Roger Milla: o “Leão Camaronês”.

  • por Rogério Bibiano
  • 5 Anos atrás

ROGER MILLA

Mama África na área! E, falando em área, a coluna de hoje é sobre um dos maiores jogadores de área do futebol africano: Roger Mooh Miller, conhecido mundialmente pela alcunha de Roger Milla. Nascido em 20/05/1952, em Yaoundé-CMR; filho de um ferroviário, morou em várias cidades do país, graças ao ofício do seu pai. Aos treze anos de idade, entrou nas categorias de base do Éclair Douala, onde permaneceu por cinco anos.

Em 1970, Roger Milla assinou contrato com o Léopards Douala. Lá foi bi-campeão camaronês em 1972/73, destacando-se como um dos melhores jogadores da equipe e do país, nas duas conquistas.

Em 1974, mudou-se para o Tonnerre de Yaoundé, numa das maiores transferências da história do futebol camaronês. No seu primeiro ano pelo clube da capital, participou da campanha do vice-campeonato nacional, perdido para o grande rival, o Cannon. Ao todo, foram três anos no Tonnerre, com a conquista da primeira edição da Copa Africana dos Vencedores de Copa, em 1975. Em 1976, foi vice-campeão da referida competição, com atuações de destaque que lhe valeram a Bola de Ouro, como melhor futebolista da África.

Em 1977, Milla transferiu-se para o futebol francês, mais precisamente para o Vallenciennes. Na nova casa, não teve sequência, seja por opção do treinador, seja por seguidas lesões. Em 1979, transferiu-se para o Mônaco, onde também não teve a sequência esperada e ficou até 1980. De 1980 até 1984, jogou no Bastia. Apesar dos quatro anos na equipe, onde, em geral, fez bons jogos nas poucas oportunidades que teve, era pouco utilizado pelo treinador Antoine Redin, com quem não tinha bom relacionamento em função disto.

Em 1984, foi jogar no Saint-Étienne. No clube verde francês, Roger Milla teve um ótimo desempenho, sendo uma das estrelas da equipe nos dois anos em que atuou. Em 1986, foi para o Montepellier, onde seguiu com boas atuações, transformou-se num ídolo do clube pelo qual declarou sua paixão, e permaneceu lá até 1989. 

Aposentado do futebol profissional, foi morar no arquipélago de Reunião (um departamento francês que fica no Oceano Índico  próximo a Madagascar), onde atuou no futebol semi-profissional local, sagrando-se campeão em 1990, pelo JS Saint-Pierroise. 

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Pela Seleção, foi convocado pela primeira vez em julho de 1978. Era o início de um projeto que teve a primeira grande geração do futebol de Camarões e culminou com a inédita classificação para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Roger Milla foi um dos líderes desta ótima equipe, que, além de ir à Copa do Mundo, foi finalista três vezes consecutivas da Copa Africana das Nações, em 1984, 1986 e 1988, conquistando a taça em 1984/1988 e entrando definitivamente na galeria dos ídolos do país.

Em janeiro de 1990, Roger Milla despediu-se da Seleção em grande estilo, num amistoso que envolvia seus amigos do futebol contra a Seleção Camaronesa. Jogo disputado no estádio Omnisports, na capital Yaoundé, para uma multidão fanática de 150.000 torcedores, algo até então inimaginável e, de certa forma, surreal.

Quando tudo parecia normal, aos 38 anos, com bons serviços prestados ao futebol, surge uma reviravolta em sua vida. Após um péssimo desempenho na Copa Africana das Nações de 1990, disputada em março, às vésperas da Copa do Mundo da Itália, o presidente da República, Paul Biya, demitiu toda a comissão técnica. O próprio presidente contratou o russo Valeri Nepomnyashchi e encarregou-se de pessoalmente ligar para o aposentado Roger Milla e solicitar seu retorno à Seleção. O pedido foi aceito, ainda que na imprensa camaronesa houvesse inúmeras criticas pela postura adotada pelos dois.

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Roger Milla homenageado com selo em seu país, com a imagem do gol contra a Colômbia na Copa do Mundo 1990 (acima).
Foto: Getty Images.

Aos 38 anos, Roger Milla entrou definitivamente para a história, ao tornar-se o jogador mais velho a marcar em Mundiais. Mais do que isto, foi figura importantíssima na campanha de Camarões, a primeira seleção africana a chegar às quartas-de-final de uma Copa do Mundo (feito igualado por Senegal em 2002 e Gana em 2010). O futebol alegre de passadas largas em velocidade e arremates precisos fizeram dele uma celebridade do esporte e colocaram Camarões de forma definitiva no mapa do futebol. Em 1994, mais pelo carisma, é convocado para jogar a Copa dos Estados Unidos e, apesar da campanha ruim dos Leões Indomáveis, marca o gol de honra contra a Rússia, reestabelecendo uma nova marca ao seu próprio recorde de 1990, tornando-se, aos 42 anos, o jogador mais velho a marcar em um Mundial.


Milla atualmente reside em Yaoundé, é embaixador da ONU para causas africanas. Também preside a fundação Coração da África (em francês Couer d’Afrique), uma organização filantrópica que busca, através do futebol, oportunizar uma melhor condição de vida para crianças camaronesas menos favorecidas. Cidadão simples e humilde, conhecedor da sua importância para a sociedade, Roger Milla é ídolo por onde passa, um exemplo dentro e fora de campo, o verdadeiro e original Leão Camaronês.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.