A recuperação do Real Madrid

  • por Victor Mendes Xavier
  • 8 Anos atrás
Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada

Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada

Se tudo ocorrer da maneira que o madridismo deseja, o Real Madrid de 2012-2013 poderá ser dividido em dois: o de agosto a dezembro e o de janeiro ao final da temporada. Isso porque o “segundo” Real Madrid dá mostras de recuperação em relação àquele que deu vexame no segundo semestre de 2012. Nesta quarta-feira, às 18h (horário de Brasília), os merengues recebem o Barcelona no Santiago Bernabéu. É o primeiro confronto da semifinal da Copa do Rei. Em três confrontos contra o rival na atual temporada, o Real acumulou uma vitória, uma derrota e um empate. Equilíbrio que valeu o título da Supercopa em agosto.

Os vários problemas no vestiário merengue são conhecidos por todos. É algo com o que o clube convive desde a chegada de Mourinho, mas teve estopim no final do ano passado, quando o treinador português, indiretamente, confirmou o conflito de relações ao barrar Casillas do difícil compromisso na Andaluzia ante o Málaga. Após a derrota por 3×2, ele desafiou: “Vejo que Adan está melhor no momento. Tenho a consciência tranquila”, disse. O gajo cavava a própria cova. Como não poderia deixar de ser, imprensa e torcida madrilenha ficaram ao lado do capitão.

Dentro de campo, a proposta de jogo era executada num ritmo mais lento. O Real Madrid sofreu contra o Borussia Dortmund na Champions League, perdendo na Alemanha e empatando em Madrid, e só não saiu do Camp Nou derrotado pelo Barcelona graças à trave, que evitou gol de Montoya, e à falta de pontaria de Pedro, que desperdiçou grande chance no minuto final. A bem da verdade, também por Cristiano Ronaldo, em noite inspirada e autor de dois gols. As peças-individuais, como o próprio craque da camisa sete, não faziam tanto a diferença. Ronaldo se destacava, mas faltava contundência. E essa contundência aparece com perfeição em 2013. Em sete jogos no ano, foram dez gols (dois hat-tricks).

O nível de atuação do craque do time anima os demais. Isso explica a recuperação do bom futebol de Di María e Benzema. Özil, por sua vez, mostra-se bem irregular. No entanto, o alemão tem crescido de produção nos jogos mais pegados da temporada (atuou bem contra Borussia Dortmund, Barcelona e Atlético de Madrid), diminuindo um pouco o ritmo contra os pequenos. É uma irregularidade paradoxal, mas que tem de acabar. O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, uma das virtudes da equipe na temporada passada. Laterais, proteção à defesa e, especialmente, concentração são essenciais.

Em meio à evolução, uma má notícia: após disputa de bola pelo alto, Arbeloa acabou, sem querer, lesionando a mão de Casillas, que ficará de fora por três meses. A lesão de Iker, que havia recuperado a titularidade, caiu como uma bomba, que Mourinho logo tratou de desarmar. Um dia após a confirmação de que não teria o capitão até abril, o treinador pediu a Florentino Pérez a contratação urgente de outro goleiro. Foi atendido, claro: na sexta-feira (25), o clube anunciou a contratação de Diego López, canterano que fez parte do elenco entre 2005 e 2008. Diego López não vive boa fase desde sua saída do Villarreal, mas é um goleiro confiável por seu histórico (já foi terceira opção para gol da seleção espanhola – ok, não é lá grande coisa).

O Real Madrid está invicto em 2013. Isso porque Mourinho resgatou uma equipe mais sólida e recuperou o contra-ataque mais mortal do mundo, que fez estragos em 2011-2012. Por enquanto, a ascensão dos jogadores citados acima e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas assegura paz e tranquilidade no ambiente em Chamartin. Mas vem aí um Barcelona confiante pela temporada que faz e com Messi e Iniesta em estado de graça. É a chance do elenco blanco ratificar a ressurreição na temporada e confirmar, acima de tudo, por que o Manchester United tem de abrir o olho na Liga dos Campeões da Uefa.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.