A zebra veste preto e branco

Ceará consegue o que parecia impossível e avança para as semis. | Foto: Eduardo Martins/Agência A Tarde.

Ceará consegue o que parecia impossível e avança para as semis. | Foto: Eduardo Martins/Agência A Tarde.

Por Edirlan Leal

Neste último Domingo 17/02 o time do Ceará fez valer o maior lema do seu hino – “Tua glória é lutar’’ -, enfrentando um adversário mais forte e com a desvantagem de ter perdido o primeiro jogo em casa por dois gols a zero. Resultado esse que foi construído de maneira incompreensível pelo time do Vitória se formos analisarmos somente os números da partida, em que o Ceará teve 67% de posse de bola e chutou a gol mais de 20 vezes, inclusive no pênalti perdido por Magno Alves.

No fim do jogo de ida no PV, vaias ao time, pedidos de raça, xingamentos, fato que seria a segunda injustiça da noite com um time que lutou até o fim. Porém o torcedor mais atento perceberia no discurso dos jogadores algo diferente do discurso default dos jogadores nesses momentos de derrota, em vez de um simplório ‘’nada está decidido, devemos ir lá e lutar”. O torcedor escutou desabafos do goleiro Fernando Henrique (“esse time não merece isso”), e citações bíblicas do zagueiro Rafael Vaz (“Os humilhados serão exaltados”). Uma sincera vontade de superação transpareceu. No Barradão, o clima era de já ganhou: Olodum já estava com festa marcada no pós jogo, mas a banda de Axé perdeu a viagem.

O Vitória até no começo deu impressão que faria um belo esquenta para a festa de pós-carnaval, porém o também baiano Magno Alves deu o recado que não foi a passeio a Salvador e fez o primeiro de cabeça após um cruzamento perfeito de Ricardinho. Um minuto após o gol, o Vitória colocou uma bola na trave. Prenúncio do empate? Nada disso: após outro belo cruzamento de Ricardinho, Cleiton (ex-Coxa) desvia a bola no primeiro pau e o seu companheiro de zaga Rafael Vaz só teve o trabalho de empurrar a bola pra rede. Ceará dois a zero, a vantagem do Vitória tinha ido para o espaço.

Torcedor do Vitória assistiu, incrédulo, à espetacular virada do Vozão. | Foto: Eduardo Martins/Agência A Tarde.

Torcedor do Vitória assistiu, incrédulo, à espetacular virada do Vozão. | Foto: Eduardo Martins/Agência A Tarde.

Começou o segundo tempo, mas qual seria a postura da zebra Ceará? Segurar o resultado 45 minutos e ir para os pênaltis? Nada! O técnico Ricardinho deu o recado: “time meu tem que gostar da bola, tem que buscar sempre o gol’’. E o Ricardinho que farda a 10 obedeceu às ordens, deu sua segunda assistência no jogo aos 4 minutos do segundo tempo. Eric só teve o trabalho de fuzilar Deola. 0x3, Barradão calado, Ceará dominando, os baianos deveriam lembrar que a Zebra é alvinegra. E já que a pedida do dia era surpreender, o desconhecido Gabriel, recém promovido do sub-19, faz bela jogada pela esquerda, chuta no canto e Deola vai buscar, mas no rebote a zaga rubro-negra – talvez pensando no show do Olodum – deixou Pingo livre só para empurrar a bola. Em três dos quatro gols os carrascos do Leão baiano só tiveram o trabalho de empurrar a bola para as redes, o que evidenciou a fragilidade da zaga do Vitória.

Antes dos 30 minutos o Ceará teria o Lateral direito Eric expulso, e a partir daí o Vitória tentou se impor, foi pra cima com tudo. Mas Fernando Henrique fechou o gol, e o time se entregou totalmente na missão de garantir a classificação. Fim de jogo, show do Olodum cancelado, jogadores do Vitória nervosos e preocupados em tornar a arbitragem o motivo do mico épico e, enquanto isso, a “zebra” saia de campo com a sensação de justiça feita e dever cumprido.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.