O que esperar de Felipão

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Reprodução – Luiz Felipe Scolari convocou a Seleção Brasileira no último dia 22.

Surpresa. Assombro. Desdém. Orgulho. Uma infinidade de sentimentos tomou conta dos Doentes na tarde desta terça-feira, dia 22 de janeiro, após a primeira convocação do novo (e velho) treinador da Seleção Brasileira, Luis Felipe Scolari.

Antes do anúncio dos nomes, a expectativa do que viria deixava muitos preocupados. A possibilidade de o comandante fazer ressurgir medalhões que há muito tempo não fazem nada por merecer vestir a camisa amarela era tamanha, que muitos da imprensa falavam que Rogério Ceni, aniversariante do dia, completando 40 anos, deveria ser chamado. Outros ainda sugeriam a inclusão do zagueiro Lúcio, que recentemente fechara contrato com o mesmo São Paulo do goleiro Rogério Ceni, depois de ser dispensado pela Juventus de Turim.

Foto: Agência Reuters – Felipão e Parreira são foram escolhidos por José Maria Marin (fundo) para comandar o Brasil.

Mas Felipão não fez isso. Novamente como em 2002, quando toda a imprensa e grande parte da torcida brasileira pressionava para que Romário fosse convocado para a Copa, nenhum desses queridos da mídia estava na lista. Amparado por Carlos Alberto Parreira, Luiz Felipe fez algo que foge da sua filosofia, convocando jogadores mais ofensivos do que de costume. Houve nomes que podem ser contestáveis, mas, nas palavras do próprio treinador, alguns ainda devem ser testados, e outros, por seja lá qual o motivo, lesão ou falta de ritmo, não puderam estar presentes nesta chamada.

Assim, vemos o retorno de Júlio Cesar ao gol da seleção, posição carente desde a saída do mesmo após a fatídica derrota para a Holanda na Copa de 2010. Pode ser uma boa aposta, se não contar a atual situação técnica e o clube em que atua, mas sim sua história e liderança junto ao grupo. Outro que também estava afastado há algum tempo é Luis Fabiano. O Camisa #9 do São Paulo é a esperança, juntamente com Fred, do Fluminense, de termos um novo artilheiro confiável.

Foto: Agência Getty – Titular na última copa, Julio Cesar volta a ser convocado para a seleção.

Aliás, um centroavante de oficio é uma das posições de que Felipão não abre mão. Todo clube ou seleção por onde passou havia um jogador com a capacidade de assumir a função.

A maior surpresa para a torcida e imprensa é a inclusão de Dante, zagueiro do Bayern de Munique, que vem sendo titular e jogando muito bem na Bundesliga. No entanto, para a Doentes por Futebol, não é novidade que ele esteja entre os 20 convocados, pois já havíamos publicado uma matéria com os bons nomes que Felipão poderia chamar (veja neste link).

Foto: Agência AFP – O zagueiro Dante é uma das boas novidades de Felipão.

Outra prova de que o treinador da seleção lê o nosso site é a inclusão de Miranda, Filipe Luís e Hernanes, além dos próprios Luiz Fabiano e Dante já citados. São todos jogadores que vem não é de hoje fazendo boas campanhas em seus clubes e eram esquecidos por Mano Menezes.

Se seguirmos o padrão Luiz Felipe Scolari de armar o time, acreditamos que este jogo contra a Inglaterra, no próximo dia 6 de fevereiro, no estádio Wembley, em Londres, será armado com três zagueiros, com David Luiz fazendo a função mais adiantada, até porque todos os volantes convocados não fazem bem a cabeça-de-área, outra posição com a qual o treinador gosta de contar, ainda mais tendo laterais tão ofensivos como a atual geração brasileira.

Novidade também é a inclusão de Ronaldinho Gaúcho, que permitiu a seus seguidores apaixonados matar saudade do grande futebol que praticara há vários anos. 2012 foi um ano no qual o meia-atacante do Atlético Mineiro mostrou por que ganhou por duas vezes o prêmio de Melhor Jogador do Mundo.

Foto: Agência AE – Hernanes e Ronaldinho (de costas) também estão de volta.

Com isso, temos um goleiro de comprovada experiência internacional, laterais ofensivos que apoiam o ataque, uma defesa composta, sólida, um meio campo criativo e leve, além de um centroavante capaz de marcar os gols necessários para as vitórias brasileiras.

Ainda falta muito para sabermos com exatidão o futuro do Brasil. Há vários jogadores que merecem ainda ser chamados, como os que a Doentes sugeriu nos mesmos textos dos anteriores, tais como Willian (Shakhtar, que está sem ritmo de jogo) e Luiz Gustavo (Bayern de Munique, machucado). E outros que com certeza serão titulares, caso de Thiago Silva (Paris Saint-Germain) e Marcelo (Real Madrid), ou outros experientes como Kaká (Real Madrid). Aliás, muitos contavam com a presença dele, já que vinha sendo chamado por Mano.

Foto: Agência Getty – Felipão fez sucesso em Portugal. Aqui ao lado do craque Cristiano Ronaldo.

Felipão é dono de uma carreira invejável, campeão brasileiro, da Libertadores por Grêmio e Palmeiras, além de Campeão do Mundo com o Brasil. Destaca-se ainda a boa campanha à frente de Portugal, uma seleção há muito perdida, que foi elevada ao status de grande pelas mãos do treinador.

Mas ao mesmo tempo não podemos esquecer seus recentes fracassos, como bem se lembrará a torcida palmeirense, já que sua última passagem pelo clube contribuiu para o novo rebaixamento à Série B. Houve também o fiasco no Chelsea, quando todos acreditavam que um treinador brasileiro poderia fazer história na Europa, até a ida para um país desconhecido e sem qualquer tradição no esporte, mas conseguiu fazer com que o Bunyodkor crescesse e quase vencesse o campeonato continental da Ásia.

Foto: Reprodução – Luiz Felipe Scolari em sua última passagem no Palmeiras.

Para julgar com confiança, precisamos ver como o time se mostrará diante da Inglaterra, mas, mais que isso também, como serão os próximos meses, inclusive com a Copa das Confederações que acontece esse ano, prelúdio para a Copa do Mundo de 2014.

Pelo menos a esperança da torcida foi renovada, com desconfiança, é verdade, mas, diante desta primeira impressão e, depois dos erros que ocorreram anteriormente, esperamos sinceramente que nem mesmo o presidente da CBF possa prejudicar o futuro do futebol da seleção.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).