TORCIDA ÚNICA NO MINEIRÃO

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Reprodução: Imagem ilustrativa do novo Mineirão.

Uma das mais polêmicas decisões tomadas pelo comando do futebol mineiro é a situação de torcida única nos clássicos disputados entre Cruzeiro e Atlético.

Esta decisão iniciou-se logo que o Mineirão, maior estádio de Minas Gerais, foi fechado para as obras da Copa do Mundo de 2014. Os jogos entre as duas maiores equipes do estado seriam realizados em estádios menores em outras cidades – o estádio Independência, também na capital, passava por reforma de modernização. Com o argumento de que haveria falta de segurança com as duas torcidas, decidiu-se que a equipe mandante tivesse o direito de ter seus adeptos nas arquibancadas. A determinação ocorreu com o consentimento da diretoria dos dois clubes e da Federação Mineira de Futebol (FMF), e com o aval do Corpo de Bombeiros e da Policia Militar do estado.

Foto: Reprodução – Vista interna atual do Mineirão.

Seguindo-se a isso, com torcida única já foram disputados sete partidas. Em 2010, durante o Campeonato Brasileiro, o primeiro jogo ocorreu com torcida atleticana, na Arena do Jacaré em Sete Lagoas (Cruzeiro venceu pelo placar de 1 x 0), e a segunda partida foi no Estádio do Sabia, em Uberlândia, já com torcida da equipe celeste (desta vez foi vitória do galo por 4 x 3).

A decisão prosseguiu no ano seguinte nas três partidas disputadas no Campeonato Mineiro, seguindo para o Brasileirão 2011, com os jogos do turno e do returno acontecendo em Sete Lagoas. No primeiro jogo somente torcedores do alvinegro, mas com vitória cruzeirense por 2×1. A outra partida foi a fatídica e controversa goleada por 6 x 1 que o Cruzeiro aplicou no rival, na última rodada do brasileirão e impediu a queda do time azul para a segunda divisão.

Em 2012 mais dois clássicos foram disputados no torneiro nacional, desta vez no novíssimo Independência. A primeira partida, com mando do Cruzeiro, foi marcada por duas situações: o golaço de Ronaldinho Gaúcho e a falta de educação da torcida presente, jogando objetos no gramado, fato que culminou na suspenção de jogos do time da raposa no estádio (o embate terminou em 2 x 2). A partida da volta foi mais tranquila, com apenas torcedores do Atlético, vencendo por 3 x 2 e garantindo a passagem direta para a fase de grupos da Libertadores.

Com as obras do Mineirão chegando ao fim e a promessa de reabertura do estádio para o inicio de 2013, acreditava-se que a decisão de torcida única seria posta de lado e permitido que cruzeirenses e atleticanos estivessem juntos. Bem, não é o que está acontecendo.

Foto; Reprodução: Gilvan Tavares, presidente do Cruzeiro.

O governador do estado, Antônia Anastasia, chegou a anunciar o jogo com as duas torcidas na data de três de fevereiro de 2013, como um presente para os mineiros, mas um impasse entre Gilvan Tavares e Alexandre Kalil, presidentes de Cruzeiro e Atlético respectivamente, coloca em xeque a promessa do governador. Mas segundo o que a imprensa mineira vem noticiando, este assunto está longe de terminar. Caso não haja acordo entre as partes, o Cruzeiro decidirá por apenas seus torcedores no recinto.

Foto: Reprodução – Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro.

A diretoria da raposa quer garantias do mandatário atleticano de que em outras partidas com o galo mandante, também haja a abertura para os seus torcedores, independente da competição disputada. Esta dúvida do comando do Cruzeiro surge pelo fato do acordo do Atlético com o estádio Independência, que permite ao clube alvinegro a administração do estádio e assim explorar a imagem e disputar suas partidas no recinto. Caso opte por mandar seus jogos “em casa”, por questões de segurança, não haveria a possibilidade das duas torcidas.

A polêmica então paira sobre esta decisão, já que caberia ao Atlético resolver mandar jogos no Mineirão para que a situação seja contornada, mas a diretoria do clube diz que não se pronunciará sobre o caso por agora.

Foto: Reprodução: Torcida atleticana lotando o Mineirão.

Por outro lado, a FMF se pronunciou, informando que os preparativos para esse jogo ainda não foram discutidos, o somente no início do ano será tomada alguma decisão.

O maior clássico de Minas Gerais jamais deveria ser jogado sem os torcedores dos clubes, é uma medida embaraçosa, mas que deveria perdurar em caso de estádios menores onde não haveria a garantia de segurança. Na verdade, se esta determinação perdurar com o Mineirão, parecerá mesmo uma infantilidade e falta de profissionalismo do futebol mineiro em vésperas de Copa do Mundo, uma briga sem sentido entre diretorias para algo que deveria engrandecer ainda mais um dos maiores clássicos do país e não fragilizar a imagem do esporte local.

Foto: Reprodução – Mineirão com a torcida celeste.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).