Boca Júniors 2×1 Real Madrid – O mundo aos pés da América

  • por Lucas Sartorelli
  • 7 Anos atrás
Foto: Globo Esporte

Foto: Globo Esporte

Em 28 de novembro de 2000, mais um valioso capítulo da rica jornada do futebol sulamericano era escrito. O Boca Juniors do lendário técnico Carlos Bianchi derrotava o gigante europeu Real Madrid em Tóquio, no Japão, e conquistava o segundo título mundial dos três triunfos intercontinentais registrados na história do vencedor clube argentino.

O temido adversário espanhol impunha respeito trazendo consigo uma intrépida goleada aplicada meses antes por 3×0 contra o Valência, na final da Liga dos Campeões da UEFA daquele mesmo ano, disputada no Stade de France, autenticando seu oitavo título do maior torneio de clubes do futebol. Para o confronto da final no Japão, os merengues ainda contariam com o reforço galáctico de Luis Figo, um dos melhores jogadores do mundo na época, que havia se transferido do rival Barcelona em meio a muita polêmica. Além dele, Casillas, Hierro, Roberto Carlos e Raul confirmavam de vez o favoritismo espanhol.

Mas o Boca tinha o maestro Carlos Bianchi, o cerebral Román Riquelme e o matador Martin Palermo que, se não se valiam de tanta fama fora da Américas, em equipe mostravam do que eram capazes, como já haviam exibido na grande campanha da conquista da Libertadores em cima do Palmeiras. Daquele time da competição sulamericana, apenas o zagueiro Walter Samuel seria um desfalque, pois já havia se transferido para a equipe italiana da Roma, obrigando Bianchi a escalar o polivalente zagueiro/lateral Aníbal Matellán em seu lugar, decisão que se mostraria acertada.

Em meio a um início de jogo truncado, com o volante Makelele em meio a desdobramentos para impedir que Riquelme desenvolvesse suas jogadas mágicas, Matellán recuperou uma bola e, em um passe longo, encontrou Delgado nas costas de Hierro, que correu até a linha de fundo e cruzou à meia altura para Palermo, que chegava à pequena área pelo lado direito, se antecipando aos marcadores para fazer o que sempre fez de melhor: empurrar a bola para as redes. Eram apenas 2 minutos de partida até então e o Boca já mostrava a todos que não viajou até o outro lado do mundo para assistir o Real jogar.

Palermo comemora. Decisão é com ele.

Palermo comemora. Decisão é com ele.

Letal, sólido, mortífero, técnico, tático, objetivo. Essas eram as muitas faces do time comandado por Carlos Bianchi.

Características que viriam à tona mais uma vez somente 4 minutos depois do primeiro gol. Riquelme, já mais solto da marcação dos incansáveis defensores de branco, recebeu uma bola recuperada pelo bom volante Basualdo e, de antes da meia lua central, teve uma preciosa fração de segundo em que aliou a rara visão de jogo à técnica cirúrgica típica dos craques e fez um lançamento estupendo, fazendo a bola pousar poucos metros à frente de Palermo, que ganhou na corrida de Geremi, e, de frente para Casillas, com apenas um toque na bola, acertou um belo chute de canhota, no canto esquerdo do goleiro espanhol, determinando dois gols de vantagem em menos de 10 minutos de jogo.

O Real estava atordoado e, após levar o segundo gol, buscava uma reação que não demorou a se desenhar. Contando com a decisiva participação do lateral Roberto Carlos, a forte e tradicional jogada pelo lado esquerdo dos espanhóis deu resultado, culminando em um belo chute do brasileiro da entrada da área no ângulo do goleiro Córdoba, que nada pode fazer. Porém, ainda que a equipe do técnico Vicente Del Bosque tivesse explanado suas mais ásperas jogadas por todos os setores de ataque, não conseguiu converter em mais gols todo o volume de jogo criado, provavelmente em função do nocaute tático e técnico sofrido de forma tão precoce para uma decisão de Copa daquele porte.

O conjunto de estrelas do Real não foi suficiente

O conjunto de estrelas do Real não foi suficiente

A imensa torcida xeneize que compareceu ao estádio Olímpico cantou sem parar, reproduzindo e fazendo ecoar em gritos e cânticos todo o seu amor pelo clube até o apito final do árbitro Oscar Ruiz, marcando mais uma histórica e heróica conquista do Club Atlético Boca Juniors, que recolocava a América do Sul na lista de campeões, já que, de 95 a 99, apenas europeus levaram a taça.

Ficha do Jogo

BOCA JÚNIORS 2 x 1 REAL MADRID
Data: 28/11/2000
Local: Estádio Olímpico, Tóquio (Japão)
Árbitro: Oscar Ruiz (Colômbia)
Gols: Palermos aos 2′ e aos 5′, e Roberto Carlos aos 11′ do primeiro tempo.
Cartões amarelos: Helguera e Geremi (RM), Ibarra (BJ)

Real Madrid:
Casillas; Geremi, Karanka, Hierro e Roberto Carlos; Makélélé (Morientes), Helguera, McManaman (Sávio) e Figo; Guti e Raúl.

Técnico: Vicente del Bosque

Boca Juniors:
Córdoba; Ibarra, Bermúdez, Traverso e Mattellán; Basualdo, Serna, Riquelme e Battaglia (Burdisso); Delgado (Schelotto) e Palermo.

Técnico: Carlos Bianchi

Melhores Momentos:

Jogo completo:

Comentários

Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.