Retrospectiva Vasco da Gama 2012

  • por pedroh
  • 8 Anos atrás
trem bala da colina

Foto: Paixãovasco.com.br – Trem Bala da Colina 2011


 

Mercado nada promissor

O ano de 2012 começou cheio de esperanças após um 2011 de renascimento do time, com o título da Copa do Brasil, a vaga assegurada da Libertadores 2012, uma disputa cabeça a cabeça com o Corinthians e uma boa campanha na Copa Sul-Americana.

No início do ano, o Vasco perdeu peças importantes do seu elenco, como o volante/lateral Jumar e o meia talismã Bernardo. Trouxe o zagueiro Rodolfo, o lateral Thiago Feltri, o meia Carlos Alberto (retornando de empréstimo), além do atacante Carlos Tenorio. De fato, nada animador para quem teve seis meses para se planejar para a Libertadores.

1º semestre turbulento

A temporada começou com os salários atrasados e o elenco decidiu não fazer a concentração para as primeiras partidas da Taça Guanabara, mas a união do time superou as adversidades fora de campo e o Vasco elencou quatro vitórias consecutivas contra times de menor expressão. O primeiro teste da temporada veio recebendo o Nacional de Montevidéu pela Libertadores, onde um revés por 2 a 1 causou rusgas na relação entre a torcida, o time e o treinador Cristóvão Borges.

Após mais uma sequência de quatro vitórias na TG, desta vez vencendo a dupla Fla-Flu, veio a final do turno contra o Fluminense e uma forte derrota por 3 a 1, decretando a vitória tricolor. Depois disso, o Vasco foi cercado por desconfiança contra um novo duelo pela Libertadores, o Allianza Lima, que mesmo com 2 pênaltis desperdiçados por Alecsandro, saiu vitorioso graças a um terceiro, desta vez convertido por Juninho Pernambucano.

Conseguindo conciliar Carioca e Libertadores, o Vasco classificou-se antecipadamente para o mata-mata do torneio continental, conseguindo vitórias fora de casa contra o Allianza e o Nacional, e estava novamente na final do turno do estadual, após uma vitória convincente sobre o Flamengo por 3 a 2, com uma bela partida do meia Felipe. A derrota para o Botafogo na final por 3 a 1, no jogo marcado pela gandula, feriu o orgulho da torcida que vaiou o time durante o difícil jogo contra o Lanús pelas oitavas da Libertadores. Mesmo com uma vitória por 2 a 1 em São Januário, era o Vasco que sofria mais perdas na disputa.

Na Argentina, mais uma partida tensa, mas um belo gol do volante Nilton, escalado em cima da hora por Cristóvão, fez a disputa ir para os pênaltis, com vitória do Vasco. Assim, o cruzmaltino classificou-se para as quartas contra o Corinthians.

Cristóvão demitido.

Foto: radar64.com – Cristóvão é demitido.

Em dois jogos de muita tensão, após um gol de Alecsandro anulado no final do 1º jogo e um gol absurdamente perdido por Diego Souza no 2º, o Vasco foi punido aos 87 minutos com um gol de Paulinho, eliminando o time de São Januário.

2º semestre de vendas e declínio

A eliminação não pareceu perturbar a nau vascaína no Brasileirão, que enfileirou 4 vitórias seguidas e um empate nos 5 primeiros jogos, disputando a liderança cabeça a cabeça com o Atlético Mineiro. Veio a primeira derrota na competição em casa para o Cruzeiro, resultado que transformou uma relação já desgastada da torcida com o técnico em um clima insuportável.

Mesmo assim, Cristóvão seguiu no comando e o Vasco fez 21 pontos nos 10 jogos seguintes, perdendo somente para o líder Atlético Mineiro fora de casa. Nesse período, com o intuito de pagar os salários atrasados, o presidente Roberto Dinamite vendeu Fagner, Allan, Rômulo e Diego Souza, peças chave na equipe, que começou a cair de vez após ceder um empate para o Coritiba por 2 a 2 aos 89 minutos, após ter conseguido a virada aos 83.

Depois, foram 3 derrotas consecutivas, sendo 2 em clássicos que estremeceram ainda mais a relação do técnico com a torcida, que protestava severamente chamando-o de burro a cada alteração e cobrando um “técnico de verdade”. Até que veio uma devastadora derrota em casa para o Bahia por 4 a 0. A situação ficou insustentável e resultou no pedido de demissão de Cristóvão Borges.

Foi contratado Marcelo Oliveira, recém demitido do Coritiba. Com o novo técnico, o Vasco empatou com Cruzeiro e Ponte Preta e foi vendo os líderes Fluminense e Atlético-MG se distanciarem ainda mais. Venceu Figueirense, Atlético-GO e um jogo de seis pontos contra o São Paulo, que chegava perto na disputa pela ultima vaga na Libertadores, e em mais um momento de decisão, veio o revés em casa por 2 a 0. A torcida trocou o alvo dos protestos para o presidente Dinamite, criticando-o pelas vendas efetuadas que desmancharam o time e por não ter recebido o dinheiro por elas (os árabes não pagaram por Diego Souza e o dinheiro da venda do Rômulo ficou preso por questões jurídicas com o Porto-PI).

Com todo esse clima desfavorável, veio mais uma derrota, novamente no campo jurídico, onde o Vasco teve 100% das suas receitas penhoradas (situação que se mantem até hoje), o que gerou a constrangedora situação de demitir o técnico Marcelo Oliveira após uma derrota por 3 a 0 para o Sport em casa, sem que o mesmo não tenha recebido nenhum pagamento nos 3 meses que trabalhou no clube.

Acumulando seis derrotas seguidas, Dinamite entregou o comando técnico da equipe para o auxiliar técnico Gaúcho, que de alguma maneira conseguiu reunir os cacos e evitar um final de ano menos melancólico, computando 2 empates e 2 vitorias e terminando o Campeonato Brasileiro em um bom 5º lugar, mas decepcionante, tendo em vista que o time do inicio do torneio poderia mais.

Assim, o Vasco acabou 2012 com uma situação financeira complicadíssima, com alguns meses de salários atrasados e com situações indefinidas de seus principais jogadores: Fernando Prass, Dedé e Juninho Pernambucano. A diretoria anunciou a volta do técnico Ricardo Gomes como coordenador técnico e de Renê Simões como diretor executivo, tentando se organizar para um 2013 melhor.

 

Comparação: Fica aqui para o leitor comparar os times que terminaram o ano do Vasco em 2011 e 2012.

Vasco fim de 2011: Prass; Fagner, Dedé, Renato Silva, Jumar; Rômulo, Eduardo Costa, Juninho; Diego Souza, Eder Luis e Elton (Alecsandro). Tec: Cristóvão Borges.

Vasco fim de 2012: Prass; Jonas, Douglas, Renato Silva e Thiago Feltri; Nilton, Wendell, Juninho e Marlone; Eder Luis e Tenorio.
Tec: Gaúcho.

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Vascaino, macho, contador e humorista de twitter.