Gol, a emoção de se comemorar

  • por Anderson Silva
  • 8 Anos atrás

O êxtase do jogador de futebol ao marcar um gol é algo quase indescritível. Um instante sagrado, absoluto e particular para quem faz tal façanha. Contagiado pela explosão do grito da torcida que ecoa por todo o estádio, o protagonista tem a chance de retribuir tamanho afago no momento de comemorar.

Ao longo dos anos, toda essa emoção na hora de celebrar os gols nos proporcionaram imagens marcantes e inusitadas, que já falam por si só.
Algumas eternizadas na história, como o soco no ar de Pelé, gesto que até hoje é repetido por muitos atletas. Outras carregadas de emoção, como no gol feito pelo nigeriano Rashidi Yekini contra a Bulgária na Copa de 1994. Após marcar, ele chorou atrelado às redes do gol, uma das imagens mais bonitas e marcantes do futebol. 

Temos as mais variadas homenagens. De pai para filho, Bebeto embalou Mattheus e lançou moda em 1994, marcando um gol contra a Holanda nas quartas de final da Copa nos USA. Quem não se lembra das irreverentes dancinhas do atacante camaronês Roger Milla, imortalizadas nos gramados italianos na Copa do mundo de 1990? Tamanha alegria e espontaneidade repercutem até hoje no folclore do futebol mundial e virou tema de campanha publicitária no torneio da África do Sul, em 2010. 

Hoje, as “dancinhas” são febre nos gramados (principalmente no Brasil) e se tornaram quase robóticas de tão repetitivas. No quesito criatividade, podemos destacar a equipe do Stjarnan. O time islandês ficou famoso na internet graças às comemorações bem humoradas de seus jogadores. Situação semelhante ao Sanfrecce Hiroshima, do Japão.

Comemorar um gol também pode ter um sentido mais provocativo ou trazer em sua essência a personalidade de um jogador. Outros atletas expressam toda sua devoção agradecendo ou passando mensagens evangelizadoras.

Temos os politicamente corretos, que não celebram um gol marcado em cima do seu ex-clube (pura hipocrisia) e muito menos beijam o manto que defendem. Atitudes justificáveis em tempos de futebol-negócio.
Assim como os repetidos “requebrados” citados anteriormente, temos as comemorações midiáticas, que pegam carona na novela do momento, no hit do verão ou que são manipuladas pelas emissoras de TV aberta e fechada, que acabam tirando a naturalidade e emoção do atleta. O jogador não sabe se comemora, se faz coreografia ou manda recado na câmera posicionada estrategicamente para isso. Porém, não existe regra ou formula mágica de festejar um gol marcado. É pessoal e intransferível.

Mesmo alguns profissionais de chuteiras não dando a devida e justa atenção para esse momento tão especial, comemorar um gol continua sendo a máxima e pura expressão da alegria nesse esporte, que no fundo ainda é romântico e apaixonante.


 

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Redator publicitário (e vice-versa), comunicativo por essência, amante dos livros e torcedor do tricolor do Morumbi. Apaixonado por camisas antigas do futebol mundial.