Clássicos DPF – São Paulo 2×1 Barcelona em 1992

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

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20 anos do primeiro mundial do São Paulo.

O mês de dezembro é repleto de lembranças para o torcedor são-paulino. O clube foi fundado em 16 de dezembro de 1935. Os mundiais foram conquistados nos dias 13 de dezembro (1992), 14 de dezembro (1993) e 18 de dezembro (2005).

Assunto para diversos “jogos históricos”. Hoje falaremos da final de 92. Conquista que o São Paulo homenageia desde o começo do ano, no uniforme e com uma programação especial, inclusive com um cruzeiro marítimo com alguns jogadores da época participando.

Em 1992, o São Paulo conquistou pela primeira vez a Libertadores da América ao derrotar o Newell’s Old Boys-ARG nos pênaltis. Depois de um começo de campeonato vacilante, o time se encontrou e conquistou o título.

Com a conquista, o tricolor foi convidado a participar de torneios amistosos na Espanha. Entre eles o Tereza Herrera e o Ramón de Carranza. Com o time voando fisicamente, com grandes jogadores no auge e com os rivais ainda em ritmo de pré-temporada o São Paulo conquistou resultados pra lá de expressivos. Como goleadas sobre o Real Madrid (4×0) e o Barcelona (4×1). Aliás, o Barcelona seria o adversário da final do Mundial em Tóquio.



O time do lendário Johan Cruyff havia sido campeão da Champions League contra a Sampdoria. E antes das gerações de Ronaldinho e Messi, era considerado o melhor Barça da história, contando com nomes como Zubizarreta, Guardiola, Koeman e os craques Laudrup e Stoichkov, que eram o motor e o cérebro da equipe.

Uma semana antes de viajar ao Japão, o tricolor realizou a primeira partida da final do Paulistão daquele ano, contra um Palmeiras renascido com o dinheiro da Parmalat. Num jogo equilibrado, o São Paulo venceu por 4×2 e viajou para Tóquio.

Em Tóquio os catalães menosprezavam o São Paulo. Davam total importância ao jogo e diziam que venceriam, até com certa facilidade.

O jogo começou de forma totalmente equilibrada, com chances dos dois lados. Aos 12 minutos, na primeira chance real do Barça, um golaço! Stoichkov recebeu na entrada da área e de perna esquerda acertou o ângulo de Zetti. O gol não intimidou os brasileiros, que continuaram indo ao ataque e criaram boas chances com Cafu e Ronaldo Luiz.

Aos 27 minutos, o empate tricolor. Palhinha lançou Muller que apostou corrida com o lateral Ferrer. O drible foi seco, desconcertante! Mas o cruzamento não foi dos perfeitos. Raí tentou de barriga, coxa… Mostrando estrela a bola bateu nele e entrou. E a igualdade era justa no placar.

Na sequência, por pouco não saiu a virada. Toninho Cerezo deu dois lançamentos perfeitos. No primeiro, Zubizarreta saiu do gol e impediu a finalização de Raí. No segundo, Muller deu um tapinha de cobertura e a zaga conseguiu afastar sobre a linha. No fim do primeiro tempo um lance emblemático. Laudrup recebeu na esquerda, cortou Vítor e bateu no canto, sem chances para Zetti. Mas ali estava o pé salvador de Ronaldo Luiz! Lateral que ficou marcado por ser o anjo da guarda de Zetti, com várias bolas salvas sobre a linha.

Depois do intervalo os times voltaram partindo pra cima, mas com as defesas mais atentas. Então o jeito foi apostar em chutes de fora da área. O Barça primeiro, com Stoichkov. O São Paulo respondeu com Pintado. Em seguida, outro lindo lançamento de Cerezo que encontrou Ronaldo Luiz livre na esquerda. Ele avançou e cruzou, mas Zubizarreta antecipou-se a Palhinha.

Aos 15, um lance que todos os são-paulinos temiam – falta na entrada da área, com Koeman indo pra cobrança – por sorte, a bola subiu demais. Depois, só deu São Paulo. Chances com Raí, Palhinha, Cafu e Cerezo. Sempre bem interceptadas pela defesa catalã.

E aos 34 minutos do 2º tempo, o lance que entrou para a história. Palhinha recebeu a bola na intermediária, tentou o drible, mas sofreu a falta. Raí se apresentou para a cobrança, com Cafu ao seu lado. O meia rolou, Cafu parou e Raí chutou. A viagem da bola parecia uma eternidade. Chute no ângulo, no contrapé do goleiro Zubizarreta. A comemoração fugiu das características da equipe. Todos os jogadores foram em direção ao banco de reservas comemorar com o treinador Telê Santana.

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Aliás, um parênteses sobre o treinador tricolor. Telê era visto como teimoso, burro, inventor e muito, muito pé frio. Chegou ao time no fim de 1990 e na primeira final já perdia um título para um grande rival, o Corinthians. Mas na sequência uma enxurrada de conquistas, que lhe valeram um lugar na história.

Do gol da virada em diante, o que o São Paulo fez, foi administrar o resultado. Com toque de bola e sempre no ataque, sem levar sustos. Novamente um clube brasileiro tinha o mundo aos seus pés. E pela primeira vez pudemos ver:

São Paulo, campeão mundial de clubes!

Ficha Técnica:

Data: 13/12/1992
Estádio: Nacional de Tóquio
Cidade: Tóquio – Japão
Árbitro: Juan Carlos Loustau
Público: 60.000

FC Barcelona: Zubizarreta, Eusebio, Ferrer, Koeman e Witschge; Bakero (Goikoetxea), Guardiola e Amor; Beriguistáin (Nadal), Stoichkov e Laudrup.
Treinador: Johan Cruyff


São Paulo FC: Zetti, Vítor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luiz; Pintado, Cerezo, Cafu e Raí; Palhinha e Muller.
Treinador: Telê Santana

 Jogo na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=tLYpfbeAXN0

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.