A temporada de afirmação de Theo Walcott

  • por Gregor Vasconcelos
  • 8 Anos atrás

Em Janeiro de 2006, Walcott chegava ao Arsenal como a grande esperança do futebol ingles. Mesmo sem jogar pelo time principal nos seus primeiros seis meses de clube, Walcott foi a surpresa da convocação de Sven Goran Erikson para a Copa do Mundo da Alemanha. Na convocação, Erikson comparou o jogador com Pelé, o que se tornou um grande peso nas costas de um menino de 16 anos de idade.

Mesmo sem entrar em campo na Alemanha, a convocação atrapalhou Walcott por conta das expectativas em seu torno na temporada seguinte. Mesmo assim, Theo fez uma boa primeira temporada pelos Guners, mesmo sendo utilizado como um reserve na maioria de seus jogos. Mesmo assim foi parte importante da campanha do clube na Carling Cup, onde ele conseguiu seu primeiro gol pelos Gunners, na derrota por 2-1 para o Chelsea na final da competição.

Walcott lamenta a derrota na Final da Carling Cup. Jogo no qual ele fez o primeiro de seus 57 gols pelos Gunners até aqui.

Na temporada seguida, Walcott oscilava, mas mostrava sinais de que viria a ser um grande jogador. Apesar de seus problemas com cruzamentos, Walcott mostrava grande potencial como centro-avante, posição na qual o jogador sempre disse ser sua preferida, mesmo jogando pouco no comando do ataque. Em 2008/2009, seu começo avassalador levou muitos a acreditarem que Walcott finalmente alcançaria seu potencial já naquele ano; mas uma contusão no ombro contra o Stoke em novembro, deixou Walcott de for a por meses e quando ele voltou já não era mais o mesmo jogador. Ainda tiveram bons momentos, como as ótimas atuações na Champions League contra o Villareal e contra o Chelsea na FA Cup, mas era pouco. 2009/10 foi outra temporada marcada por lesões. Sem conseguir embalar uma sequencia de jogos, Walcott alternava atuações medianas com outras patéticas. Ele terminou a temporada com apenas 4 gols e 3 assistencias.

Aí veio a maior decepção na carreira do jogador. Apesar de sempre ter sido considerado um homem de confiança de Fabio Capello, a fase de Walcott era tão ruim que o jogador fora cortado da convocação para a Copa de 2010, preterido por jogadores medianos como Shaun Wright-Phillips.

Depois disso a meta de Theo Walcott era buscar sua redenção. Apesar de começar muito bem a temporada de 2010/2011, sendo o artilheiro da Premier League nas primeiras rodadas da competição, Walcott foi mais uma vez impedido de brilhar por conta de suas contusões. Apesar do balance positivo, Walcott ainda gerava desconfiança do torcedor pela sua irregularidade e seu fisico questionavel. Na temporada seguinte, sem nenhuma grande contusão, Walcott foi uma peça importantissima para o ataque do Arsenal e apesar de uma sequencia ruim no começo de 2012, ele se redimiu com um belo final de temporada.

Com a saida de Robin van Persie no verão de 2012, muitos esperavam que Walcott fosse o próximo a deixar o clube. Ele entrara no seu ultimo ano de contrato e por isso parecia ter perdido prestigio com o técnico Arsene Wenger. Nos primeiros jogos, mostrava pouca confiança e em campo fazia tão pouco que logo perdeu a vaga para o mais jovem Oxlade-Chamberlain. Apesar disso, Walcott recebeu uma chance na Carling Cup e depois da partida contra o Coventry, onde anotou dois tentos, embalou de vez. Agora em fevereiro, Walcott ja marcou 16 vezes e deu 10 assistencias, melhor marca de sua carreira até aqui. Jogando de centro-avante, ele conseguiu marcar dois hat-tricks contra Reading e Newcastle e vem sido, provavelmente, o jogador mais importante do Arsenal na temporada. Isso tudo em apenas 16 jogos como titular e 9 entrando no decorrer da partida.
A sua boa fase fez os rivais dos Gunners fazerem fila para contrata-lo de graça em Julho, mas depois de uma longa espera, Walcott finalmente renovou com os Gunners até 2017. Agora com contrato de craque (o maior salário do clube), sendo utilizado em sua posição favorite e aos 23 anos (idade na qual não pode mais ser considerado uma jovem promessa), os proximos anos serão interessantissimos para o desenvolvimento do jogador. Ou ele se firma como o grande jogador que prometia ser ou entra para a lista de eternos flops ingleses. E aí, qual dessas vai ser?

Getty Images – Será que Walcott conseguirá ser o jogador que a Inglaterra se esperava que ele tornasse?

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.