juan.

Terminado o ano, Fernando Prass e Vasco renovam o vínculo até dezembro de 2014. O ano não começa nada bem para ambos, com 4 derrotas consecutivas no campeonato carioca, a confiança parecia abalada, nada dava certo, o técnico PC Gusmão era demitido e o Vasco acerta a contratação de Ricardo Gomes.

 

Logo no 1º jogo da era Gomes, o Vasco empata em 0x0 com o Volta Redonda em São Januário. No 2º jogo, o Vasco vence por 3×0 o Americano e Fernando Prass defende pênalti e no 3º, faz sonoros 9×0 no América, Fernando Prass não foi exigido, foi um mero expectador da partida. Com as atenções voltadas a equipe, pela sequência negativa no início, tudo indicava que o Vasco melhoraria, o time goleia o Comercial do Mato Grosso do Sul por 6×1 e logo depois em sua estreia no 2º turno do Estadual, o Vasco perde para o Macaé por 3×1. Derrota logo esquecida pelos jogadores que focam a Copa do Brasil, título inédito para o clube, claro, se importando também com o Estadual. O Vasco chega a final da Taça Rio contra o Flamengo e depois de um 0x0 a partida vai para os pênaltis, o Vasco de 4 cobranças, erra 3 e perde o título, mas nada que abale o time, focado na Copa do Brasil.
Depois de 1 mês, a Copa do Brasil foi conquistada, Fernando Prass, teve seu destaque no jogo de ida, na Arena da Baixada, defendendo várias finalizações do Atlético Paranaense de Paulo Baier e companhia, nas quartas de finais. Na final, justamente no palco onde Fernando Prass fora consagrado como ídolo, dessa vez foi xingado, vítima de várias ofensas, o Couto Pereira o Vasco e ele levantam o troféu de campeão da Copa do Brasil, Fernando Prass, então capitão da equipe levanta o troféu e se torna cada vez mais ídolo.

Aproveitando o embalo, a equipe vai bem nas outras duas competições em que jogou em 2011, obtendo o 3º lugar na Copa Sul Americana e o 2º (ainda que muito contestado por muitos adeptos vascaínos, pelo fato de o árbitro Péricles Bassols ter interferido nos 2 jogos contra o rival Flamengo) no Campeonato Brasileiro. O jogo dele que não sai de minha cabeça, é o confronto contra o Atlético Goianiense, no Serra Dourada, jogo que se não fosse Fernando Prass, o Vasco teria sido facomente goleado.  Fernando Prass, assim como o Vasco termina bem o ano, é votado como o 3º melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, na premiação “Craque do Brasileirão” do canal Sportv e o melhor na “Bola de Prata” da Revista Placar e do canal ESPN Brasil. Chega 2012 e Fernando Prass, cada vez mais ídolo, começa bem o estadual, junto com o time chega as finais da Taça Guanabara (1º turno do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro), com boas atuações, mas assim como o time, se perde e fica sem o título. Na Taça Rio (2º turno do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro), mais uma vez, com boas atuações, chega novamente a decisão do turno, mas assim como no 1º turno, perde o título, dessa vez para o Botafogo.

Bom as atenções eram voltadas a Taça Libertadores, Fernando Prass, vai “operando os seus milagres” e o Vasco jogando bem a competição até parar no campeão Corinthians, a equipe vem bem no campeonato brasileiro, Fernando Prass estabelece a marca de 7 jogos consecutivos sem tomar gols, catando inclusive, 2 pênaltis seguidos, contra o Grêmio na estreia do campeonato e contra o Figueirense em Florianópolis, pra desespero de Loco Abreu, que estava nas sociais do estádio, torcendo para o seu “novo” clube, igualando se a Acácio no próprio Vasco da Gama. Porém num lance em que corta mal o cruzamento de Ronaldinho Gaúcho, a bola sobra para Jô que completa para o gol vazio. Depois disso, falhou no gol do rival Flamengo, no 1º turno ao soltar um chute fraco de Ramón nos pés do atacante Vagner Love, dando a vitória ao rival.
O ano foi se passando e Fernando Prass vê o clube dando adeus a uma vaga na Taça Libertadores da América do ano seguinte, se despede fazendo duas defesaças no ano. A 1ª numa cabeçada de Réver, do Atlético Mineiro aos 48 minutos do 2º tempo, dando o título do campeonato ao Fluminense e a 2º se redimindo de sua falha no 1º turno, contra o rival Flamengo numa cabeçada de González, Fernando Prass se esticou todo e evitou o gol.
Mas nem tudo que reluz é ouro, Fernando Prass, com 3 meses de salários atrasados, rescinde no fim de 2012 o seu contrato e não é mais o arqueiro vascaíno, como diz o título acima.
Vá com Deus Fernando Prass, seja feliz na sua nova caminhada, sempre torcerei por você, onde quer que esteja.
E aí doentes, conseguirá Fernando Prass, ser o verdadeiro sucessor de São Marcos no gol alviverde?

 

 

Ficha de Fernando Prass:
– Clubes: Grêmio, Francana (SP), Vila Nova, Coritiba, União de Leiria (POR), Vasco da Gama e Palmeiras

– Títulos:

Campeonato Goiano (2001), Copa Sul e Campeonato Gaúcho (1999), Bi Campeonato Paranaense (2003/04), Série B (2009) e Copa do Brasil (2011)

– Títulos pessoais:

Goleiro menos vazado do Campeonato Goiano – 2001
Goleiro menos vazado do Campeonato Paranaense – 2002, 2003, 2004
Melhor goleiro da temporada de 06/07 segundo jornal “A Bola” de Portugal.
Goleiro menos vazado do Campeonato Brasileiro Série B – 2009
No dia 31 de julho de 2011 alcançou a marca de 150 jogos pelo Vasco da Gama, junto à marca de 100 jogos consecutivos, uma marca histórica.
Bola de Prata 2011

(Fonte: Wikipédia)

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Luciano Amaral é secretário de sua igreja, professor de educação física, tem 27 anos e fanático por futebol, tem como time de coração o Vasco da Gama, graças a Edmundo em 1996. Na Europa, torce pelo Milan, desde 1995 pra ser exato. Gosta de todos os campeonatos europeus desde a Itália até o Chipre. Adora saber de curiosidades sobre o futebol.