Sport anuncia seu novo treinador: Oswaldo Alvarez

Vadão comemora a boa campanha do Guarani no Paulistão: aí reside a esperança da torcida do Leão. (Imagem: Ari Ferreira)

Tempo de definições no Leão. Ontem, o recém-anunciado diretor de futebol Milton Bivar confirmou o nome do treinador que terá a missão de reconduzir o clube à Série A: Oswaldo Alvarez, o Vadão. O técnico estava sem emprego desde que deixou o Guarani, em outubro. No Bugre, seu trabalho teve dois momentos: o time teve um grande campeonato paulista, chegando à final, quando foi derrotado pelo Santos. Vadão levou o prêmio de melhor treinador do estadual, mas na Série B, o Guarani sofreu um desmonte e fez um péssimo segundo semestre. O time não se encontrou e terminou sendo rebaixado, e Vadão nem sequer se manteve no cargo até o final do torneio.

A escolha do treinador parece ser a repetição de uma estratégia de sucesso: quando Milton Bivar era presidente do clube, no biênio 2007-2008, ele optou por um técnico com o mesmo perfil: veterano, porém em baixa. O escolhido à época foi Nelsinho Baptista, que acabara de ser rebaixado à Série B com o Corinthians. O técnico assumiu o clube sob forte desconfiança, mas não tardou a conquistar definitivamente o torcedor e se tornar um dos maiores nomes da história do clube. O Sport teve, então, um dos melhores anos da sua história sob a batuta do experiente Nelsinho, faturando o campeonato pernambucano e uma inédita Copa do Brasil, um dos maiores títulos da história do clube. Mais uma vez, o Leão terá um treinador em baixa, mas experiente e com muitas histórias para contar.

Com o Carrossel Caipira, Vadão surpreendeu o Brasil. De lá pra cá, poucos resultados expressivos. (Imagem: Arquivo Lance!)

A mais gloriosa delas é o time que ficou para a história como o “Carrossel Caipira”. Vadão, então iniciando sua carreira, montou no Mogi Mirim um time super ofensivo, que não conquistou títulos, mas ficou guardado na memória do torcedor brasileiro e revelou vários jogadores que tiveram carreiras de destaque. O maior expoente do “carrossel” foi o meia-atacante Rivaldo, lendário camisa 10, multicampeão por clubes e pela Seleção. Outros nomes revelados pelo Mogi, como o meia Válber e o atacante Leto, também conseguiram marcar seus nomes no futebol brasileiro dos anos 90. O Sapão foi, acima de tudo, uma experiência tática de sucesso: nele, Vadão foi um dos precursores brasileiros do 3-5-2, que havia fracassado com a Seleção na Copa de 90 e foi brilhantemente resgatado pelo então novato treinador. O “Carrossel” tinha ainda uma característica que fazia jus ao seu apelido: os jogadores não guardavam posição, se aproximando da filosofia de jogo da Laranja Mecânica de 74 e 78.

Oswaldo Alvarez teve ainda outros (poucos) momentos de sucesso. Conquistou uma Série C com o XV de Piracicaba, um título paranaense com o Atlético, um torneio Rio-São Paulo com o Tricolor paulista e um acesso à Série A com o Vitória, além de uma Supercopa Japonesa com o Verdy Tokyo. No entanto, como aquele ator que não consegue se dissociar de uma personagem de sucesso, Vadão ainda tem como maior referência de sua carreira a formação do “Carrossel Caipira” – não por ter conseguido no Mogi um desempenho insuperável, e sim por jamais ter feito outro trabalho sequer próximo em termos de futebol apresentado. O desempenho com o Guarani no primeiro semestre de 2012 é a réstia de esperança da torcida rubro-negra, receosa de encontrar não o Vadão que surpreendeu o Brasil com suas inovações táticas há exatos 20 anos, mas sim o treinador que jogou fora quase todas as chances que teve nas últimas duas décadas.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.