Análise do 1º turno do Campeonato Português

  • por Levy Guimarães
  • 8 Anos atrás

Após 15 rodadas decorridas, chega finalmente ao fim o 1º turno da Liga Sagres, o campeonato português. Como era de se esperar, os dois maiores campeões do país, Benfica e Porto, dominam a disputa pelo título, em uma das mais equilibradas dos últimos tempos. Porém, surpreende a grande disparidade destes para as demais equipes, como o Braga, e a campanha desastrosa do Sporting, até o momento a pior de um gigante em uma edição do nacional.

Com 39 pontos – 12 vitórias, 3 empates e nenhuma derrota – Benfica e Porto estão rigorosamente empatados na liderança. A única diferença está no saldo de gols: os Encarnados têm 28 (39 gols marcados e 11 sofridos), e o Dragão, 27 (35 tentos a favor e 8 contra). Um equilíbrio que ficou evidenciado desde o começo. Em nenhum momento do campeonato um dos dois times conseguiu abrir mais do que 3 pontos de vantagem em relação ao outro.

Com um jogo solto e ofensivo, o técnico Jorge Jesus conseguiu fazer do Benfica o time que praticou o futebol mais agradável de se ver até aqui. Mesmo com desfalques importantes na maior parte do tempo, como Luisão (suspenso de setembro a dezembro) e Aimar (lesionado), a equipe conseguiu impor seu estilo dinâmico em quase todos os jogos, explorando bastante as jogadas pelos lados com os meias Gaitán, Salvio e Ola John, além dos laterais Maxi Pereira e Melgarejo. Conta, ainda, com dois dos principais atacantes da competição, Oscar Cardozo e Lima (excelente contratação vinda do Braga. O companheiro que Cardozo precisava na frente).

Foto: A Bola - Lima e Cardozo formam uma dupla que tem sido fatal na Liga Sagres

Foto: A Bola – Lima e Cardozo formam uma dupla que tem sido fatal na Liga Sagres

Outro ponto positivo da equipe da Luz é a notável evolução de Matic, que vinha de uma temporada apenas mediana em 2011/12, e de Enzo Pérez, que antes da temporada atual tinha sido pouquíssimo utilizado por Jesus, chegando até a ser emprestado para o Estudiantes no ano passado. Juntos, superaram a desconfiança de boa parte da torcida e da imprensa e hoje formam a base do meio-campo benfiquista.

Já o Porto continua sendo aquele time que nem sempre brilha, como foi no campeonato passado, mas que se destaca pela eficiência e pela solidez defensiva. Tudo isso com um adendo: o talento dos colombianos James Rodríguez e Jackson Martínez, decisivos na grande maioria das vitórias da equipe. Juntos, marcaram 20 dos 35 gols do time, sendo o motor das principais jogadas ofensivas dos Dragões. Jackson, artilheiro da liga, tem a excelente média de quase 1 gol por jogo, tendo marcado 14 em 15 partidas disputadas, sendo o principal jogador da equipe nos últimos jogos, dos quais James esteve ausente por lesão.

Os laterais brasileiros Danilo e Alex Sandro, ambos ex-Santos, também são peças fundamentais no esquema de Vítor Pereira. Além de servirem como válvula de escape no ataque (principalmente quando James não está inspirado ou quando não joga), não deixam a desejar na parte defensiva e ainda podem jogar no meio-campo. E tem, ainda, o trio Fernando-João Moutinho-Lucho Gonzalez no meio, que proporciona grande parte da solidez, caracterizando o conjunto portista.

Foto: eluniversal.com.co - Colombianos James e Jackson, protagonistas da campanha do Porto

Foto: eluniversal.com.co – Colombianos James e Jackson, protagonistas da campanha do Porto

A distância dos líderes para o Braga, terceiro colocado, é grande. Com 29 pontos ganhos, os Minhotos estão a dez do topo da tabela. Apesar de preservar o bom entrosamento que consolidou o clube como uma força emergente do futebol português, não demonstra ter forças para brigar de igual para igual com os dois gigantes. Em compensação, deve confirmar a classificação para a próxima Liga dos Campeões sem grande dificuldade, firmando-se na 3ª colocação até o fim do certame. O destaque do time nesse 1º turno vai para o centroavante Éder, contratado junto à Acadêmica. Alto, forte e ao mesmo tempo habilidoso e oportunista, o jogador de 25 anos já foi congratulado com algumas convocações para a seleção portuguesa, resultado da ótima temporada que vem fazendo.

Exatamente no meio da tabela, na 8ª posição, encontra-se a grande decepção do campeonato. A temporada do Sporting não poderia ser pior: campanha pífia, falta de confiança do time em campo, troca constante de treinadores, instabilidade política e jogadores importantes podendo sair na janela de inverno.

Desde o início da Liga Sagres, o Sporting tem seguido um mesmo perfil: um time apático, desentrosado, com pouca mobilidade e nenhuma criatividade no gramado. Não à toa tem o segundo pior ataque da competição – marcou apenas 14 gols.

Entre os vários reforços contratados para a atual temporada, praticamente nenhum emplacou. Além disso, jogadores que pesavam na cota salarial, como Elias e Izmailov, decepcionaram (ambos, inclusive, já foram negociados: Elias com o Flamengo e Izmailov com o rival Porto). O técnico que iniciou o campeonato, Ricardo Sá Pinto, não suportou a pressão do começo ruim e foi substituído em novembro pelo belga Franky Vercauteren. O que parecia ser uma esperança de reação leonina acabou se tornando em um pesadelo: em dois meses no clube, Vercauteren venceu apenas um jogo pelo campeonato e viu seu time despencar ainda mais na tabela, chegando a ficar na antepenúltima posição. Com o time em situação ainda pior do que quando havia chegado, Vercauteren rescindiu com o Sporting no dia 07/01, dando lugar ao experiente e renomado Jesualdo Ferreira, tricampeão português com o Porto de 2007 a 2009. E é aí que está a chance de um 2º turno digno para os Leões.

Em dois jogos com Jesualdo no comando, foram duas vitórias. Ainda que com dificuldade, sem convencer, o Sporting começa a mostrar um certo poder de reação. Aos poucos, o treinador deve fazer o time jogar à sua maneira e, assim, conduzir uma campanha decente daqui em diante. Pelo menos é o que espera o torcedor leonino, que já tanto sofreu nesse 2012/13.

Foto: A Bola - Sporting faz temporada vergonhosa e vê rivais de muito longe

Foto: A Bola – Sporting faz temporada vergonhosa e vê rivais de muito longe

Entre os pequenos, a surpresa fica por conta do Paços Ferreira e do Rio Ave, 4º e 5º colocados, respectivamente. Com a terceira melhor defesa, tendo sofrido somente 12 gols, o Paços vem superando toda e qualquer expectativa, muito em função da boa performance do goleiro Cássio, dos defensores Diogo Figueiras e Antunes e do centroavante Cícero, treinados pelo promissor Paulo Fonseca, de 39 anos.

Descendo um pouco na tabela, impera o total equilíbrio. Entre o 7º colocado, Estoril, e o 15º (e penúltimo), Vitória de Setúbal, a diferença é de apenas 4 pontos, o que mostra que são poucos os times livres da ameaça de rebaixamento, assim como há espaço para quase todos buscarem uma posição na metade de cima da tabela, quem sabe até brigando por Liga Europa. Porém, para um clube em especial, a II Liga já parece uma realidade não muito distante: o Moreirense, lanterna, com 8 pontos ganhos (seis a menos que o vice-lanterna).

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.