Robinho, ou seria “Flopinho”?

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

“Flop”: Termo informal que designa algo que não fez sucesso. Do inglês podemos traduzir como fracasso.

Robinho, ou Robson de Souza, que ontem, dia 25 de janeiro de 2013 completou 29 anos, pode se encaixar neste perfil. Revelado pelo Santos, que outrora apresentou Pelé, foi elevado ao status de craque ainda cedo. O ano era 2002 e, com uma habilidade fora do comum, não foi difícil se destacar.

Foto: Reprodução – O Menino da Vila e suas pedaladas.

Rei das Pedaladas!

No último ano em que o Campeonato Brasileiro era definido nos mata-matas, Robinho surgiu, cercado por seu fiel escudeiro Diego, levando o alvinegro praiano à final do torneio. E quem não se lembra das pedaladas? Rogério, então lateral do Corinthians, o outro finalista, jamais esquecerá.

Verdade seja dita, o jovem Robson sempre foi dotado de qualidade, de destreza com a bola. “Quero ser o melhor jogador do mundo!” – dizia. Sabia passar por seus marcadores com qualidade e eficiência. Mas algumas escolhas singulares o deixaram neste patamar descrente, conhecido na Doentes por Futebol, e além até, por “FLOP”.

Era dos Galácticos!

Seu futebol vistoso e alegre no Brasil atraíra olhares europeus. Zidane, Beckham, Ronaldo, Raul. Real Madrid, clube em que os galácticos estavam. Este foi o destino da então estrela tupiniquim. Vanderlei Luxemburgo acabara de sair do clube, mas deixara sua marca com a “Era dos Brasileiros” – Julio Baptista e Cicinho, além de Roberto Carlos que lá estava e Ronaldo, já citado. Robinho era seu sonho, mas foi Fábio Capello quem comandou o jovem em sua estreia no clube merengue, já que o treinador brasileiro não se manteve no comando.

Robinho estreou bem, foi sensação. Depois de reinar no Brasil, ir para a Espanha, para o clube mais rico do mundo, era o sonho de qualquer um. Mas Capello não morria de amores pelo jovem que fora desejado por seu antecessor. Na época do italiano, Robinho alternava a titularidade com o banco de reservas. No entanto, ajudou o clube no bi-campeonato espanhol (2006-07 e 2007-08). Em seguida, com nova troca de treinador – o alemão Bernd Schuster – assume a camisa 10 e tem uma boa prestação no início da temporada.

Neste tempo, foi à Copa do Mundo na Alemanha, em 2006. Era o querido da torcida e da imprensa, que tinha na memória o futebol da época de Santos. Jogando todas as partidas, mas apenas uma como titular, não conseguiu ajudar o time de Parreira que acabou caindo nas quartas-de-final.

Foto: Reprodução – Rusgas com o treinador e diretoria afastaram Robinho do Real Madrid.

Aventura na Inglaterra!

Em 2008, Luiz Felipe Scolari chegava a Londres para treinar o Chelsea. E sua primeira meta foi declarar o desejo de contar com Robinho. Deslumbrado, o atacante força sua saída do clube espanhol, causando desentendimento com o treinador. No entanto, seu destino foi o Manchester City, já que este era o “novo rico” do futebol mundial, e, como o jogador havia adquirido valor e status pelo clube em que atuava, seria uma boa para a imagem do gigante que surgia na Inglaterra.

Na primeira temporada correspondeu aos valores pagos por ele (por volta de €$ 40 milhões). Mas foi na segunda época que seu futebol decaiu. Ainda com 25 anos, teve problemas com o comando técnico, assim como no clube anterior, e amargou um bom tempo no banco de reservas, ou até mesmo fora dele. Por este motivo, mostrou-se desejoso de voltar para casa, o Santos, onde tudo havia sido perfeito, sua zona de conforto.

Foto: Reprodução – Robinho foi o primeiro grande investimento do então recente rico Manchester City.

A volta para casa!

Robinho regressa ao Brasil com vontade de mostrar serviço. Titular da seleção de Dunga, voltar para o clube que o revelou seria a garantia do passaporte definitivo para a Copa da África do Sul. Uma vez que foi rei, acreditava-se que seu futebol seria revigorado, e as pedaladas apareceriam novamente. 26 anos geralmente era a época do auge de um atacante. É verdade que foi vitorioso em seu retorno, vencendo a Copa do Brasil, por exemplo. Mas agora era ofuscado por Neymar, um jovem que, assim como o pequeno Robson de outrora, vinha das categorias de base para brilhar no time de cima.

Fez boa passagem, mas nada que deixasse boquiabertos os torcedores. Tanto que seu empréstimo acabou e poucos lamentaram seu retorno à Europa. Quanto à seleção, novamente eliminados nas quartas-de-final da Copa. O “Menino da Vila”, que juntamente com Kaká era um dos protagonistas da formação canarinho, não teve êxito nem força suficientes para superar a Holanda de Sneijder.

Foto: Reprodução – Sua volta ao Santos foi ofuscada por Neymar.

Nova chance de brilhar!

E, como não tinha espaço em Manchester, tratou logo de procurar outros rumos. Seu novo destino: Milão.

Ao lado de compatriotas como Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato, Robinho deu sinais de que viria a ser quem se esperava dele. Teve muito espaço no time titular, até ganhando o Campeonato Italiano em sua temporada de estreia. Foi um futebol bem jogado, de qualidade. Até porque, neste tempo, a ideia de ser o melhor do mundo parecia que ia longe de seus objetivos e, sem isso em foco, tomou como meta ajudar os companheiros.

Na temporada seguinte (2011-12), voltou ao futebol burocrático e desanimado desde a saída do Real Madrid. As lesões também atrapalharam e ainda o atormentaram na primeira metade da época atual, justificando a queda de qualidade.

Foto: Reprodução – No Milan apresentou bom futebol logo que chegou.

E agora?

Com 29 anos completados, tem sido oferecido a vários clubes, sobretudo Flamengo e Santos. É uma pena ver um jogador que antes fora tratado como estrela, bajulado por muitos, ser “empurrado” para fora de um clube grande. Além do mais, não é mais lembrado na Seleção Brasileira, onde já fora visto como solução para o ataque.

Robinho sempre foi um bom jogador, falar que foi um grande fracasso talvez seja exagerado, mas ainda jovem, sua carreira poderia ter seguido caminhos mais louros, de mais destaque. Tanto potencial, mas apoiado em escolhas erradas, fizeram do “Rei das Pedaladas”, que desejava ser o melhor jogador do mundo, apenas um atleta comum.

Foto: Agência NikeFutebol – Robinho jogou as copas de 2006 e 2010.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).