Relato de um pequeno torcedor e seu primeiro título no estádio

  • por Bráulio Silva
  • 6 Anos atrás

* Por Gabriel Junio

 



Aulas de Português ou Matemática? Que nada! Acordei pensando apenas em uma coisa: como estaria o Morumbi na noite de quarta? 

O dia demorou a passar. E cada minuto que passava me sentia mais perto de realizar um sonho. Ver o meu time levantar um troféu em campo.

Chegou a hora que combinamos sair de casa. Mas só eu estava pronto. Já tinha jantado e estava esperando os amigos do meu pai chegarem do trabalho. Eram 19h30 quando partimos para o Morumbi.

Todos os caminhos pareciam nos guiar até lá. Trânsito na Castelo Branco e também na Marginal Pinheiros. Quando estávamos perto do Clube Paineiras, vi o ônibus do time, também a caminho do estádio. Nem sei se algum jogador me viu. Mas vi eles passando e fiquei feliz por isso. Dei um grito: “Vamo tricolor!”. Quem sabe é uma ajuda para eles.

Tinha mais de 60 mil pessoas nos arredores do Morumbi. O clima era o melhor possível. O Fábio comprou duas faixas de campeão. Uma ficou comigo, mas prometi ao meu pai que só usaria após o fim da partida. O começo do jogo aproximava-se cada vez mais e eu estava muito ansioso.

Pegamos a fila e subimos a rampa rumo a arquibancada. Já fiz aquele caminho algumas vezes, mas para um jogo que valia título e com tanta gente era a primeira vez. Olhava ao redor e via muita gente emocionada com isso. Eu estava feliz.

Entramos no estádio e ficamos perto da torcida organizada. Não demorou muito e surgiram as escalações no telão. O nome que mais vibrei foi o do Lucas. Ele foi vendido para o PSG e fará falta para o São Paulo no ano que vem.

O jogo começou bem sem graça. O Tigre marcava muito e o São Paulo não encontrava espaços. Rogério fez uma defesa linda e todos vibraram. O primeiro gol saiu rápido. O time fez um contra-ataque e a bola sobrou para o Lucas. Falei pra todo mundo que ele faria um gol no jogo de ontem. Ele chutou bem com a perna esquerda e fez 1×0 pra nós.

Logo depois, o Osvaldo recebeu e deu um toque de cobertura que matou o goleiro. Assim, nós abrimos 2×0 no placar. O estádio inteiro gritou “olé”, fez ola e em campo os jogadores davam dribles lindos. 

Depois teve uma confusão com o Lucas. Um monte do outro time quis ir bater nele. No rádio, meu tio ouviu que ele estava com o nariz sangrando. O time argentino bateu demais no jogo todo. Teve confusão, todo mundo gritando “porrada, porrada”. Mas não aconteceu nada.

A torcida ficou cantando no intervalo. Deu 15, 20, 25 minutos e nada do Tigre voltar para o jogo. Alguns com rádios seguiam informando o que acontecia. Falavam de briga, de armas. Eu só queria fazer a festa. Com 11 anos, estava no jogo que meu time estava sendo campeão. 

Nem teve segundo tempo. A torcida vibrou muito, vi a volta olímpica e o Lucas foi campeão. Queria ver o segundo tempo, mas foi até bom para os argentinos fugirem. Eles iriam tomar goleada. Foi a segunda vez que eu vi um jogo acabar antes da hora certa. A outra foi ontem, quando acabaram o jogo para homenagear o goleiro Marcos.

É campeão, é campeão! Ano que vem tem Libertadores, Recopa e Sul-Americana. Já falei que quero ir nesses jogos com meu pai, e quem sabe quando tiver 18 ou 19 anos eu possa ser um jogador lá no campo do Morumbi?

* Gabriel Junio é filho do nosso colunista Bráulio Silva. Ambos foram para o Morumbi acompanhar a final e foi a primeira vez que Gabriel viu o time dele ser campeão. O Gabriel sonha em ser jogador, e dizem levar jeito pra isso!

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.