Bradford City, a maior surpresa da Inglaterra na temporada

Foto: Agência |Bantams comemorando|

Foto: Agência |Bantams comemorando|

 

O Bradford City, 10º colocado da 4ª divisão, tornou-se o segundo clube da 4ª divisão da Inglaterra a chegar à final da Copa da Liga Inglesa em toda a história da competição. O primeiro foi o pequeno Rochdale, que alcançou às finais na temporada 1961/1962, mas perdeu a decisão para o Norwich City.

A impressionante campanha do pequeno Bradford começou no dia 11 de agosto de 2012. Na primeira fase da Capital One (como também é conhecida a Copa da Liga Inglesa), o Bradford venceu o tradicional Notts County por 1-0, fora de casa, com gol do atacante James Hanson aos dois minutos do primeiro tempo da prorrogação.

Na fase seguinte, o sonho dos Bantams (como são conhecidos os torcedores do Bradford) parecia ter terminado. O adversário era o Watford, clube da Championship, e, mais uma vez, o jogo seria fora de casa. Para piorar, os donos da casa abriram o placar com um golaço de Ikechi Anya no final do segundo tempo. Só que o Bradford não se rendeu. Faltando 6 minutos para o final do jogo, o meia-atacante Kyel Reid empatou para o clube da 4ª divisão. Só que o melhor ainda estava por vir: no último lance de perigo do jogo, aos 94 minutos, o meia Garry Thompson virou para os visitantes. Os Bantams estavam começando a acreditar que o time poderia ir longe na competição.

Na 3ª fase, um confronto mais equilibrado. O adversário da vez era o Burton Albion, clube que também disputa a 4ª divisão. Além disso, era a primeira vez na competição que o Bradford iria jogar na sua casa, o Valley Parade. No entanto, o jogo foi mais difícil do que o esperado. Com menos de 30 minutos de jogo, o Burton já vencia por 2-0. Foi aí que brilhou a estrela do jovem Nahki Wells. O atacante saiu do banco aos 6 minutos do segundo tempo para mudar a partida.
Após pressionar durante toda a segunda etapa, os Bantams conseguiram fazer 1-2, com o jovem Wells. Mais tarde, no último lance do jogo, Wells, novamente, marcou para empatar. O jogo iria para a prorrogação. Ambos os times foram cautelosos e atacaram pouco. Porém, o Bradford, empolgado pelos mais de 4000 torcedores presentes, virou no último lance do primeiro tempo da prorrogação, com o lateral Darby, ex-jogador do Liverpool. Este foi o último gol da partida e o Bradford avançava mais uma vez.

Na fase seguinte, pela primeira vez na competição o adversário vinha da Premier League. O pequeno, porém sempre perigoso, Wigan. O jogo foi fora de casa, no DW Stadium e o Bradford conseguiu segurar um honroso 0-0 para depois vencer o jogo nos pênaltis. 4-2 no total. Doyle, Jones, Darby e Connell marcaram para os visitantes. Para os donos da casa, Jones e Watson marcaram, mas Maloney chutou para fora e o goleiro Duke defendeu o chute de Jordi Gomez. Aliás, o bom goleiro Matt Duke viria a ser o heroi na fase seguinte.

Quartas-de-final. Dos oito clubes que alcançaram esta fase, apenas Bradford e Middlesbrough não eram da Premier League. E para piorar, o Arsenal seria o próximo adversário a visitar o Valley Parade.

O jogo era encarado como a maior chance da vida dos jogadores dos Bantams para mostrar seu valor contra um adversário forte. O Arsenal ainda dificultou: como não é de seu costume na Copa da Liga, o técnico Arsene Wenger decidiu mandar força máxima. Nada de reservas.
Surpreendentemente, o Bradford conseguiu abrir o placar aos 16 minutos com Thompson. O Arsenal sentiu o golpe e foi pra cima. O restante do jogo foi todo de pressão e domínio do clube londrino. Chance inacreditável perdida por Gervinho dentro da área, bolas na trave e no travessão de Cazorla, ótimas defesas do goleiro Duke, tudo isso estava ajudando o Bradford a fazer história. No entanto, o zagueiro Vermaelen conseguiu ultrapassar a barreira adversária e empatou a partida faltando dois minutos para o apito final. O jogo foi para a prorrogação e terminou 1-1. No total, foram 28 chutes do Arsenal contra apenas 5 dos Bantams. Desses 28, 12 foram no alvo. A posse de bola foi de 63% para os Gunners.
Nos pênaltis, as estrelas dos goleiros brilharam. Duke defendeu o primeiro, batido por Cazorla, já Szczesny defendeu os de Darby e Jones. No entanto, Chamakh e Vermaelen acertaram a trave e os demais batedores converteram suas cobranças. Essa foi a 8ª decisão por pênaltis consecutiva, desde outubro de 2009, que o Bradford venceu. Com a classificação, fazia história mais uma vez e garantia uma vaga nas semi-finais da Copa da Liga.

Agora, apesar de ser um clube da Premier League novamente, o caminho até a final parecia fácil. O próximo adversário era o Aston Villa, que estava em péssima fase.
No primeiro jogo, o Bradford fez valer o mando de campo e venceu por 3-1, gols de Wells, McArdle e McHugh para o time da casa, e Weimann descontou para os visitantes. Fora de casa, a eficiência pesou: derrota por 2-1, com gols de Benteke, Weimann e Hanson, mas o único chute do Bradford que acertou o alvo resultou no gol que garantiu a classificação para a final inédita contra outra surpresa: o bom Swansea do técnico Michael Laudrup e do artilheiro Michu, que eliminou o milionário Chelsea na outra semi-final.

Destaque na temporada:

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Foto: Agência |Nahki Wells comemorando um de seus gols|

O jovem atacante Nahki Wells é o grande destaque do Bradford. Nascido em Bermuda, Wells está no clube desde 2011 e já marcou 29 gols em 72 jogos. Na atual temporada, são 17 gols em 35 jogos. Tem apenas 22 anos. Olho nele!

Outros destaques: 

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Foto: Agência |James Hanson comemorando o gol da classificação para a final|


James Hanson – Marcou gols importantes na Capital One contra Notts County e Aston Villa. Tem 8 gols e 5 assistências na temporada. É o maior garçom do time.

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Foto: Agência|Matt Duke|

Matt Duke – Bom goleiro que foi destaque nos jogos contra Wigan e Arsenal, fazendo defesas importantes nas cobranças de pênaltis.

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Estudante de Redes de Computadores. Fanático por futebol, seja brasileiro ou europeu. Sua preferência, na Europa, é a Premier League.