A História da Bola de Ouro – Parte I

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

Um dos maiores prêmios individuais do futebol, a Bola de Ouro da revista France Football existiu até 2009, quando teve sua última premiação isolada. Atualmente, é feita em conjunto com a FIFA, na eleição que é conhecida como Bola de Ouro da FIFA.

De 1956 até 1994, a Bola de Ouro da France Football foi entregue somente a jogadores europeus. De 95 em diante, a eleição passou a incluir jogadores dos outros continentes. Um reflexo do aumento de estrangeiros brilhando na Europa. Recordaremos aqui, uma vez por semana, os vencedores da Bola de Ouro da France Football, com um apanhado sobre a temporada do vencedor e informações dos concorrentes.

1956 


1º – Stanley Matthews – Blackpool

Matthews jogando pela Inglaterra.


2º – Alfredo Di Stéfano – Real Madrid
3º – Raymond Kopa – Real Madrid

Já na edição de estreia, a primeira grande polêmica. Ninguém discute a importância história do inglês Stanley Matthews, mas Alfredo Di Stéfano fez 29 gols na temporada e liderou o Real Madrid rumo ao seu primeiro título de Liga dos Campeões. Di Stéfano perdeu para Matthews por apenas 3 pontos, 47×44 para o inglês, que, na época, defendia o Blackpool e foi o principal responsável pelo vice-campeonato do clube inglês no Nacional.

 

1957 


1º Alfredo Di Stéfano – Real Madrid

Di Stéfano cobra penalidade contra a Fiorentina, na final da Liga dos Campeões 1956-57.


2º Billy Wright – Wolverhampton Wanderers
3º Duncan Edwards – Manchester United
Raymond Kopa – Real Madrid

Uma lavada. Assim pode ser definida a vitória de Alfredo Di Stéfano na segunda edição do prêmio. O argentino obteve 72 pontos, contra 19 de Wright e 16 de Edwards e Kopa. Di Stéfano fez 31 gols na Liga da Espanha e 7 na Liga dos Campeões, sendo o principal responsável pelo segundo título do Real Madrid na competição. A presença de Wright à frente de Edwards é inexplicável, tendo em vista que o jovem prodígio inglês foi o principal responsável pelo título nacional do Manchester United, enquanto o Wolverhampton de Wright foi apenas um coadjuvante na competição. Edwards morreria no ano seguinte, no trágico acidente de avião que vitimou 8 jogadores do Manchester United.

 

1958

 

1º Raymond Kopa – Real Madrid

Kopa em ação pelo Real Madrid.

2º Helmut Rahn – Rot-Weiss Essen
3º Just Fontaine – Stade de Reims
Em ano de Copa do Mundo vencida pelo Brasil, brilharam os franceses. Di Stéfano fez temporada magnífica pelo Real Madrid, conquistando o título espanhol e da Liga dos Campeões, além da artilharia nas duas competições, mas a Argentina não disputou a Copa do Mundo. A participação de Kopa na Copa do Mundo da Suécia deu ao francês sua primeira e única Bola de Ouro.

O francês Fontaine e o alemão Rahn também entraram pelas suas atuações na Copa da Suécia. Fontaine anotou 13 gols na competição e Rahn anotou 6, sendo os responsáveis pelas colocações finais de suas equipes (3º lugar da França, 4º da Alemanha).

 

1959


1º Alfredo Di Stéfano – Real Madrid

Di Stéfano posa com as 5 taças de Liga dos Campeões que conquistou pelo Real Madrid.


2º Raymond Kopa – Real Madrid
3º John Charles – Juventus

 

Sem Copa do Mundo, a premiação voltou para as mãos de Di Stéfano (agora já naturalizado espanhol), que liderou o Real Madrid rumo ao seu quarto título seguido de Liga dos Campeões. Di Stéfano também foi o artilheiro da Liga da Espanha, mas o título terminou com o Barcelona. Kopa terminou entre os 3 melhores pela quarta vez seguida, por conta de suas brilhantes atuações no Real Madrid.

A surpresa dessa edição foi a presença do galês John Charles. Charles era o principal jogador do Leeds United e alvo de muitas propostas na Inglaterra quando se transferiu para a Juventus. O jogador formou uma temida linha ofensiva com Boniperti e Sivori, linha essa que deu à Juventus 3 títulos italianos e um vice entre 1957 e 1961.

Semana que vem voltamos  para falar  sobre as edições de 1962 até 1965. Até lá!

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.